Depois da forte valorização dos preços nos últimos anos e dos sinais de que o comprador não pretende suportar mais um ciclo de alta de preços, existe a possibilidade de um recuo generalizado nos valores dos imóveis?
Para o economista e pesquisador especializado em Macroeconomia Luciano D'Agostini, que acredita que haja um bolha no setor, alguns fatores podem fazer com que a demanda por imóveis recue, a inadimplência suba e os preços caiam. Um eventual aumento da taxa de desemprego, hoje em níveis historicamente baixos, pode comprometer o orçamento das famílias, que nunca estiveram tão endividadas. "Com o alto grau de endividamento, qualquer aumento da taxa de desocupação, ainda que sensível, é capaz de causar problemas", diz.
Segundo ele, pelo menos dois fatores indicam, tecnicamente, a existência de uma bolha: o rápido e vigoroso crescimento do crédito, acima do ritmo de avanço real da renda, e o alongamento das parcelas de pagamento, ainda com juros altos. "Esses fatores criam uma ilusão monetária que é uma característica em mercados que tiveram bolha", diz.
Para ele, há risco de queda de preços dos imóveis nos próximos anos. "Uma queda de 15% significa uma bolha fraca. Se chegarmos a 35%, teremos uma bolha moderada", afirma. A percepção de que os preços do imóveis atingiram valores infundados também pode ser explicada, segundo o economista, pelo descasamento dos preços do imóvel e do aluguel. Um apartamento hoje comprado por R$ 200 mil não consegue ser alugado perto de 0,7% de seu valor - algo em torno de R$ 1,4 mil -, o que mostra a distorção", diz.
Marcos Kahtalian, consultor do Sinduscon no Paraná, acredita que não há bolha, mas que um eventual desaquecimento da economia, com perda de renda e do ritmo do consumo das famílias, pode frear as vendas do mercado imobiliário.
Velocidade
Em Curitiba a aferta de imóveis é recorde, enquanto a velocidade dos negócios no ramo despencou .
Curitiba nunca teve um volume tão grande de imóveis usados à venda, porém, os negócios já não saem com a mesma facilidade.
A oferta comportada e a demanda crescente garantem boa velocidade de vendas, segundo . Segundo Teo Granado, vice-presidente regional do Secovi no Noroeste, o mercado recuou um pouco a partir de setembro.
"Muita gente adiou a compra por receio da crise. Segundo ele, um imóvel na cidade costuma levar até dez meses para ser vendido.
Um sinal de que a luz amarela acendeu para esse setor veio pela queda na Velocidade de Venda de Imóveis Usados (VUSO), índice que mede a porcentagem de unidades vendidas em relação à oferta disponível.
O indicador atingiu 3,5% em janeiro, o pior resultado da série histórica do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar), vinculado ao Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR).
Desde fevereiro de 2011, pelo menos 2,6 mil unidades passaram a exibir placas de venda na cidade, quase o mesmo volume de imóveis novos entregues pelas construtoras nesse intervalo. Hoje há 19,4 mil unidades à venda, das quais 16,2 mil residenciais.
Segundo o empresário Hamilton Franck, ex-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), em média, a partir do quinto ano de existência, um imóvel custa entre 30% e 40% a menos que um lançamento de mesmo porte no mesmo local. "O que se vê hoje é um valor 5% menor do que o novo, o que caracteriza uma grande distorção.
O primeiro sinal de que os negócios estavam mais devagar veio em outubro, quando a velocidade de venda despencou de 7,6% para 4%. "Hoje a velocidade de venda é a metade da que seria considerada ideal", diz Luiz Carlos Borges da Silva, sócio-proprietário da imobiliária Outrasul. De acordo com ele, o tempo para concretização da venda - em média de dez meses - pode atingir até dois anos. "O dono do imóvel está tentando impor preços e o comprador não está aceitando, diz.
A percepção dos empresários do setor é que os negócios devem continuar pressionados, já que a oferta de usados tende a crescer até o fim de 2013. Alguns apartamentos usados que ainda vão a mercado estão hoje nas mãos de pessoas que vão usá-los para honrar o pagamento dos imóveis novos. Este ano e o próximo serão o pico de entregas dos imóveis novos que foram lançados há dois, três anos.
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