Neste último post do ano, apresentamos um texto (na verdade um desabafo) do Doutor em economia, Adolfo Sachsida, que desde 2008 vem alertando o mercado para a Bolha Imobiliária. Segundo o autor, o tema se tornou um "assunto de risco", tanto para a imprensa (pois envolve a constante ameaça de perda dos anunciantes do setor), bem como para quem tem a coragem de abordá-lo (segundo Sachsida, desde que passou a falar do assunto seus trabalhos de pesquisa vêm sendo desqualificados, e ele passou a ser tratado como "bandido" pela mídia).
A leitura deste texto, escrito por um especialista, nos dá a devida dimensão do problema, bem como reforça o trabalho deste e de outros espaços dedicados ao assunto.
Ao Doutor Adolfo Sachsida, damos os parabéns, não só pela lucidez e competência técnica de suas análises mas, fundamentalmente, pela coragem em defender suas convicções e seu inalienável direito à Liberdade de Expressão.
Aos nossos leitores, desejamos um 2013 repleto de realizações, e esperamos que aprovem nosso novo formato.
Um grande abraço.
Observador
Bolha Imobiliária: Assunto de Risco - Adolfo Sachsida
O preço dos imóveis no Brasil deu um grande salto nos últimos anos. Em determinadas localidades o preço dos imóveis chegou a subir incríveis 130% em 3 anos (para uma inflação inferior a 20%). Em situações assim, seria de se esperar uma grande atenção da imprensa sobre este assunto.
Apesar da imprensa vincular notícias referentes a bolha imobiliária, essas veiculações ainda são poucas dada a magnitude do problema. Por que a imprensa não está dedicando mais atenção a esse assunto? Minha resposta: esse é um assunto de risco. Envolvendo inclusive a possibilidade de perda de anúncios por parte dos jornais.
Esse post relata minha experiência com entrevistas a respeito da bolha imobiliária. Desde 2008 estudo esse mercado, e desde essa época dou entrevistas sobre o assunto. Minha opiniao permanece a mesma, existem indícios de formação de uma bolha imobiliária no Brasil. Posso estar errado? Sim, claro que posso estar errado. Mas minha opinião é baseada em estudos e análises, não em levianismos ou ganhos pessoais.
O que mais chama atenção nas entrevistas que dou sobre a bolha imobiliária é a agressividade com que sou tratado. Parece que sou bandido. Em determinada entrevista tive que interromper o repórter e perguntar quem estava sendo entrevistado (dado que eu não tinha oportunidade de dar as respostas). Em outra entrevista, o jornalista me escreveu IN-OFF pedindo desculpas pela matéria que tinha saído e que aquilo não era culpa dele. Em outro jornal, a repórter me ligou dizendo que não podia mais fazer matérias comigo (pois havia a ameaça da retirada de anúncios do jornal caso este insistisse em tratar desse assunto). Conheço uma pessoa que foi ameaçada de receber processo judicial caso abrisse um curso sobre “Bolha Imobiliária”.
Outra curiosidade é como meu trabalho técnico é desqualificado por pessoas que no linguajar delas “não são doutores, mas tem a experiência da vida”. Não menos absurdo é o número de pessoas que criticam meu trabalho técnico sem ao menos serem capazes de entender o que está lá escrito. Em determinada entrevista perguntei a jornalista “Você entendeu a parte estatística do trabalho”, e ela respondeu “Eu não li”.
Não sou o dono da verdade, talvez esteja errado. Talvez não haja bolha no mercado imobiliário. Mas, caso exista bolha, esconder esse assunto não vai ajudar em nada a resolver o problema. Caso não exista bolha, discutir tal assunto não fará mal algum.
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