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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Denúncia: Aumenta o trabalho escravo na construção

Dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) mostram que casos de trabalhadores da construção civil flagrados em situação análoga à de escravidão vêm crescendo de “forma preocupante” no estado de São Paulo. Apenas em 2012, nas operações que contaram com atuação do MPT, 140 pessoas foram encontradas nessa situação.

“Na construção civil, certamente, a cada ano está ficando pior. Não existiam situações no passado, era quase inimaginável. Agora, está se tornando permanente, comum. Isso nos preocupa demais”, diz o procurador da Coordenadoria Nacional de Erradicação de Trabalho Escravo do MPT, Rafael de Araújo Gomes.

Em abril, o Ministério do Trabalho e Emprego e o MPT em Bauru (SP) constataram que a construtora Croma mantinha 50 trabalhadores em situação análoga à escravidão em obras de um conjunto habitacional na cidade de Bofete (SP). A empresa foi contratada pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).

Procurada, a construtora Croma disse que concordou em assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPT para quitar os débitos trabalhistas com os 50 funcionários. A empresa se comprometeu também a pagar todos os salários atrasados aos empregados, assim como indenizações individuais no valor de R$ 500 para cada migrante encontrado em situação irregular.

Em maio, fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) flagraram 90 trabalhadores em situação análoga à de escravidão em uma obra do Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, no município de Fernandópolis (SP). A empresa Geccom, responsável pelo empreendimento, foi autuada por diversas irregularidades, como jornada de trabalho até 15 horas, emprego de trabalhadores sem registro em carteira, alojamentos em situação precária e falta de equipamentos de segurança.

A empresa providenciou a rescisão de contrato dos empregados, pagou as verbas indenizatórias e os salários devidos. O advogado da Geccom, Shindy Teraoka, disse que a empresa irá comprovar ao MTE que os trabalhadores não estavam em condição análoga à escravidão e que já acertou todos os débitos com os empregados.

De acordo com o procurador Gomes, com a “explosão” do crédito imobiliário, especialmente devido a programas do governo federal como o Minha Casa, Minha Vida, algumas construtoras buscam firmar o maior número de contratos possível, sem ter condições de realizar as obras.

[As empresas não sabem] como vão contratar, qualificar e dar andamento a essas obras. Se vão ter funcionários suficientes ou não. Aparentemente está ocorrendo isso. Uma ganância de fechar a maior parte de contratos, assegurar os recursos e só depois se preocupam se vão conseguir entregar o imóvel. E não conseguem”, destaca.

Segundo o MPT, no ano passado, em todo o país, foram resgatados 2.428 trabalhadores em situação análoga à escravidão. Até março deste ano, os fiscais resgataram 339 trabalhadores. O coordenador da Campanha Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, vinculado ao Ministério Público do Trabalho, frei Xavier Plassat, estima que, no país, haja de 20 mil a 50 mil pessoas exercendo atividades em condições análogas à escravidão.


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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Exame: A inevitável queda dos preços dos imóveis

No mercado imobiliário brasileiro não se fala em outra coisa. Os preços já não sobem mais. Incorporadoras vendem imóveis com descontos que ultrapassam os 30%, e vendedores de usados já não sentem mais facilidade de passar seu bem adiante.

Mas afinal, os preços chegaram ao topo? Ainda há espaço para mais valorização? Ou a tendência agora é que os preços se acomodem - ou até caiam? Para quem tem um imóvel que se beneficiou da alta valorização nos últimos anos, está na hora de vender e realizar o lucro? "Eu vejo uma estabilidade, com viés de baixa. Vai ocorrer uma reformatação do mercado, com reposicionamento das construtoras com margens consideradas razoáveis", diz o professor João da Rocha Lima Junior, coordenador do núcleo de Real Estate da Poli-USP.

Para ele, a demanda especulativa percebida no mercado anteriormente já não existe mais, o que freia a valorização

"Um freio de demanda gera descontos e joga os preços para baixo", completa o professor.

Já há alguns sinais de desaceleração no mercado imobiliário brasileiro. O Índice FipeZap, que acompanha os preços dos imóveis em sete capitais brasileiras, já vem mostrando retração de preços em algumas cidades e, no mês de abril, seu relatório reafirmava a tendência de desaceleração de preços iniciada em abril de 2011.

Há ainda outros fatores que podem contribuir para a desaceleração e posterior queda de preços. O primeiro trimestre do ano já revelou queda no número de unidades financiadas (em relação ao mesmo período do ano passado) e da velocidade de vendas (em relação aos anos anteriores).

A isso se alia o passo atrás dado pelas incorporadoras que sofreram em seus balanços e na Bolsa, principalmente por conta do descasamento entre o número de imóveis lançados e sua capacidade de entrega - o que também gerou os atrasos na entrega dos imóveis e uma porção de ações na Justiça ao longo de 2011. Agora, as construtoras tentam reajustar seus processos internos para se recuperar.

O economista Luiz Calado se diz pessimista em relação ao mercado daqui para frente quando se refere a quem deseja ganhar com a valorização. "Não acredito que essa trajetória de alta continue, a não ser que estejamos entrando em uma bolha. Temos evidências de desaquecimento e até de quedas de preço. Essa coisa das construtoras venderem imóveis com desconto, não existe isso. Ninguém vende uma cota de um fundo ‘com desconto'. Foi o preço do imóvel que caiu mesmo", observa.

Alex Strotbek, consultor imobiliário da Areal Pires Advogados, também crê que uma estabilização já é visível. É claro que agora já está mais difícil vender, e o endividamento das famílias cresceu muito nos últimos anos - de 27% da renda em 2007 para os atuais 44%. As decisões de compra estão mais ponderadas agora que o preço do metro quadrado está mais alto.

Segundo o vice-presidente do IBEF, Luiz Calado,  "Essa estagnação com queda de preços ainda vai se manter por algum tempo. O PIB do país está se retraindo há meses, e a crise internacional continua. Se esse cenário se consolidar, e o preço dos imóveis começar a cair, será possível aplicar em um investimento atrelado à inflação e usar a renda para pagar aluguel", explica Calado.

"Nós tivemos um excesso de preços em 2010 e 2011, com altas acima do razoável. Havia um excesso de demanda no mercado, até um pouco artificial, forçada por alguma especulação. As construtoras de capital aberto agiram de forma agressiva, e havia muito capital estrangeiro chegando ao mercado brasileiro", explica João da Rocha Lima Junior, do núcleo de Real Estate da Poli-USP.

 (Portal Exame - São Paulo/SP - SEU DINHEIRO - 26/05/2012)

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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Valor: Divulgação de descontos incomoda setor de construção

A LPS Consultoria de Imóveis (imobiliária Lopes), uma das maiores do país,  fará, de amanhã (26/05)  até 3 de junho, campanha promocional, em parceria com cerca de dez incorporadoras, conforme o Valor apurou. O principal atrativo da campanha será a concessão de descontos de imóveis pelas empresas participantes. Entre as incorporadoras de capital aberto que integram a ação estão a PDG Realty, a Rossi Residencial e a Even e, entre as empresas fechadas, a Plano&Plano e a you, inc.

A campanha abrange, principalmente, estoques de lançamentos de empreendimentos localizados em São Paulo, na região do ABCD e no litoral do Estado, com oferta de unidades dos segmentos residencial, comercial e de loteamentos.


Os eufemismos de sempre
Conforme a fonte, a iniciativa de reunir várias incorporadoras para uma campanha conjunta teria partido da própria Lopes, com o objetivo de acelerar a velocidade de vendas dos estoques. Nos primeiros meses de 2012, a maioria das incorporadoras de capital aberto deixou clara a prioridade de venda de estoques em relação a realizar lançamentos.

A Plano&Plano foi uma das incorporadoras que aderiram à campanha, na busca de mais liquidez para a venda de imóveis remanescentes dos lançamentos, ou seja, mais velocidade na comercialização.

A you, inc participa da promoção com quatro empreendimentos. Procurada pela Lopes, a you decidiu participar da campanha para estimular vendas adicionais de seus produtos.

A PDG participa da campanha, mas diz que não vai conceder descontos na venda de imóveis. Até o fechamento desta edição, os respectivos porta-vozes da Even e da Rossi não foram localizados para comentar o assunto. (CQ)

Silêncio estranho
Procurada pela reportagem, a Lopes informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não iria comentar o assunto.

(Valor Econômico - São Paulo/SP - EMPRESAS - P. B10 - 25/05/2012)

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quarta-feira, 23 de maio de 2012

O Globo: Preços dos imóveis despencam no Rio

Depois da disparada de preços, um mercado menos aquecido está provocando estabilização e, no caso dos imóveis residenciais usados, queda nos valores de venda no Rio. Especialmente na Zona Sul, afirma Rubem Vasconcelos, presidente da imobiliária Patrimóvel:

- Na Zona Sul, os preços dos usados não estavam se sustentando, e a velocidade de vendas caiu. Os proprietários começam, portanto, a aceitar propostas e conceder descontos. Eu acredito que os valores dos imóveis vão sofrer uma queda de 25% a 30% ao longo de 2012 - destaca Vasconcelos.

No segmento de lançamentos imobiliários já não há mais espaço para aumentos.

Fato é que, depois de três anos ladeira acima, a alta de preços dos imóveis, o mercado está em queda.

Foi em outubro passado que o designer Márcio de Souza colocou à venda seu apartamento de dois quartos, num predinho antigo do Jardim Botânico. O preço? R$ 900 mil, conforme avaliação da imobiliária. Passados seis meses, não fez negócio. Mês passado, o proprietário chamou a mesma imobiliária para fazer nova avaliação. E o valor do imóvel, contrariando as expectativas, foi fixado em R$ 670 mil (e ainda não vendeu).

Mesmo na Tijuca, onde desde a pacificação das favelas há uma corrida pelas novas unidades, o ritmo de vendas é mais lento. A administradora de empresas Márcia Monteiro, moradora do bairro, percebeu que já não há um frenesi: em 2010, ela decidiu conhecer um apartamento que seria lançado, com ampla infraestrutura de lazer. Mas a construtora nem chegou a montar estande de vendas: tudo foi negociado antes. Agora, a mesma empresa lançou um novo condomínio perto do anterior. Desta vez, porém, Márcia recebeu telefonemas de corretores, com convite para conhecer o projeto.

- Construíram estande de vendas, fizeram evento de lançamento. Percebi que há um esforço de vendas que não foi necessário dois anos atrás.


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segunda-feira, 21 de maio de 2012

O Globo: Em crise, construção admite queda dos preços

A perda de valor de mercado das construtoras na Bolsa de Valores vai forçar a queda nos preços dos imóveis em "estoque", isto é, unidades que já estão prontas, mas ainda não foram vendidas.

Como a velocidade de vendas no setor imobiliário vem despencando, as companhias terão que reduzir os valores para compor o capital de giro, admitem fontes do mercado imobiliário.

- Pode haver queda de preços de imóveis em estoque para apresentar resultados mais rápidos aos acionistas, afirma, com cuidado, o presidente da construtora Calçada, João Paulo Matos.

Descontos de 20%, dispensa da entrada, registro grátis, bônus e subsídios já são algumas das estratégias para atrair o consumidor e reduzir os estoques acumulados nos últimos meses.

As construtoras, inclusive, começaram 2012 controlando o ritmo de lançamentos para não "inundar" o mercado com tantos imóveis. Caiu 37% o total de lançamentos no mercado carioca no 1 trimestre de 2012, segundo a Ademi-RJ.


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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Valor: Construção cai em bloco e arrasta Ibovespa

Não bastasse a preocupação com o cenário externo, o investidor que atua no mercado brasileiro ficou ainda mais nervoso ontem (16/05) ao digerir os balanços do primeiro trimestre, especialmente do setor de construção.

"Os balanços do primeiro trimestre estão vindo mais fracos do que se esperava. E a sinalização dada pelas empresas não é de melhora no curto prazo. "Essa é a maior decepção em relação aos resultados até agora", resume a estrategista da Ativa Corretora, Mônica Araújo. "As previsões de lucro para 2012 deverão ser revistas para baixo. Mas vamos esperar para ver como será o desempenho das companhias no segundo trimestre".

Depois de titubear entre os terrenos positivo e negativo nas primeiras horas do pregão de ontem, refletindo o clima de incerteza no mercado externo, a bolsa brasileira consolidou sua tendência de baixa à tarde. O setor de construção ruiu pelo segundo dia seguido.

O Ibovespa fechou em baixa de 2,26%, aos 56.237 pontos, com volume financeiro forte, de R$ 7,917 bilhões.

A lista de maiores baixas trouxe as construtoras em massa: MRV ON (-15,04%, a R$ 9,43); PDG Realty ON (-9,82%, a R$ 3,67); Rossi ON (-7,88%, a R$ 5,96); Gafisa ON (-7,08%, a R$ 3,41); e Brookfield ON (-5,98%, a R$ 3,93). A safra de balanços do setor veio recheada de prejuízos, com aumento de custos e vendas mais fracas. MRV trouxe lucro 24% menor, para R$ 116 milhões, enquanto PDG lucrou R$ 32,4 milhões, 85,8% a menos do que no primeiro trimestre de 2012. A menor queda foi da Cyrela, que caiu apenas 0,83%, para R$ 14,20.

 (Valor Econômico - São Paulo/SP - FINANÇAS - P. C2 - 16/05/2012)

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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Veja: Lucro da Brookfield despenca 93,9%

A incorporadora Brookfield registrou, no primeiro trimestre deste ano, queda de 93,9% no lucro líquido, em relação ao mesmo período do ano passado. A geração de caixa, medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), recuou 46,7%. A margem Ebitda ficou em 14,2%, queda de 10,4 pontos porcentuais. A receita líquida caiu 8% no primeiro trimestre.

Segundo o relatório de administração que acompanha o balanço da Brookfield, a queda do lucro líquido é devida à retração do resultado bruto e ao aumento das despesas gerais e administrativas. A empresa informou que os custos adicionais de alguns projetos chegaram a R$ 21,4 milhões no primeiro trimestre. A margem bruta recuou 5,1 pontos porcentuais no período.

O resultado financeiro líquido registrou perdas de R$ 29,2 milhões ante perdas de R$ 49,4 milhões do mesmo período de 2011.


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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Folha: Com estoques lotados, construtoras reduzem lançamentos


Estoque de unidades novas é 50% maior no fim do 1º trimestre

O número de lançamentos de imóveis residenciais na cidade de São Paulo foi cerca de 30% menor no primeiro trimestre em relação a igual período de 2011.

O resultado confirma a desaceleração do mercado imobiliário paulistano observada no ano passado.

Esse cenário indica que as construtoras começaram 2012 controlando o ritmo de lançamentos para não "inundar" o mercado.

A desculpa de sempre
De acordo com o Secovi, os resultados indicam que o mercado passa por uma acomodação entre volume de lançamentos e de vendas.
 
Nesse cenário de busca de maior equilíbrio entre oferta e demanda, afirma o sindicato, os preços dos imóveis devem subir menos do que em anos anteriores.

Em queda
Na região metropolitana de São Paulo, a queda do número de lançamentos no trimestre foi maior que na capital: 38%. Em relação ao número de residências comercializadas, foram 5% menos. 

(Folha de S. Paulo - São Paulo/SP - MERCADO - P. B1 - 09/05/2012)

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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Exame: Índice de preços anunciados tem nova desaceleração

O Índice FipeZap, que mede a evolução do preço dos imóveis brasileiros, mostrou nova retração. De acordo com o estudo divulgado mensalmente, “a tendência de desaceleração observada nos últimos meses acentuou-se em abril”. Essa fase de desaceleração começou em abril de 2011.

É a segunda redução na valorização neste ano. Houve desvalorização no preço dos imóveis em Salvador (-0,6%), e em São Paulo a desaceleração foi a maior para o mês de abril em toda a série histórica, iniciada em 2008.

Lembrando que o índice tem como base os valores anunciados, sendo que no momento da negociação os valores vêm apresentando quedas ainda maiores, onde alguns descontos já superam a casa dos 36%. (conforme já informado pelo blog)


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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Estadão: Queda dos juros só é boa para as construtoras

O crescimento do crédito imobiliário e os juros menores tornaram, num primeiro momento, mais fácil a compra um imóvel. Como contrapartida, os preços explodiram, fato que, para muitos especialistas, confirma a existência de uma bolha imobiliária. Nesse cenário, o consumidor menos informado aceitou assumir dívidas de prazos maiores para conseguir encaixar no orçamento, e relizar o justo sonho da casa própria. Contudo, linhas de crédito "a perder de vista" são uma armadilha.

Na Caixa Econômica Federal, que acabou de reduzir o juro do crédito habitacional, o prazo médio dos financiamentos pulou de 18,3 anos para 25,3 anos de 2002 até este ano.

Na ponta do lápis, mais parcelas a pagar não são sinônimo de bom negócio. A simulação a seguir mostra o porquê. Um imóvel de R$ 500 mil, com entrada de R$ 100 mil, juro anual de 9% e financiado em 20, 25 ou 30 anos. Entre o menor e o maior prazo, a diferença das prestações é de R$ 555 (R$ 3.994 e R$ 4.549, respectivamente). É um valor que decidirá se você assumirá (ou não) uma dívida por 10 anos a mais.

"O consumidor opta por um prazo maior porque tem uma prestação menor e uma folga maior na renda", diz Rezende. A recomendação, contudo, é optar pelo menor prazo possível na hora de fechar um crédito imobiliário. Além de reduzir o gasto com o pagamento de juro, o comprador ainda terá uma margem de manobra para negociar com o banco, caso precise reduzir o valor da parcela no futuro. Essa escolha, porém, deve sempre respeitar o limite máximo de 30% para comprometimento da renda com o financiamento.

Roy Martelanc, economista e professor da FEA-USP, afirma que o consumidor deve evitar a prática de apenas checar se a prestação cabe no bolso e passar a olhar para o prazo. "Não recomendo (o financiamento imobiliário de longo prazo), são anos de vida que você está pagando. Se possível, financie em menos tempo ou compre um imóvel menor", afirma.

Comparação preocupante
Para Eduardo Zylberstajn, economista da Fipe e coordenador do índice FipeZap, que mede o valor de apartamentos, "o Brasil está chegando hoje ao mesmo nível de nações desenvolvidas, como os Estados Unidos, onde o financiamento da moradia é uma dívida para o resto da vida". Lembrando que os EUA foram responsáveis pela mais recente e traumática Bolha Imobiliária da economia mundial, levando milhares de famílias e instituições financeiras à falência completa.

Sinal de alerta
O salto do preço dos imóveis já afeta também os consumidores mais endinheirados. Na Idea!Zarvos, empreiteira de imóveis de alto padrão, clientes que antes pagavam o imóvel à vista hoje optam pelo financiamento, conta o presidente da empresa, Otávio Zarvos. "Mas são prazos menores, de até 10 anos", ressalta.


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