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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O Globo: Financiamento imobiliário pode ser péssimo negócio

É sabido que dar o maior valor possível de entrada e optar por prazo menor faz com que se pague menos por um financiamento. Mas, quando se vê isso em números, a diferença assusta. Mesmo com a redução dos juros pela Caixa Econômica para imóveis que custam acima de R$ 500 mil, ao tomar um crédito por prazo de 30 anos, paga-se duas vezes o valor que se pegou emprestado (ou mais, dependendo do banco), enquanto em 15 anos paga-se 50% a mais.

É o que mostra simulação feita pelos professores do Ibmec-RJ, Gilberto Braga e Marcos Heringer. No caso do financiamento de imóveis que se enquadram no Sistema Financeiro de Habitação (SFH), com valor máximo de R$ 500 mil, por exemplo. Pela Caixa Econômica, tomando-se um empréstimo de R$ 400 mil, com juros a 8,3%, o mutuário terá pago, ao fim de 30 anos, o total de R$ 881,3 mil - mais que o dobro. Já em 15 anos, R$ 641,3 mil. A prestação inicial será de R$ 3,77 mil e de R$ 4,88 mil, respectivamente.

Da mesma forma, ao adquirir um imóvel de R$ 1 milhão pela Caixa - já dentro das novas regras -, tomando um empréstimo de R$ 800 mil, com juros a 8,6%, o mutuário terá pago, em 30 anos, R$ 1,79 milhão. No prazo de 15 anos, ele pagará R$ 1,28 milhão. A prestação aumenta, é claro, mas não na mesma proporção: em 30 anos, a inicial será R$ 7,74 mil, e, em 15 , de R$ 9,77 mil.

Como a Caixa oferece taxas de juros mais atraentes - ao menos de balcão, já que a maioria dos bancos divulga uma taxa, mas a negocia de acordo com o perfil do cliente -, a diferença nos demais bancos é ainda mais gritante. No caso de um empréstimo de R$ 800 mil, o total pago ao longo de 30 anos será de R$ 2,10 milhões no Banco do Brasil (juros de 10%) e de R$ 2,32 milhões no Bradesco e no Santander (juros de 11%). Em 15 anos, o mutuário pagaria R$ 1,34 milhão no BB (8,9%); R$ 1,52 milhão no Bradesco (10,5%) e R$ 1,58 milhão no Santander (11%). O Itaú não informou suas taxas de juros.

Segundo o economista Gilberto Braga, entre a prestação do banco com a maior taxa de juros do mercado e a do que oferece a menor, a diferença é de aproximadamente 15%. No exemplo de um imóvel de R$ 1 milhão, financiado com 20% de entrada, em 15 anos, a prestação inicial é de R$ 11.432 no Santander e de R$ 9.777 na Caixa - menos R$ 1.655 ou 14,48%.

A participação no mercado de crédito imobiliário dos imóveis com valor acima de R$ 500 mil ainda é bem pequena - em número de unidades financiadas, de 7,58%, contra 94,42% do SFH, segundo a Abecip.

(O Globo - edição impressa - 20/01/2013)

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domingo, 27 de janeiro de 2013

Construção fechou 42,7 mil postos de trabalho só em novembro

O número de vagas no setor de construção civil no País continuou caindo em novembro ante outubro, com o fechamento de mais 42,7 mil postos de trabalho. A retração é superior à registrada em novembro de 2011, quando também houve o fechamento de 19,6 mil vagas, de acordo com pesquisa divulgada no mês de janeiro pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A queda do emprego no fim do ano já era esperada, mas a baixa mais acentuada deixou em alerta o presidente do Sinduscon-SP, Sergio Watanabe. "Isso preocupa, porque reflete um cenário de retração dos investimentos. E denota uma provável recuperação mais lenta do emprego na construção ao longo do primeiro semestre de 2013", disse Watanabe por meio de nota. "Por isso será preciso um esforço redobrado do governo para seguir estimulando a atividade econômica em estreita articulação com a iniciativa privada", defendeu o executivo.

Só no Estado de São Paulo houve, em novembro, o fechamento de 8,5 mil postos. O desempenho representa uma piora em relação a igual período do ano anterior, quando foram fechadas 5,5 mil vagas.

(DCI - São Paulo/SP - SERVIÇOS - 14/01/2013 - Pág. A9)

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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Medo do endividamento derruba os preços dos imóveis

As prestações dos financiamentos para a compra de imóveis, principalmente dos mais novos, não estão cabendo no bolso de parte da classe média. A quantidade de casas e apartamentos prontos financiados pelos bancos com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) - em geral, para famílias com renda superior a R$ 5,4 mil - registrou queda em 2012, em relação a 2011. Com isso, os preços permanecem praticamente estáveis há mais de um ano, principalmente no Distrito Federal. No caso de imóveis novos, as construtoras foram obrigadas a reduzir os valores pedidos inicialmente para desovar as unidades na planta, além de segurar os novos lançamentos.

O Índice FipeZap de Preços de Imóveis Anunciados, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostrou queda de preço em vários meses. O indicador reflete apenas a variação dos valores que estão nos anúncios classificados, não aqueles pelos quais os negócios são realmente fechados, em geral, mais baixos, segundo o mercado.

Os dados preliminares da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), que reúne todos os bancos que concedem crédito pelo SBPE, apontam diminuição em torno de 7% do total de unidades contratadas no ano passado. 

O diretor de vendas da Êxito Imobiliária, Alexandre Lucho Langer, afirmou que o desaquecimento no mercado do DF foi ainda mais expressivo, e vem ocorrendo há um ano e meio. "Com o boom que houve até meados de 2011, grande parte das pessoas que tinham condições de comprar imóvel foi atendida e já se endividou", observou. Segundo ele, os lançamentos no Noroeste, que estavam na casa dos R$ 11 mil o metro quadrado, são encontrados hoje, facilmente, por R$ 8 mil.

Uma venda, que antes levava em torno de três meses, não é fechada em menos de cinco, disse. "O momento está bom para comprar, pois o consumidor pode decidir com calma, além de os juros estarem menores", afirmou Langer. 

(Congresso em Foco - Brasília/DF - NOTÍCIAS - 22/01/2013 )

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domingo, 20 de janeiro de 2013

Parte V: Retorno do aluguel já perde até da poupança

No quinto post da série, mais um excelente alerta do jornal Valor Econômico...


Quanto vale o aluguel?
Quem se animou com a alta de 7,82% do IGP-M em 2012 diante da possibilidade de lucrar com aluguéis deve conter a empolgação, afirmam os especialistas. Apesar do índice mais alto de reajuste para os contratos que vencem em janeiro, o histórico mostra que os aluguéis residenciais enfrentam um dos períodos de retornos mais baixos dos últimos anos, já que os preços dos imóveis subiram muito e os valores de locação não acompanharam a escalada. Considerado o retorno mensal líquido (descontado o Imposto de Renda) do aluguel em relação ao preço de mercado do imóvel, o rendimento médio com locação na maioria dos bairros das capitais paulista e fluminense não compensa sequer a inflação. Nas duas cidades ele perde até mesmo da conservadora poupança.

O índice Fipe/Zap, elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo em conjunto com o portal imobiliário Zap, mostra que o "yield", ou seja, o retorno mensal do aluguel em relação ao preço de mercado do imóvel, está no menor nível da série histórica do levantamento, iniciada em 2008. E a tendência é de continuar em queda. De acordo com a medição, em novembro de 2012, a taxa média em São Paulo estava em 0,49% ao mês. No Rio de Janeiro, a rentabilidade é ainda menor: 0,39%.

No ano passado, o IGP-M, índice mais usado nos contratos imobiliários, fechou em 7,8%, enquanto o IPCA, indicador oficial do governo, deve ficar em torno de 5,69%, segundo estimativas do mercado divulgadas pelo Banco Central no último boletim Focus.

Com yield líquido mensal de 0,35%, se considerarmos a alíquota máxima do IR, de 27,5%, um apartamento no bairro de Pinheiros, em São Paulo, geraria um retorno com aluguel de 4,2% no ano. Mesmo imaginando o menor desconto possível do imposto, de 7,5%, a locação traria um ganho de 5,28%, ou seja, menor que a estimativa para o IPCA em 2013 divulgada no último boletim Focus, de 5,49%.

No Rio de Janeiro, os retornos se mantêm em patamar abaixo da capital paulista, ainda que de maneira discreta. O rendimento médio nas duas capitais perde até da conservadora poupança, que proporciona hoje um ganho de 0,50% ao mês, isento de IR.

De acordo com o professor da Faculdade de Administração e Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Samy Dana, a baixa taxa de retorno do aluguel reflete a forte valorização das propriedades ocorrida nos últimos anos. "É o cenário de um mercado que subiu mais do que deveria. Está na época de revisar os preços."

Na avaliação do especialista, para "começar a fazer sentido", o aluguel deveria proporcionar um yield a partir de 0,6% ao mês. Desse modo, quem pensa hoje em comprar um imóvel para alugar teria de conseguir um desconto de, pelo menos, 18% sobre o valor de mercado. "Para mim, esse é o espaço para uma possível queda de preços dos imóveis."

O coordenador do índice Fipe/Zap, Eduardo Zylberstajn, considera natural a diminuição do yield nos últimos anos. "Além da queda da taxa de juros, o valor para venda vem crescendo mais que o da locação", explica. Na visão do especialista, embora baixas, as taxas não devem mudar de patamar. "O aluguel está em um relativo equilíbrio e não acredito em mudanças nos próximos meses."

Para o coordenador do programa Investimentos Imobiliários da FGV, Mauro Miranda, as perspectivas para o curto e médio prazos não são atrativas a quem se sentiu tentado a entrar agora no segmento de locação de imóveis residenciais. "A curva do aluguel não é tão elástica quanto a da compra e venda e está atrelada à capacidade de pagamento das pessoas". Por isso, avalia, o retorno deve se manter próximo a 0,50% ao mês, mesmo com demanda aquecida.

Além de o orçamento familiar limitar o espaço para reajuste, a disponibilidade de imóveis para alugar começa a aumentar e, com isso, a reverter o quadro de escassez ocorrido no auge da demanda por compra financiada, há dois anos. Dados da imobiliária paulistana Lello mostram que a oferta de imóveis residenciais e comerciais para locação na cidade de São Paulo cresceu 28% em 2012 em relação ao ano anterior.

Segundo a diretora Comercial da Lello, Roseli Hernandez, a oferta de novos imóveis para alugar tende a manter um crescimento de 20% a 30% em 2013. A especialista explica que o segmento ganha impulso devido a um cenário em que muitas construtoras começam a entregar empreendimentos lançados dois ou três anos atrás.

Pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) reforça este quadro. O levantamento mensal mostra que os reajustes muito acima da inflação podem estar com os dias contados. De dezembro de 2011 a novembro de 2012, a valorização do aluguel médio caiu para menos da metade, de 18,5%, em 12 meses, para 8,6%. "O ano de 2012 foi de adequação dos preços e condições de mercado. Os novos aluguéis devem acompanhar a inflação", diz Mark Turnbull, vice-presidente de gestão e locação do sindicato.

A desaceleração dos preços de locação fica patente na mediação da Fipe/Zap, que mostra uma variação positiva de apenas 0,1% em dezembro na capital paulista em relação ao mês anterior. Apesar de ter fechado 2012 com alta de 10% em São Paulo e 11% no Rio, a velocidade do aumento diminuiu e ficou próxima de índices como IPCA e IGP-M. Este seria o ritmo esperado pelo mercado, já que os contratos de aluguel preveem reajustes conforme a oscilação dos indicadores.

(Valor Econômico - São Paulo/SP - EU & INVESTIMENTOS - 08/01/2013 - Pág. D1)

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Parte IV: Bolha imobiliária também no mercado de escritórios

No quarto post da série "Os alertas da imprensa sobre a bolha imobiliária", destacamos mais uma excelente matéria do jornal Valor Econômico onde, de forma "sutil e elegante", analistas de mercado e até representantes do setor falam sobre a crise no mercado de escritórios de São Paulo.


Mercado de escritórios pode enfrentar recuo nos preços
O aumento da oferta de novos prédios comerciais de alto padrão no mercado de São Paulo, e o processo mais lento de tomada de decisão de alugar novas áreas por parte das empresas já se reflete em ampliação da vacância e interrupção da trajetória de alta nos preços de aluguéis iniciada há dois anos e meio. Em 2013, os ocupantes tendem a ser mais seletivos na escolha dos espaços, o que levará a uma maior vacância. Há expectativa de que os preços cairão.

Em 2012, multinacionais foram mais cautelosas na tomada de decisão de alugar novas áreas, principalmente em função da crise internacional. Nas estimativas da vice-presidente da Colliers do Brasil, Sandra Ralston, as multinacionais respondem por 80% da ocupação de grandes lajes corporativas em São Paulo.

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país abaixo do que se estimava para o ano também contribuiu para a desaceleração do ritmo de negócios de locação de escritórios. "O ano de 2012 não foi ruim, mas não se mostrou conforme a expectativa que tínhamos em junho", diz a representante da Colliers.

No segundo semestre de 2012, os valores médios de locação ficaram estáveis, e os proprietários dos prédios passaram a ser flexíveis nas negociações, conforme o diretor de locação da Jones Lang LaSalle, André Costa. Essa flexibilização abrange, por exemplo, retomada da carência locatícia. A carência significa que, no período em que as ocupantes fazem investimentos nas áreas para adequá-las às suas necessidades específicas, são liberadas de pagar o aluguel.

Outra mudança ocorrida, durante o ano passado, foi que as pré-locações - fechamento dos contratos antes de os empreendimentos serem concluídos - deixou de ser prática comum, mesmo em imóveis de regiões disputadas de São Paulo, como avenida Faria Lima, endereço comercial mais disputado no maior mercado imobiliário do país. Nesse cenário, diminuiu a especulação dos preços de locação pedidos, segundo o diretor da Jones Lang.

"Há um viés de queda de preços em 2013, em função da quantidade de oferta de novos prédios", afirma Costa. Segundo o executivo, a vacância estimada para no mercado de São Paulo - incluindo Alphaville, em Barueri -, no fim de 2012, é ao redor de 15%, patamar considerado de equilíbrio pelos critérios da consultoria.

Para 2013, a Jones Lang projeta 18% de vacância, o que significa que a oferta vai superar a demanda em São Paulo. "Os proprietários que quiserem alugar os imóveis rapidamente vão ter de ser flexíveis em relação a preços", afirma Costa. A vice-presidente da Colliers diz esperar manutenção de preços, na média do mercado de São Paulo, em 2013, com queda em algumas regiões. A taxa de vacância projetada pela Colliers para o fechamento de 2012, de 9% a 10%, está próxima ao patamar de equilíbrio para a consultoria.

Conforme a Jones Lang, a projeção de crescimento anual de estoques de alto padrão em São Paulo para o período de 2012 a 2014 é de 15,3%. De 1996 a 2011, a expansão anual foi de 8,8%. No primeiro trimestre, ocorrerão parte das operações de locação que não se concretizaram em 2012, em São Paulo, diz a executiva da Colliers. Já o ritmo de novos negócios dependerá das condições da economia internacional e brasileira.

A Cushman & Wakefield projeta novo estoque de escritórios corporativos de padrão classe A para todas as regiões da cidade de São Paulo, além de Alphaville, em Barueri (SP), de 486 mil m2 neste ano. Mas, segundo a gerente de Pesquisa de Mercado para América do Sul da Cushman, Mariana Hanania, o volume pode chegar a 500 mil m2 ou a 600 mil m2, conforme a parcela do novo estoque prevista para o quarto trimestre que foi postergada para 2013.

De acordo com a representante da Cushman, os preços pedidos de locação continuarão a se valorizar, devido à qualidade elevada dos prédios que estão sendo entregues, ainda que a alta seja moderada. "Mas alguns proprietários podem ser mais flexíveis, concedendo descontos para fechar negócios", pondera Mariana.

"Renovações e revisionais vão trazer os contratos a valores de mercado, mas não vejo altas de preços para acima do patamar atual", diz o diretor financeiro e de relações com investidores da Cyrela Commercial Properties (CCP), Dani Ajbeszyc. Segundo o executivo da CCP, em função da oferta grande de novos empreendimentos e da desaceleração do crescimento econômico, a vacância da companhia no segmento - atualmente, em zero - pode "aumentar um pouquinho".

(Valor Econômico - São Paulo/SP - EMPRESAS - 03/01/2013 - Pág. B7) 

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domingo, 13 de janeiro de 2013

Parte III: Construção continuará em queda em 2013

Apresentamos mais um post da série "Os alertas da imprensa sobre a bolha imobiliária", que traz outra matéria do jornal Valor Econômico. 


Setor vai lançar menos imóveis outra vez em 2013
As incorporadoras de capital aberto podem enfrentar, em 2013, novo ano de dificuldades para lançar imóveis, após expressiva redução dos novos projetos apresentados ao mercado em 2012. A maior parte das incorporadoras de capital aberto evita sinalizar qual será seu tamanho em 2013, mas já se espera que empresas que ainda não concluíram seus processos de arrumação da casa - principalmente, PDG Realty, Rossi Residencial e Gafisa - possam ter outro ano de redução do Valor Geral de Vendas (VGV) de novos projetos.

Procuradas pelo Valor, PDG e Gafisa informaram que não iriam se pronunciar, e Rossi disse que não comenta especulações de mercado.

Por causa do ciclo longo do setor, os resultados trimestrais de parte das incorporadoras ainda terão impacto de problemas já identificados, como estouros de orçamento, até que os projetos menos rentáveis sejam entregues. As empresas têm como desafio encerrar o ciclo imobiliário iniciado nos primeiros anos após a onda de abertura de capital, com conclusão das obras, repasse dos recebíveis dos clientes para os bancos e geração de caixa.

A expectativa é que novos problemas possam ser identificados em algumas incorporadoras. "Não nos espantará se houver novos estouros de orçamento na PDG, na Rossi e na Gafisa", diz o analista de construção civil da BES Securities, Eduardo Silveira.

Durante a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, a PDG cancelou, formalmente, a meta de lançamentos para 2012 e informou revisões em curso, inclusive a de todas as obras. Gafisa ainda precisa equacionar pontos como nível de endividamento - no fim de setembro, a relação entre dívida líquida e Ebitda era de 106%. A relação entre dívida líquida e patrimônio líquido da Rossi era de 153,2% no fim do terceiro trimestre, parcela que cairia para 96,6% se considerados os R$ 600 milhões do aumento de capital em curso.

Segundo Silveira, essas três incorporadoras, além de Tecnisa - em menor grau - são as que poderão lançar menos em 2013 do que neste ano, entre as que fazem parte da cobertura da BES. 

A Tecnisa informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não faria comentários sobre lançamentos em 2013 por não ter fechado previsão para o ano.

Em 2012, o setor diminuiu o ritmo de lançamentos por razões relacionadas às próprias empresas - como grande volume de estoques prontos ou quase concluídos que precisava ser vendido, endividamento elevado e busca da geração de caixa - e por fatores como atrasos na concessão de licenças dos projetos por parte dos órgãos públicos.

O prazo para as aprovações de projetos pelos órgãos públicos, principalmente pela Prefeitura de São Paulo, pode afetar o ritmo de lançamentos, novamente, em 2013. Esta foi uma das principais causas apontadas pelas incorporadoras, durante 2012, para as reduções de metas.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Prefeitura de São Paulo informou que o ritmo de análises de processos na Secretaria de Habitação (Sehab) segue normal e que, até o fim de setembro, a média ficou semelhante à dos anos anteriores. 

"O ano de 2012 mostrou o quão difícil é prever o que acontece no mercado. É absurdo o volume de lançamentos que estava previsto, mas não ocorreu", afirma o diretor-presidente da Brasil Brokers, Sergio Freire.

A desaceleração do nível de atividades das incorporadoras em 2012 incluiu a diminuição da compra de terrenos. "As empresas estão mais seletivas na compra de áreas. Nos momentos de euforia, as aquisições de terrenos foram feitas com menos filtro", diz Sergio Ferrador, presidente da SFSA Desenvolvimento Imobiliário. Mas, segundo Ferrador, mesmo com mais rigor nas compras de áreas, as empresas fizeram aquisições e têm assegurados pelo menos 80% dos terrenos para os lançamentos de 2013.

Há menos euforia também na tomada de decisão de compra de imóveis pelos consumidores. Sem temor de que as altas acentuadas de preços dos últimos anos possam ocorrer novamente, potenciais compradores estão mais cautelosos. Desde o início de 2012, os interessados têm visitado mais plantões de venda e levado mais tempo para bater o martelo da compra.

(Valor Econômico - São Paulo/SP - EMPRESAS - 26/12/2012 - Pág. B6)

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Os alertas da imprensa sobre a Bolha Imobiliária - Parte II

Em nosso segundo post sobre os alertas da imprensa sobre a bolha imobiliária, o texto do jornal Valor Econômico traz dois clássicos eufemismos (estabilidade e desaceleração), mostrando como alguns veículos vêm, aos poucos, trazendo alguma luz sobre o assunto.


Preços de imóveis tendem à estabilidade

Embora em 2012 tenha sido entregue volume recorde de imóveis e se espere, para 2013, outra leva expressiva de unidades novas no mercado, fontes ligadas ao setor de incorporação dizem que não há razões para reduções dos preços das unidades. A afirmação mais comum é que os valores médios ficarão estáveis, com correções que acompanhem a inflação.

A redução de lançamentos ocorrida em 2012 contribui para a diminuição dos estoques de imóveis a serem erguidos, uma das razões apontadas para a perspectiva de que não haverá queda de preços, segundo o diretor-presidente da Brasil Brokers, Sergio Freire. Segundo ele, os preços continuarão a acompanhar "pelo menos a inflação de construção". "Mas o preço de produtos ruins pode cair", afirma Freire.

Conforme o presidente da imobiliária focada em imóveis novos com descontos Realton, Rogério Santos, além da redução de lançamentos, os preços serão mantidos devido aos custos com insumos, como terrenos e materiais, e de mão de obra. "Onde não há terrenos, haverá alta", diz o presidente da Realton.

Caso haja restrição da oferta de imóveis por um período mais longo, isso pode se refletir em preços mais altos, de acordo com um analista que acompanha o setor. "Por enquanto, os valores ficam estáveis, no máximo com correção do INCC [Índice Nacional de Custo da Construção, utilizado para ajustar o orçamento de obras]. Mesmo com redução de novos projetos, as empresas ainda estão lançando bastante", afirma o analista.

Durante 2012, foram realizadas rodadas de descontos de preços imóveis. Espera-se que mais campanhas ocorram, assim como abatimentos pontuais por parte das incorporadoras. À medida que os estoques forem reduzidos, haverá menos necessidade de descontos.

O Índice FipeZap Composto - que acompanha o preço médio do metro quadrado de apartamentos prontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Distrito Federal, Salvador, Fortaleza e Recife - tem apontado desaceleração das altas dos valores. A variação acumulada no ano é de 12,5%, abaixo da variação positiva de 13,8% em 12 meses. O levantamento é feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e pelo ZAP Imóveis.

"Os preços chegaram ao patamar adequado", diz o diretor-geral do ZAP, Eduardo Schaeffer. Ele espera estabilidade de preços de imóveis nos mercados de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Já para Brasília e para as capitais do Nordeste, Schaeffer projeta queda. No Distrito Federal, o Índice FipeZap apresentou queda desde setembro e, em Fortaleza, redução em novembro. (CQ)

(Valor Econômico - São Paulo/SP - EMPRESAS - 26/12/2012 - Pág. B6) 

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domingo, 6 de janeiro de 2013

Os alertas da imprensa sobre a Bolha Imobiliária - Parte I

Em nosso último post de 2012, mostramos que falar da bolha imobiliária virou um "assunto de risco", tanto para imprensa quanto para os especialistas.

Assim, neste primeiro post de 2013, vamos apresentar a primeira de uma série de matérias que mostram como a imprensa especializada vem, à base de muito eufemismo e criatividade, alertando o mercado sobre a bolha imobiliária. 

Diz o ditado que "para bom entendedor, meia palavra basta", será?


Exame: Construção pode ter crescimento limitado por preço do imóvel

Alvo de um dos mais recentes movimentos do governo federal para impulsionar o desempenho do país, o setor imobiliário figura como uma das apostas da presidente Dilma Rousseff para colocar a economia de volta nos trilhos, mas o segmento pode ver nos preços elevados um fator limitador do crescimento em 2013.

"A principal questão gira em torno de preços e da dificuldade das famílias comprarem um imóvel que caiba no orçamento", afirmou a economista Ana Maria Castelo, da Fundação Getulio Vargas (FGV).
"A decisão de compra pode ser adiada com o consumidor à espera de estabilização (de preços), já que a inadimplência alta vem resultando em menor renda disponível", acrescentou a economista.
Embora o consumo no país tenha começado a se recuperar na segunda metade de 2012, após sofrer desaceleração generalizada desde o fim de 2011, a população se encontra diante de um cenário de alto endividamento e inadimplência em patamares elevados, resultando em maior cautela e numa inibição da demanda no mercado imobiliário.
Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Ibope, 60% da população brasileira pretende reduzir o consumo porque teme uma retração da economia. Também conforme a CNI, 41% das pessoas possuem dívidas, sendo que 42% delas já alcançaram o limite de comprometimento do orçamento.
"Uma questão para a qual não está se dando importância é o nível de endividamento muito elevado da população", disse o presidente do sindicato da habitação na capital paulista, Secovi-SP, Cláudio Bernardes, para quem o desempenho do setor imobiliário está diretamente ligado ao crescimento da economia. "Se a economia vai bem, o mercado imobiliário vai bem também." 
Ainda que representantes do setor insistam em afirmar que os preços de imóveis não caem, as recentes medidas de incentivo divulgadas pelo governo podem contribuir para que eles parem de subir.
O governo divulgou no início de dezembro um pacote de medidas para a construção civil, que incluiu desoneração da folha de pagamento, redução de impostos e linha de capital de giro com taxas de juros mais baixas.
Tais medidas tendem a se refletir principalmente em menor pressão de custos para as construtoras, que vêm lutando para equacionar estouros de orçamento.
"As empresas, que repassavam o aperto de margens no preço, poderão praticar valores mais competitivos", disse o analista Wesley Bernabé, do BB Investimentos. Apesar de serem apontadas como positivas para o setor, as medidas apresentadas - e ainda não detalhadas - resultaram em incertezas entre agentes do setor que não conseguem dimensionar o real impacto para as empresas e para o mercado como um todo.
Umas das principais dúvidas envolve a desoneração em folha também para terceirizados, visto que muitas construtoras recorrem a essa opção para driblar problemas com a mão de obra.
"Muitos pontos ainda não estão claros, ainda falta um detalhamento. E o impacto (das medidas) não vai ser imediato", acrescentou Bernabé, lembrando que o setor opera em ciclos longos, de até 36 meses.
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