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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Especialista desmente revista: A bolha está mais do que formada

Conforme prometemos em nosso último post, segue mais um excelente artigo do economista Luciano D'Agostini, onde ele comprova, a partir de informações e dados incontestáveis, que a bolha imobiliária já está formada, desmentindo, de forma categórica, a falácia da revista Exame da última semana.

A Bolha Imobiliária no Brasil está mais do que formada e entramos na fase Paradigma de Preços 

Uma bolha monetária  refere-se à  falsa replicação de capitais sobre capitais através do sistema financeiro gerando, ao longo do tempo, inflação.

De maneira simples, uma bolha monetária ocorre da seguinte maneira: o Banco A empresta R$ 100,00 à um agente econômico B (famílias, indústrias, construtoras, países) com um adicional de juros. Logo o Banco A será credor de R$100,00 mais o juros acordados. O agente B, que se alavancou emprestando do Banco A, empresta ao agente C, embutindo o custo do capital no preço final do produto e ainda com a facilidade do crédito, ao longo do tempo, adiciona uma taxa de juros maior do que o empréstimo contraído inicialmente. Aqui, A e B são credores de R$100,00 (cada) mais os juros acordados, com os juros de A menor que os juros de B. Temos R$200,00 gerados para liquidação. O agente C empresta para o agente D os mesmíssimos R$ 100,00 a uma taxa de juros maior que o agente B, que concedeu a oferta de dinheiro. Em algum dos estágios, parte do capital financeirizado pelos juros sai do circuito estritamente financeiro e entra de modo inflado no capital produtivo (p.e. na “arte de edificar prédios”).

Todos os agentes são credores do mesmo capital. O problema reside no circuito moeda-juros que tem como resultado virtual mais moeda e, por fim, mais inflação. Resta saber, numa economia de crédito com restrição orçamentária (p.e: familiar) e sem formação de poupança, qual(is) será(ão) o(s) setor(es) contaminado(s). Formam-se fenômenos hiper-inflacionários e posteriormente, pela economia de crédito, fenômenos hiper-deflacionários de baixa, média ou alta magnitude. No exemplo, existe a “geração de moeda real” virtual a partir de R$ 100,00 verdadeiramente existentes. No contexto de crédito, o empréstimo sobre-posto ou chamado de alavancado, caso mal estruturado em qualquer estágio do processo, do agente A para o B, ou do B para o C, pode ser classificado como emprestar aos agentes econômicos que não tem condições técnicas para pagar em algum momento. Inicialmente, essa situação leva à sensação de crescimento patrimonial, aumentando o consumo em relação à renda realmente recebida (caso Brasil) e comprometendo maiores partes patrimoniais dos credores em investimento de risco (caso Brasil com os imóveis), sem garantia de liquidez, acarretando em uma espécie de inflação que chamamos de “inflação especulativa” ou em teoria monetária “Bolha de Preços”. O principal problema é quando algum agente do sistema, B, C ou D, inseridos nessa cadeia necessitam liquidar o empréstimo e/ou outros membros abaixo do seu crédito piramidal invertida não pagam o empréstimo.

Após anos de estudos, escrevi um texto simples, ainda em setembro/outubro de 2010 sem muita formalização numérica, afirmando que  ”A bolha imobiliária no Brasil está formada“, na Revista Economia & Tecnologia da UFPR. Na ocasião, além de não ser publicado em edições anteriores, fora taxado de “louco” ou de “sem noção”.

Anos mais tarde, em 2012, afirmo aqui com mais tranquilidade, pelos indicadores monitorados ao longo do tempo que 2013/2014/2015 as probabilidades de estouro de bolha de preços (queda) no setor imobiliário de imóveis residenciais, comerciais e terrenos são grandes. A queda, na minha opinião, será de média magnitude, entre 15 a 35%.

Pois bem, resolvemos analisar mais indicadores no intuito de prever nos próximos escritos um possível estouro (ou não) da bolha imobiliária no Brasil (refiro-me ao quarto estágio), a saber: o aumento da renda per capta, o aumento dos preços dos imóveis e o aumento da renda per capta sobre o preço dos imóveis. O exercício consiste em comparar o Brasil com indicadores antecedentes da bolha imobiliária americana.

Inicialmente, verificamos qual foi a taxa de crescimento da renda per capta do Brasil em relação à taxa de crescimento da renda per capta nos Estados Unidos:

Fonte: Ipeadata, IMF.

A renda per capta nominal no Brasil em moeda local (real), ao longo de 11 anos,  aumentou 2,8 vezes em relação a renda per capta de 2000 e estagnou de 2010 para 2011. Nos Estados Unidos, no mesmo período, aumentou 1,4 vezes (em dólares), com estagnação em 2007 (ocasião do estouro da bolha imobiliária) e uma retomada em meados de 2009.

Agora, vejamos o gráfico da evolução dos preços dos imóveis no Brasil e nos Estados Unidos, ao longo destes mesmos 11 anos. Tomamos como Proxys o Índice Shiller 20 dos preços dos imóveis nos Estados Unidos e no Brasil, pela falta de estatística dos imóveis residenciais em 10 anos, tomamos o Índice Geral do Mercado Imobiliário Comercial- IGMI-C, publicado pela FGV/Bovespa.
O estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos ocorreu em setembro de 2007. No Brasil vivemos em 2011 ainda um estágio de expansão de preços. Em especial, a partir do estouro da bolha imobiliária americana, os preços dos imóveis no Brasil, entre 2008-2011 aumentam à taxas de crescimento bem maiores do que no período 2000-2007. É o terceiro estágio da bolha de 4 possíveis. Lembrando ainda que nos Estados Unidos os preços dos imóveis cresceram mais rapidamente a partir de 2004 (estourou em 2007) e no Brasil o preço cresceu mais rapidamente a partir de 2008 (estamos no início de 2012).

Fonte: FED, Bovespa.

Como ilustração insiro abaixo um gráfico teórico, encontrado rotineiramente em livros de economia monetária contextualizando os 4 estágios de uma bolha de preços de ativos.

 

No Brasil, entre 2000-2008, pelo crescimento da renda per capta acima do crescimento do preço dos imóveis, a relação renda per capta sobre o preço dos imóveis aumentou, indicando a potencialidade do aumento de preços dos imóveis pelo fator renda (p.e. aumento da massa salarial). A partir de 2008 o indicador iniciou um processo de inversão,  e a força de venda dos imóveis pela renda per capta do Brasil perdeu força. Certo, então que o indicador de “crédito” e não de renda per capta foi o principal causador da hiper-inflação imobiliária entre 2008-2011. Nos Estados Unidos a relação renda per capta sobre preço dos imóveis também indicavam desde meados de 2000 que a potencialidade do aumento dos preços dos imóveis não se daria pela parcial da renda. De 2000 a 2007, a taxa de crescimento da renda per capta americana aumentou, assim como a inflação dos imóveis. Porém, como a taxa de crescimento da renda aumentou menos do que o aumento dos preços dos imóveis, a relação caiu. Portanto, os preços dos imóveis nos Estados Unidos inflaram devido a forte expansão do “crédito” entre 2000 a 2006.

Fonte: elaboração Inva Capital a partir de dados do IMF, FED, Bovespa.

Como o preço dos imóveis nos Estados Unidos caiu muito pós 2007 e a renda per capta média aumentou levemente, a relação renda per capta dos EUA está novamente, em 2011, quase idêntico ao ano de 2000, onde o o primeiro estágio da bolha americana se formava. Portanto, para aqueles que querem comprar imóveis nos Estados Unidos agora na esperança de ganhar dinheiro entre o preço de compra versus o preço de venda, terá de esperar uma nova onda de crédito no setor imobiliário americano para auferir excelentes lucros, algo que não ocorrerá em 2012 e nem em 2013 pela crise financeira mundial. E o mesmo ocorrerá no Brasil. Portanto, comprar imóveis hoje para revender no prazo de 2 a 3 anos, tanto no Brasil como nos Estados Unidos, não é mais um excelente negócio como aqueles que fizeram isso em 2001/2006 nos Estados Unidos ou aqueles que fizeram isso no Brasil em 2007/2008 para revender até 2010/2011.  


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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Exame: Uma revista sob suspeita


No dia 18/02 fomos informados pelos amigos do excelente blog Brazilian Bubble sobre a matéria de capa da revista Exame, que chega às bancas nesta semana, e que traz o instigante título "Imóveis - Um mercado sob suspeita". Num primeiro momento, todos nós que vimos há algum tempo denunciando a bolha imobiliária brasileira ficamos eufóricos: enfim, um veículo dos mais renomados do País resolveu abordar o assunto de forma clara.

Porém, para nossa surpresa e decepção, a reportagem nada mais é do que uma "propaganda" explícita do mercado imobiliário, sob a forma de matéria. Um dos primeiros pontos que nos chamou a atenção foi o fato de termos tido acesso ao conteúdo integral da matéria pelo site Brazilian Finance & Real Estate (http://www.bfre.com.br/pt/noticias/4014-um-mercado-sob-suspeita), que pertence a holding que controla as empresas Brazilian Mortgages, Brazilian Securities, Brazilian Capital e BM Sua Casa, todas do segmento imobiliário. Assim, se a matéria fosse negativa para o setor, este site seria o último a dar publicidade.

Ao analisarmos mais detidamente o conteúdo, nossa desconfiança se confirmou: trata-se de uma estratégia muito bem elaborada, provavelmente contando com uma bela "consultoria" de representantes e empresas do setor imobiliário. O título "Imóveis - Um mercado sob suspeita" nos remete, de forma apressada, a um conteúdo bombástico, a uma provável denúncia sobre a bolha imobiliária. Porém, a matéria faz uma clara defesa do mercado de construção, justificando os aumentos abusivos dos imóveis, além de negar, de forma veemente, a existência de uma bolha.

A reportagem faz apenas um "despretencioso" questionamento sobre como, em um mercado tão promissor e punjante, algumas empresas que nele atuam conseguem apresentar resultados negativos. Seria uma forma de separar o "joio do trigo" e valorizar ainda mais o investimento nas empresas "saudáveis" do setor? Devemos lembrar que o desempenho das empresas de construção na bolsa de valores vem sendo pífio, e talvez informações dessa natureza possam trazer de volta alguns incautos investidores.

Um outro ponto a ser destacado é o fato da reportagem ser veiculada logo após uma excelente matéria da revista Construção e Negócios (
divulgada pelo blog), onde os especialistas João da Rocha Lima Junior, professor titular de real estate da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, e Samy Dana, professor de finanças da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), afirmaram, a partir de dados e informações incontestáveis, a existência da bolha imobiliária, tanto no mercado residencial quanto no comercial.

Assim, cabe-nos apenas lamentar que uma revista de tamanha credibilidade e importância como a Exame tenha se transformado, assim como boa parte da mídia nacional, em mais um integrante do "núcleo de assesoria de imprensa" do setor imobiliário.

Para aqueles que nos acompanham, o próximo post trará um artigo que irá, não só confrontar, como desmentir a matéria da revista Exame. Aguardem.

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A face oculta da construção civil

Em meio à euforia que o setor de construção civil experimentou até o início de 2011, quando iniciou uma forte desacelaração, houve (e ainda há) uma grande preocupação em fabricar informações, sempre positivas, sobre o segmento. Muito se falou sobre a valorização e os altos ganhos de profissionais como mestres de obras e pedreiros. Porém, quase nada foi divulgado sobre a realidade dos canteiros de obras. 

De cada dez obras da construção civil em Mina Gerais, sete oferecem algum tipo de risco aos operários. A estimativa é do vice-coordenador nacional da Defesa do Meio Ambiente do Trabalho, Everson Rossi. A falta de segurança é refletida em tragédias. Pelo menos um trabalhador morre nos canteiros de obras de Minas por semana. No ano passado, 48 acidentes terminaram em óbitos no Estado, sendo 21 na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

A fiscalização falha e o descumprimento das regras básicas de segurança são as principais causas de acidentes, e os números podem ser bem piores. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção de BH (Marreta), Osmir Venuto, alerta que os operários levados ao hospital, mas que não sobrevivem, ficam fora das estatísticas.

O presidente do sindicato afirma que os ferimentos vão de esmagamentos à perda de membros. “As construtoras falam que o trabalhador não usou o Equipamento de Proteção Individual (EPI), quando na verdade nem o forneceram. Se o operário não usar, pode até ser demitido por justa causa”, diz.

Dados do sindicato mostram que, em 2010, houve 5,5 mil acidentes envolvendo trabalhadores da construção civil na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Naquele ano, foram registrados 56 óbitos em Minas, sendo 26 na região metropolitana. Somadas todas as profissões, houve 343 mortes no Brasil, em 2010. Só a construção civil em Minas responde por 16% dos óbitos no país.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Luiz Fernando Pires, reconhece os “deslizes” de algumas empresas quanto à segurança. Ele diz que a questão avançou, mas que ainda falta conscientização, principalmente em obras pequenas. “As construções menores são pouco fiscalizadas e por isso relaxam. Muitas vezes, o operário não usa o EPI. Orientamos as construtoras e até premiamos aquelas que conseguem reduzir as ocorrências”.

Vítima de um acidente de trabalho há dois anos, Paulo César Vieira de Faria, de 32, hoje luta para se reabilitar de uma queda de 110 metros de altura quando desmontava uma grua, em Nova Lima. Com dificuldades de locomoção e fala, o ex-operário reclama que a empresa em que ele trabalhava prestou assistência apenas por alguns meses. “Sempre usava os equipamentos de segurança, mas um parafuso se soltou e eu caí”. Dois amigos de Paulo morreram na queda.

O procurador do Ministério Público do Trabalho Everson Rossi considera os números preocupantes. Ele diz que mesmo as grandes obras não oferecem a proteção ideal. “A construção civil cresceu, mas há um número reduzido de fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do MPT. A empresa tem que fornecer o EPI e treinar o trabalhador. Se ele não usar o equipamento, a responsabilidade continua sendo do patrão”. As obras que não oferecem segurança para os operários estão sujeitas a multas e até a embargos.

                http://www.hojeemdia.com.br/minas/de-cada-dez-canteiros-sete-oferecem-riscos-em-minas-1.405777


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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Especialistas falam sobre a bolha imobiliária

Para uns, o setor está apenas recuperando o tempo perdido em anos e anos de estagnação. Para outros, a escalada dos preços pode estar criando o ambiente propício para o nascimento de um fenômeno já visto em nações desenvolvidas, como a Espanha. Não importa de que lado você esteja, o fato é que o debate sobre a existência de uma bolha imobiliária no mercado brasileiro tem aumentado nos últimos tempos. 

Em São Paulo, por exemplo, praticamente todos os edifícios de escritórios compartilhados estão com preços inadequados, acima do valor justo”, afirma João da Rocha Lima Junior, professor titular de real estate da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e diretor do Grupo Unitas, que presta consultoria na área. O preço justo, ou adequado, teria que ser arbitrado a partir de uma combinação entre custos e expectativas de rentabilidade. Porém, em alguns segmentos, os investidores estão quantificando essa margem de renda no futuro baseados no cenário atual, o que aumenta a chance de superestimá-la.  “Isso é um defeito de postura, que só pode ser corrigido com informação. Informação inadequada resulta em mercado desequilibrado.” E isso costuma variar entre diferentes tipos de produtos e também pela sua posição geográfica. Uma cidade como a capital paulista, por exemplo, pode estar com valores inadequados em um determinado bairro ou região. “No mercado residencial, os produtos de classe média, em bairros como Vila Mariana e Perdizes, também estão supervalorizados”, acrescenta. 

Na comparação entre os dois segmentos que podem ser foco de formação de uma bolha, o professor destaca que, se no caso dos escritórios o risco já existe e é bem real, no residencial as evidências dos últimos meses indicam que o mercado está mais lento, com os preços parando de subir, ao mesmo tempo em que a velocidade das vendas está caindo muito

Já para o professor de finanças da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Samy Dana, o risco de estourar uma bolha no País reside justamente no segmento residencial. E o cálculo que ele faz para chegar a essa conclusão é muito simples. Hoje, o valor de um imóvel no centro paulistano está em torno de R$ 10 mil/m². Sendo assim, um apartamento de 100 m² vai custar R$ 1milhão, aproximadamente, sem considerar algum desconto que possa ter. Se esse dinheiro fosse colocado em uma aplicação conservadora, como a poupança, iria render em torno de 0,5% ou 0,6% ao mês, ou seja, R$ 6 mil. “Eu duvido que alguém pague R$ 6 mil ou mais para morar em um imóvel de 100 m² no centro do São Paulo. É melhor deixar rendendo no banco e pagar aluguel. Para o investidor também, é melhor não comprar e aplicar em outra coisa.” 

Segundo ele, esse descompasso entre o valor da residência e o aluguel, em um futuro próximo, vai levar o mercado a uma encruzilhada: ou os preços caem, ou a locação aumenta. “E eu não acredito que haja espaço para o aluguel subir, então os preços vão começar a cair quando as pessoas passarem a olhar de forma mais racional”, garante. Os motivos que impulsionam a alta, na opinião do professor, são o crédito barato, com pessoas que nunca tiveram acesso a financiamento conseguindo comprar imóveis; o famoso sonho da casa própria, onde o pensamento imperante é de que é melhor ter do que alugar, mesmo que isso vá de encontro à lógica financeira; e o fato de o setor ter andado de lado por muitos anos, com uma oferta muito pequena. “Há espaço sim para crescimento do mercado, mas não para crescimento de preços. Não dá para investir com o metro quadrado nesses valores”, ressalta. 

Na região central de São Paulo, Samy Dana calcula que os empreendimentos chegam a custar o dobro do seu valor real, situação que também se repete em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Essa atitude de maximizar os lucros sem contar o dia de amanhã já estaria se refletindo no mercado de ações, com os papéis de algumas construtoras sofrendo com fortes desvalorizações em 2011. “Não tenho dúvidas de que sofremos uma bolha imobiliária, e ela pode estourar em 2012, principalmente por causa da crise internacional. Os preços estão absurdamente altos, ainda mais nos imóveis residenciais das grandes cidades”, salienta.

Para o professor João da Rocha Lima Júnior, o problema está justamente na dificuldade em perceber ou prever a formação de uma bolha, o que em geral só acontece quando ele se esvanece.
Mas segundo ele não há muito o quê fazer perante isso. Pela Lei da Avidez e da Riqueza, se o vendedor tiver a oportunidade de comercializar pelo preço mais caro possível, ele vai fazer isso. Enquanto isso, se o comprador puder adquirir o imóvel por um valor mais barato, também não irá hesitar. “Dessa forma, esse jogo de forças de mercado não pode ser resolvido a não ser pelo seu próprio reequilíbrio.” 

Revista Construção e Negócios - Edição 37

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

DCI: Valor dos aluguéis confirma Bolha

Levantamento do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) indica que os aluguéis no Brasil vêm caindo, embora o valor nominal das locações e o desembolso efetivo dos inquilinos estejam mais altos. "O preço dos aluguéis, tanto residenciais quanto comerciais, não acompanhou a valorização dos imóveis", afirma o presidente do Cofeci, João Teodoro da Silva.

Nos últimos cinco anos, o retorno mensal médio da locação era de cerca de 0,65% do valor do imóvel, contra aproximadamente 0,5% hoje, com casos em que a rentabilidade não passa de 0,3%.

Os aluguéis sempre foram baseados em percentual em relação ao preço de comercialização. Nos últimos anos, isso mudou porque o valor locatício não consegue acompanhar percentualmente a acelerada alta do valor de venda dos imóveis. E essa diferença entre o valor do aluguel e o valor pedido para venda é, para muitos especialistas, a maior prova de que há sim uma bolha imobiliária, pois se não há renda para acompanhar uma valorização dos aluguéis, como haverá renda para comprar ou financiar um imóvel?

Diário do Comércio e Indústria -DCI - São Paulo/SP - Opinião - 09/02/2012

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Exame: Alerta de bolha para o Brasil

Segue um alerta para quem acha que os preços dos imóveis vão subir para sempre no Brasil. Na China, onde o valor das propriedades disparou nos últimos anos e, até pouco tempo atrás, ninguém falava que essa tendência se reverteria, a bolha imobiliária começa a desinflar.

Segundo um relatório do Barclays Capital Research, os preços das moradias podem cair até 30%.

No Brasil, o volume pequeno de crédito imobiliário é o principal argumento de quem defende que não há chances do país passar por uma bolha, apesar do forte aumento de preços verificado nos último anos. Especialistas alertam, entretanto, que se houver uma oferta ainda menor de crédito no Brasil, os preços devem cair.

A redução do crédito será causada pelo fim dos recursos da caderneta de poupança disponíveis para o crédito imobiliário. No Brasil, essas linhas de crédito são subsidiadas. Os bancos captam recursos com a poupança e pagam juros de 6% ao ano mais TR aos investidores. Depois, usam esse dinheiro para emprestar aos compradores de casas por taxas que variam de 8% a 12% ao ano mais TR.

Somente 65% do dinheiro da poupança deve obrigatoriamente ser usado no crédito imobiliário. O problema é que esse estoque de dinheiro deve terminar em 2012 ou 2013, segundo estimativas do mercado. Quando isso acontecer, os bancos terão de captar dinheiro mais caro. O repasse desses custos levará também ao encarecimento do crédito imobiliário. Nos últimos meses, bancos como o Santander já estão mais seletivos na liberação desse tipo de financiamento.


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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Última pesquisa CNI confirma crise e desemprego na construção

A indústria da construção civil no País fechou o ano de 2011 com queda no nível de atividade, de acordo com a última sondagem divulgada no dia 26 de janeiro pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo o levantamento, a atividade do setor recuou de 49,3 pontos em novembro para 47,6 pontos em dezembro. Pelos critérios da sondagem, valores abaixo de 50 pontos indicam retração, desaquecimento ou expectativas negativas.

Além da retração, a atividade da indústria da construção ficou abaixo do esperado pelo quinto mês consecutivo.

A pesquisa também mostrou que o número de empregados caiu em dezembro, repetindo movimento já registrado no mês anterior. O indicador do número de empregados no setor passou de 49,2 pontos em novembro para 48,0 pontos em dezembro, seguindo abaixo da linha divisória de 50 Pontos.

A pesquisa da CNI ouviu 423 empresas (208 pequenas, 165 médias e 50 grandes) entre os dias 2 e 18 de janeiro.

 http://economia.estadao.com.br/noticias/economia+geral,cai-nivel-de-atividade-da-industria-de-construcao,100683,0.htm

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