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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Pesquisa Ipead: Construção cai pelo 2º ano consecutivo

Vendas do setor caíram 26% somente nos dois primeiros meses de 2012

O segmento da construção civil teve em 2012 o segundo ano consecutivo de queda nas vendas acumuladas do primeiro bimestre. Nos dois primeiros meses deste ano, em comparação a igual período de 2010, a quantidade de imóveis comercializados caiu 26,5%, segundo levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead).
Alguns especialistas caracterizam o momento como um “amadurecimento”. No entanto, afirmam que é necessário que as empresas revejam as estratégias. Do contrário, os resultados podem ser puxados ainda mais para baixo. “Os investimentos e os planejamentos devem ser compatíveis ao cenário econômico”, afirma o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Luiz Fernando Pires. Entre os reflexos da queda na demanda, ele cita a redução na quantidade de imóveis lançados.

A construtora Mascarenhas Barbosa Roscoe, cujo proprietário é o presidente do Sinduscon-MG, é uma das empresas que confirmaram rever os lançamentos de 2012. No entanto, ele não informou os números da redução.

Pires, que também é proprietário da ETS, empresa de locação de máquinas, afirma que o mesmo aconteceu com o setor de aluguel de equipamentos, um dos termômetros da construção civil. “Se antes alugava 100 máquinas, atualmente alugo 70”, diz.

A Construtora Lider foi outra empresa que admitiu rever os lançamentos. Porém, a decisão chegou após a construtora entrar com pedido de recuperação judicial, já deferido pelo juiz Sálvio Chaves, titular da 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte. O passivo da companhia junto a credores soma R$ 67 milhões.

“Antes, as unidades eram quase todas vendidas no lançamento. Hoje, prevemos comercializar 30% na inauguração e o restante com esforço de pessoal”, comenta Rodrigo Guaracy, diretor da Mobyra Incorporações.


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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Estadão: Preços caem e vendas despencam, segundo Creci-SP

O preço médio dos imóveis residenciais usados no Estado de São Paulo registrou queda de 5,2% em um único mês (em janeiro ante dezembro), de acordo com pesquisa divulgada segunda-feira (23) pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP).

A queda foi revelada pelo Índice Creci-SP, que é composto pela média de preços de imóveis vendidos e de novos aluguéis contratados. Em janeiro, foram considerados preços de venda e de locação de 4.071 imóveis pesquisados em 37 municípios paulistas, incluindo a capital.

O recuo mensal no preço de imóveis usados em janeiro não foi o primeiro, pois em setembro do ano passado houve baixa de 4,36%, fato que deixou em alerta o mercado.

Vendas e locação
O número de imóveis residenciais usados vendidos no Estado de São Paulo caiu 18,37% somente em janeiro, segundo pesquisa do Creci-SP.

As 1.441 imobiliárias pesquisadas pelo Creci-SP também registraram aumento de 16,48% no número de inquilinos com pagamento do aluguel atrasado. Os inadimplentes eram 3,52% do total de contratos em vigor em dezembro e passaram a 4,10% em janeiro. 


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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Construtoras impedem lei que coíbe atraso nas obras

Proposta em tramitação na Câmara Municipal de Belo Horizonte prevê que as construtoras só recebam alvará após baixa nas obras em andamento.

O projeto de lei 1576, que impede a construção de novas edificações pelas construtoras com obras em atraso, não saiu do papel e completou um ano de tramitação na Câmara Municipal de Belo Horizonte. O principal motivo para a demora, segundo alguns vereadores, seria o lobby exercido por empresários e entidades do setor para impedir que o texto seja aprovado em segundo turno na Casa.

O PL condiciona a liberação de alvarás para novos empreendimentos à apresentação do Certificado de Baixa de Construção e Habite-se. O período máximo para atraso na entrega de imóveis passaria a ser de apenas 30 dias.

O texto foi apresentado no dia 22 de fevereiro do ano passado. Em outubro de 2011, após várias audiências públicas e pelo menos dez emendas, o PL foi aprovado em primeiro turno. A promessa na época era de votação em segundo turno antes do recesso da Câmara em dezembro. Porém, seis meses após a primeira votação, ainda não há data definida para que o texto passe por apreciação de vereadores novamente.

“Estamos sofrendo uma pressão muito forte do setor imobiliário. Por isso, os vereadores têm deixado os prazos designados para dar os pareceres referentes ao projeto expirarem”, afirma o presidente da Câmara. 

O histórico do PL mostra que, após cada emenda , os pareceres das comissões da Casa demoraram bastante tempo para serem feitos. Em alguns casos, houve até a perda de prazo, atrasando ainda mais o processo.

O relator Joel Moreira Filho acredita que o projeto esteja com a votação travada por ser polêmico. “Estamos lidando com interesses conflitantes. As construtoras alegam que falta mão de obra no mercado, o que impede a entrega no prazo. Já o consumidor tem o direito de receber o bem comprado na data prometida”, afirma.

Deboche e desrespeito
O presidente da Câmara da Indústria da Construção Civil da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Teodomiro Diniz, considera o projeto “um lixo” e “inexequível”. “Estamos tentando mostrar aos vereadores que essa não é a melhor solução para o problema dos atrasos. O projeto vai prejudicar muito as construtoras e travar o desenvolvimento do setor”, afirma.

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quinta-feira, 19 de abril de 2012

Efeito Bolha: Começou a onda de falências na construção

Com dívidas de R$ 67,5 milhões, a mais tradicional e conceituada construtora mineira entrou com processo de recuperação judicial e prepara plano de ação

A Construtora Lider, a mais tradicional e conceituada empresa de construção de Minas Gerais (e parceira de primeira hora da Cyrela), é mais uma vítma da bolha imobiliária: sua dívida é de R$ 67,5 milhões junto a bancos e fornecedores. A afirmação é do advogado José Murilo Procópio de Carvalho, que representa a empresa no processo de recuperação judicial impetrado na segunda-feira.

A construtora, que teve pedido de recuperação judicial deferido no final da tarde de segunda-feira pelo juiz Sálvio Chaves, titular da 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, tem 60 dias para apresentar um plano de ação. Até lá, estão suspensas todas as ações e execuções contra a Lider, com exceção das trabalhistas e fiscais. “Não temos dívidas trabalhistas”, garante o advogado.

O maior credor da Lider é a Construtora Liderança, do mesmo grupo, que tem créditos de R$ 28,14 milhões a receber. O restante da dívida é pulverizado entre fornecedores de materiais de construção e instituições financeiras. Somente com o banco Daycoval, o passivo chega a R$ 4,8 milhões. Banco Votorantim, HSBC, Bicbanco e Banco Mercantil completam a lista.

Embora a Lider afirme que os empreendimentos já iniciados não serão afetados, o consultor em desenvolvimento hoteleiro Maarten Van Sluys comenta que o pedido de recuperação judicial pode mudar os rumos da companhia na área hoteleira.

A construtora é responsável pelo Ramada Minascasa Hotel, localizado no bairro Ipiranga, região Nordeste de Belo Horizonte. A obra está em fase de fundação.

“O investidor mineiro é desconfiado e deve se desviar dos negócios da Lider”, comentou. De acordo com ele, os investidores reduziram o apetite pelas unidades da construtora no último mês, informação não confirmada pela companhia. Para o futuro, a expectativa de Van Sluys é de que haja nova redução na comercialização de unidades.

Abrindo o jogo
Para a presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Minas Gerais (ABIH-MG), Rafaela Fagundes, a forte redução no ritmo de vendas dos quartos de hotéis não é exclusividade do Ramada. “Houve queda no ritmo em todos os empreendimentos”, comenta. O motivo, segundo ela, seria a desaceleração do setor imobiliário.

"Tapando o sol com a peneira"
Na avaliação do presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário em Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Ariano Cavalcanti de Paula, a situação vivenciada pela Lider é pontual. “O setor atravessa um momento de acomodação, mas não há sinal de bolha”, diz. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil em Minas Gerais (Sinduscon-MG), Luiz Fernando Pires, concorda. “O ritmo está menos acelerado, não há previsão de queda. O momento, no entanto, é de reestruturação do setor”, comenta. A principal mudança, segundo ele, será no ritmo do fluxo de caixa.


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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Exame: Brasil vive Bolha Imobiliária

Professores da FGV afirmam que aluguéis frearão alta nos preços e que imóveis são maus investimentos atualmente.

Imóveis são atualmente péssimos investimentos, e o Brasil está assistindo à formação de uma bolha imobiliária. Estas são as afirmativas de dois dos mais respeitados e conceituados professores da FGV-SP. "Eu continuo achando que é uma bolha. Só não dá para saber quando ela vai estourar", diz William Eid Júnior, coordenador do Centro de Estudos e Finanças da FGV, e que sustenta essa posição há mais de um ano. Essa também é a opinião do professor Samy Dana, da Escola de Economia: "Atualmente, o retorno que os imóveis apresentam está muito inferior ao risco", diz.

De abril de 2011 a janeiro de 2012, o Índice FipeZap apresentou um longo ciclo de desaceleração nas altas dos preços.

Na opinião dos dois professores da FGV, os imóveis residenciais estão muito caros, principalmente nas grandes cidades como Rio e São Paulo. O retorno que eles podem dar em aluguéis, portanto, não seria satisfatório, ficando abaixo ou igualado ao retorno da poupança ou mesmo do CDI.

Os preços dos aluguéis esbarram na barreira da renda da população, não podendo subir acima do que as pessoas podem pagar. "Fala-se em déficit habitacional. Sim, mas só porque existe escassez de alimentos, por exemplo, não quer dizer que o preço da comida pode subir infinitamente", compara Samy Dana.

Ele explica que, quando o valor do imóvel e o valor dos aluguéis se distanciam demais significa que o imóvel está caro como investimento. Por meio dos dados do Índice FipeZap, o professor mostra que a alta dos aluguéis não vem acompanhando a alta do preço dos imóveis, o que está tornando a taxa de retorno do investimento cada vez menos atrativa. Desde janeiro de 2008, o preço de venda dos imóveis no Brasil elevou-se 129,5%, enquanto que os aluguéis tiveram alta de apenas 68,4%. A perda do aluguel frente aos preços foi, portanto, de 61,1%.

"Imóvel é um péssimo investimento agora. Nitidamente o preço está lá em cima. Comprar um imóvel para investir agora equivaleria a comprar na alta", diz William Eid. A conta do aluguel é a seguinte: para um investimento em um imóvel residencial ser mais rentável que a poupança, o retorno deve ser maior que o 0,5% ao mês mais TR que a caderneta paga. Lembrando que o rendimento com aluguel é somado à renda tributável do investidor e que a caderneta de poupança é isenta de IR. "Para um imóvel residencial, considerando o risco, o retorno teria que ser de, no mínimo, 0,7% ou 0,8% ao mês", diz Eid.

Ninguém aguenta pagar aluguel nesses níveis. De acordo com o Censo 2010, a renda mensal média de um brasileiro em idade economicamente ativa é de cerca de 1.200 reais - 2.400 reais.

Assim, os aluguéis não poderão mais se elevar, puxando os preços dos imóveis para baixo.

Alerta aos "investidores"
O professor Samy Dana lembra que quem investe em imóveis costuma argumentar que se os ganhos não vêm pelo aluguel, virão pela valorização do bem em si. Na opinião dele, porém, esse é o lado mais arriscado do investimento em imóveis, contrastando com a ilusão de segurança que os brasileiros geralmente têm ao saber que estão aplicando o dinheiro em um ativo físico. "Esse pensamento da valorização é o pensamento da bolha, em que as pessoas sempre pensam que o ativo pode valorizar mais, mesmo após uma alta estrondosa", diz Dana.

O professor desaconselha completamente o investimento em imóveis no atual momento. Ele exemplifica da seguinte forma: se o investidor compra um imóvel de 1.000.000 de reais - o que nos patamares de hoje não necessariamente é um imóvel de alto padrão - e o aluga por 5.000 reais mensais, seu retorno é de 0,5% ao mês. "É o mesmo retorno da poupança, mas com muito mais risco", observa.

Ambos os professores, que possuem imóveis próprios, acreditam que o momento pode ser bom para o investidor vender. Para quem quiser colocar um plano em prática, ele recomenda investir o dinheiro resultante da venda no Tesouro Direto. "Com o retorno do investimento é possível alugar um imóvel até melhor que o que foi vendido", diz o professor.

Contudo, para Dana, a compra de um imóvel próprio não deve ser encarada como investimento, mas sim como a realização de um sonho de consumo legítimo. "Isso passa também pela questão emocional. Se o sonho da pessoa é ter uma casa própria, tudo bem", diz.

         http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/imoveis/noticias/brasil-vive-bolha-imobiliaria-dizem-professores-da-fgv

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Vídeo: Golpe da PDG é denunciado em rede nacional

O "efeito dominó" do estouro da bolha imobiliária brasileira parece não ter fim. Agora, mais uma gigante da construção é desmascarada em rede nacional, expondo a farsa do "crescimento infinito". Desta vez foi a PDG, que vendeu um empreendimento em 2009, com a entrega prevista para maio de 2012 e, pasmem, faltando apenas um mês para a entrega, a obra não possui sequer um tijolo, é mato puro! No site a empresa afirma que 70% da fundação está pronta. E o pior: a "obra fantasma", segundo a prefeitura de Campinas, é ilegal, pois não possui autorização, e será embargada. Ainda assim, a construtora continua oferecendo o mesmo empreendimento em anúncios e nos estandes de venda, afirmando estar tudo ok. Porém, uma equipe do programa CQC, da TV Bandeirantes, esteve no local do empreendimento e no estande de vendas e gravou todo o esquema. Vale a pena ver e se indignar...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Revista Veja: O fim do sonho dourado da construção

O sonho dourado do setor de construção começou a perder o seu brilho reluzente. Isso ficou evidente na semana passada, quando a Gafisa - maior construtora do país no ramo residencial - revelou que, depois de três anos de bonança, teve prejuízo de 1,1 bilhão de reais em 2011.

As causas do tropeço gigantesco são típicas de quem ficou eufórico com a demanda do mercado e com a entrada na bolsa de valores. No ano passado, a construtora reviu todas as suas obras e descobriu que teria que investir mais 440 milhões para concluí-las, além de gastar mais 240 milhões em multas por contratos desfeitos, projetos cancelados e atrasos na entrega de imóveis.

Mas a crise no setor de construção não atingiu somente a Gafisa. Outros gigantes do setor viram seu resultado financeiro piorar. Em 2011 os lucros despencaram para a Tecnisa, Cyrela, PDG, Brookfield e Even. Além disso, a MRV aumentou seu endividamento em 63%.

Porém, o problema não vem de agora. Desde 2008, as queixas registradas contra as construtoras  nos Procons triplicaram: foram 9584 só no ano passado.

Dois exemplos mostram a precariedade do setor: os futuros moradores do Spazio Redentore, da MRV, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, aguardam a entrega do imóvel desde abril de 2010. Já os moradores do condomínio  Prímola, na zona oeste de São Paulo, receberam os imóveis de quase 1 milhão de reais da Gafisa sem ligação definitiva com a rede de esgoto, e durante nove meses encheram suas caixas d'água com caminhões pipa e mandaram seus dejetos para uma fossa séptica.

(Revista Veja - edição 2264 - ano 45 - nº 15 - 11 de abril de 2012 - páginas 76 e 77)

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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Estadão: Credit Suisse rebaixa mercado imobiliário brasileiro

O Credit Suisse Group recomenda cautela para investir no mercado imobiliário brasileiro. "A falta de visibilidade sobre as finanças leva a uma visão cautelosa sobre o setor", escreveram analistas do Credit Suisse em uma nota a clientes.

"Nós esperamos turbulência no curto prazo em razão de revisões nos lucros e geração de caixa decepcionante no primeiro semestre de 2012", disseram.

O Credit Suisse cortou a recomendação para as ações da Rossi Residencial, Brookfield Incorporações e Tecnisa de "outperform" para "neutra".

"Estamos rebaixando Brookfield e Rossi em razão do fraco ano até agora no desempenho (das ações) sem qualquer mudança nos fundamentos, fracos resultados no quarto trimestre e fraco ritmo de ganhos somados com a baixa visibilidade sobre melhora na margem e geração de caixa", afirmou o banco.

"Sobre a Tecnisa, apesar de favorecer os potenciais ganhos no longo prazo que devem surgir do projeto da Telefônica, nós estamos rebaixando para 'neutra' em razão da correção nas margens de curto prazo da Tecnisa depois do aumento do custo". As informações são da Dow Jones.


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terça-feira, 3 de abril de 2012

Resultados ruins, ações em queda e prejuízos bilionários

A Gafisa, quinta maior construtora residencial do país em receita, registrou a maior queda de suas ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em mais de três anos, após relatar prejuízo anual de R$ 1,093 bilhão, causado por cancelamentos de compras e provisões. Na esteira dos resultados ruins, divulgados no domingo, o setor de construção foi destaque de baixa na Bovespa, num dia em que o Ibovespa subiu 1,09%. As ações ordinárias (ON, com voto) da Gafisa caíram 4,19%, a R$ 4,12. Os papéis chegaram a cair 8,6%, para R$ 3,93, o menor nível em um pregão desde dezembro de 2008.

A empresa teve prejuízo de R$ 1,093 bilhão em 2011, após um lucro líquido de R$ 416 milhões no ano anterior. A Gafisa apresentou números preliminares não auditados, justificando que, após realizar "profunda análise dos impactos econômicos das mudanças estratégicas adotadas e da revisão orçamentária requerida (...), os auditores vão necessitar de tempo adicional para completar seus trabalhos". Os dados consolidados devem ser divulgados até dia 9.

O resultado foi afetado por ajustes de R$ 889,5 milhões, incluindo revisão de custos, provisões e cancelamentos - 69% na Tenda (unidade para baixa renda) e 31% na Gafisa. No quarto trimestre, a Gafisa reajustou o orçamento de custos de construção no valor de R$ 587 milhões, 6% da base original de custos totais. Com isso, o impacto nos resultados foi de R$ 440,9 milhões.
 
Os números "refletem a contínua deterioração" dos resultados da companhia, já que "grande parte dos ajustes foram deixados para o fim do ano", escreveram os analistas Guilherme Rocha, Daniel Gasparete e Vanessa Quiroga, do Credit Suisse Group AG, em relatório a clientes. "Com nível recorde de endividamento e com cenário futuro que não está claro, continuamos a recomendar cautela."

Segundo Luis Gustavo Pereira, estrategista da corretora Futura, os resultados das construtoras no quarto trimestre de 2011 já vinham decepcionando investidores. Por isso, os dados de ontem influenciam o mercado como um todo. A concorrente MRV ON perdeu 4,25% (R$ 12,40), maior baixa do Ibovespa. Também caíram Rossi ON (2,23%, a R$ 9,64), PDG ON (2,06%, a R$ 6,18) e Brokfield ON (1,37%, a R$ 5,75).

- O resultado da Gafisa serve de motivo para vender ações do setor - disse Pereira.

Uma das medidas adotadas para arrecadar fundos foi a venda de direitos creditórios de algumas das unidades já vendidas. A prática, normal no setor quando o imóvel está pronto, chegou a ser feita em empreendimentos não entregues, como o Quintas do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes. Segundo fontes, é estranho que isso seja o feito com imóveis em construção.

- O mais provável é que eles estejam tentando arrecadar dinheiro para finalizar as obras. Mas se essas obras tiverem sido financiadas por agentes financeiros, é bem preocupante. Se está vendendo seus recebíveis, como a construtora vai pagar o financiamento ao agente bancário depois? - indaga um analista.

A desculpa de sempre
O Quintas do Pontal é uma das obras que a Gafisa tem dificuldade para finalizar. Algumas das 70 casas vendidas não começaram a ser construídas. Em nota recente, o grupo informou que concentrava esforços na entrega de unidades. E que um grande volume, que incluía o empreendimento, deveria ser entregue no primeiro semestre. A nota diz que o atraso deveu-se a problemas do setor, como falta de mão de obra e chuva além da média.

(O Globo - Rio de Janeiro/RJ - PRIMEIRO CADERNO - P. 23 - 03/04/2012)

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