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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Valor Econômico: O setor imobiliário e seus riscos

A análise do setor imobiliário no Brasil necessita de alguns cuidados. Entre as principais dificuldades, está o complexo método contábil do segmento, que faz com que a avaliação das empresas seja mais baseada em múltiplos, ao contrário de outros setores em que predomina o método do fluxo de caixa.

Além dos aspectos contábeis, o setor apresenta algumas peculiaridades em relação ao fundo de comércio das companhias. Além disso, as ações do setor são caracterizadas como cíclicas devido à dependência de crédito tanto para a aquisição do imóvel como para o financiamento da obra. Com o incremento dos juros, o setor vem apresentando fraco desempenho em 2011.

O setor adota a metodologia conhecida como “percentage of completion”. Dessa forma, a receita contábil somente é reconhecida de acordo com o andamento da obra e da venda. Nos demais setores, em regra, a receita é contabilizada no mesmo momento da venda. Assim, venda e receita contábil são praticamente sinônimos. O mesmo não se pode dizer no setor imobiliário. Desta forma, o múltiplo P/L 2011 de uma empresa do setor imobiliário não pode ser comparado com o P/L 2011 do Itaú ou do Bradesco, por exemplo.

Além dessa inconsistência na comparação intersetorial, o mesmo ocorre na análise intrasetorial. Companhias como MRV e Direcional, cujas operações são destinadas à baixa renda, apresentam um ciclo construtivo mais curto (em torno de 18 meses) do que o de empresas voltadas para a média e alta renda (entre 24 e 36 meses). Logo aquelas apresentam uma defasagem menor entre a venda e a receita contábil.

Tendo em vista essas dificuldades metodológicas, uma métrica  usada pelos analistas é calcular o P/L tomando por base as vendas contratadas nos últimos 12 meses. Assim, tenta-se mostrar o lucro esperado com base nas vendas mais recentes e não o contábil.

Uma outra preocupação do setor é relacionada à inflação de custos, especialmente mão de obra. Com isso, o custo total da obra aumenta, o que gera uma redução da margem operacional. MRV, Cyrela, CCDI, entre outras, já apresentaram “estouro em obras” e redução abrupta de suas margens. É importante ficar de olho nos resultados das companhias nos próximos trimestres para perceber se elas estão mantendo os custos de suas obras sob controle.

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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Folha: Secovi confirma queda de 32% na venda de imóveis novos

A venda de imóveis novos residenciais na capital paulista somou 11.680 unidades no primeiro semestre, com retração de 31,3% ante o mesmo período no ano passado, de acordo com os dados divulgados nesta terça-feira pelo Secovi (Sindicato da Habitação) de São Paulo. 

O avanço da inflação e as consequentes medidas de contenção do crédito contribuíram para o clima de desaquecimento do mercado imobiliário, segundo a entidade. 

Na região metropolitana de São Paulo, que engloba outros 38 municípios, houve perda na participação ante o mesmo período do ano passado, com variação negativa de 28%. 

 
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Reação de leitores faz jornal retirar do ar matéria sobre mercado imobiliário


A necessidade de negar o óbvio parece não ter fim. Prova disso foi a matéria veiculada no portal de imóveis de um grande jornal mineiro, cuja chamada na página principal dizia "Mais aquecido, impossível".

Ao acessar o conteúdo da matéria, um novo título "Mercado imobiliário está aquecido". Assim, o jornal iniciou uma descrição "lúdica e romântica" sobre o assunto, com informações que, nem de longe, correspondem à realidade.

Mas como diz o ditado, "o feitiço sempre vira contra o feiticeiro", e o conteúdo foi retirado do ar devido aos comentáros uníssonos de leitores que "botaram a boca no trombone", acusando o jornal de veicular uma "matéria comprada".

Porém, em tempos de internet, não adianta mais escrever algo e depois tentar se esconder. O conteúdo ficou registrado, e, para que possam compreender melhor o fato, resolvemos disponibilizar aqui o link da matéria, onde constam também as respectivas reações dos leitores (que tiveram tempo para se manifestar).

Um fato curioso, e que nos deixa satisfeitos, foi o comentário de um dos leitores que, ao final da crítica, indicou nosso blog como referência sobre a realidade do setor. Agradecemos pela citação.

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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Nova pesquisa CNI: Crise à vista na construção civil


A construção civil registrou em julho o segundo mês consecutivo de desaceleração, com o indicador do setor recuando de 52,4 pontos em junho para 51 pontos no mês passado, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo a pesquisa,  indicadores abaixo de 50 pontos indicam problemas.

De acordo com a CNI, houve redução nas operações das pequenas empresas, com o índice do segmento baixando de 49,6 pontos para 47 pontos. “Essa queda de atividade das pequenas empresas é explicada pela maior dificuldade de se recuperarem da desaceleração pela qual passou todo o setor de construção no começo do ano”, explica o economista da CNI, Danilo Garcia.

O levantamento ainda mostra que os empresários estão menos otimistas.


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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Valor Econômico: Gigantes da construção no prejuízo


A Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI) surpreendeu o mercado na semana passada ao divulgar que sua margem bruta, que equivale a quanto sobra da receita após descontados os custos de construção, ficou negativa em 21% no segundo trimestre.

Isso quer dizer que, antes de considerar as despesas administrativas e de vendas, a empresa já estava no prejuízo no período.

O motivo para esse resultado - bastante incomum em qualquer setor da economia - foi o reconhecimento de estouros de orçamentos de obras lançadas em 2007 e 2008.

Longe de ser um caso isolado da CCDI, a divulgação de revisões de estimativas de custos de empreendimentos imobiliários tem deixado com frio na barriga os investidores que carregam em suas carteiras ações de incorporadoras. A sensação é que a cada temporada de balanços mais surpresas podem aparecer nos demonstrativos financeiros.

Qualquer pessoa que já fez uma reforma em casa sabe que os gastos quase sempre superam o orçamento. O que chama atenção é que algumas das maiores construtoras do país, especialistas no assunto, também tenham sido pegas de surpresa.

Se há cerca de dois anos as margens apresentadas pelas companhias funcionavam praticamente como um relógio, têm se tornado frequentes desde o fim do ano passado os casos de estouro de orçamento, com impactos relevantes nos resultados de um único trimestre.

Empresas como Cyrela, Gafisa, MRV e Rodobens estão entre aquelas que surpreenderam seus acionistas nos últimos meses com resultados abaixo do esperado e da curva histórica.

O problema é que, como algumas empresas não têm cumprido suas metas formais ou informais sobre recuperação de margens, os investidores perderam parte da confiança que tinham no discurso das companhias. E têm receio de que, quando se aproximar a data da entrega desta nova leva de empreendimentos, os ajustes de orçamento tenham que ser feitos novamente.


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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Bolha Imobiliária: O tiro saiu pela culatra


Uma parte dos imóveis novos que começam a ser entregues agora estão nas mãos de investidores que compraram na planta há dois, três anos, e que agora querem realizar suas vendas.  

Embora as entidades e construtoras evitem falar sobre esses compradores, sabe-se, nos bastidores do mercado, que há uma preocupação com aqueles investidores pouco capitalizados, que não têm dinheiro para quitar a dívida ou crédito para honrar o financiamento na entrega das chaves. São investidores que se empolgaram com a possibilidade de ganhos com o boom do setor, mas que não tinham capital e nem experiência de aplicação em imóveis, que são conhecidos pela pouca liquidez na hora da venda. Sem dinheiro, eles vão precisar vender rapidamente os imóveis e, em um cenário de grande oferta, vão depreciar os preços. 

É possível observar em Curitiba alguns empreendimentos em fase final de acabamento já com cinco, seis unidades com placas de venda. “Aquele que compra e não tem como honrar o financiamento não é investidor, é especulador. E isso não é saudável para o mercado. Conheço casos de construtoras que tiveram que retomar o imóvel de pessoas que não conseguiram pagar na entrega. 


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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Valor Econômico: Prejuízo na construção civil

A CR2 Empreendimentos Imobiliários reverteu o lucro líquido de R$ 7,43 milhões apurado no segundo trimestre do ano passado e registrou prejuízo de R$ 17,5 milhões em igual intervalo deste ano.

A receita operacional líquida da construtora caiu 76% na mesma base de comparação, para R$ 30,8 milhões, e o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou negativo em R$ 9,57 milhões no segundo trimestre deste ano, ante Ebitda positivo de R$ 20 milhões em igual período de 2010. Os dados são consolildados.

As vendas contratadas totais da CR2 no trimestre encerrado em junho totalizaram R$ 20,4 milhões, 49% abaixo dos R$ 39,9 milhões apurados um ano antes. Já as vendas contratadas que consideram apenas a parcela da companhia mostraram queda de 50%, para R$ 15,8 milhões. No acumulado do semestre, as vendas contratadas totalizaram R$ 34,2 milhões, ante R$ 116,6 milhões nos seis primeiros meses do ano passado.

 
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Efeito Bolha: Emprego na construção civil registra queda de quase 90%


Após registrar saldo negativo de mais de 84 mil vagas em dezembro, o setor da construção civil teve crescimentos mensais inferiores até maio, na comparação com cada mês de 2010.

Em março, foram criadas apenas 5.236 vagas, ante 45.704 no mesmo mês do ano passado, de acordo com os dados do SindusCon (queda de 89%).

"Houve de fato uma desaceleração de 2011 com relação a 2010. Inicialmente é possível ler que a construção estaria perdendo força (...)", diz o presidente da entidade, Sergio Watanabe.


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