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domingo, 30 de setembro de 2018

IstoÉ: Volume de crédito imobiliário cai pela metade em relação a 2014 e 2015


A queda do preço dos imóveis também se reflete na atividade da indústria. Segundo o IBGE, atividades de construção tiveram queda de 0,8% no segundo trimestre de 2018

Diante de lenta retomada da economia, o preço médio dos imóveis do Brasil caiu 19% em relação a 2014, já as taxas de juros no Brasil estão em mínimas históricas. Porém mesmo com um cenário aparentemente favorável, o volume de crédito imobiliário concedido no Brasil hoje representa apenas 50% dos valores disponibilizados em 2014 e 2015. O número é válido para empréstimos de pessoas físicas. No caso de pessoas jurídicas, a baixa real (descontada a inflação) é da casa do 80%.

A queda do preço dos imóveis também se reflete na atividade da indústria. Segundo o IBGE, atividades de construção tiveram queda de 0,8% no segundo trimestre de 2018. Apesar do números, empresários e bancos do setor imobiliário afirmam que os pré-requisitos para a concessão de crédito está no mesmo nível pré-crise, além de juros na casa dos 8%.

Diante do cenário, a Caixa, detentora de 70% do mercado de créditos imobiliários, anunciou uma queda em suas taxas de juros para empréstimos desta natureza. A redução foi de 0,75 ponto percentual para compra de imóveis enquadrados no Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI). A redução vale para imóvel de até R$ 1,5 milhão. As taxas mínimas do SFI passam de 9,5% ao ano para 8,75% ao ano. E a taxa máxima cai de 11% para 10,25% ao ano. A Caixa tem R$ 85 bilhões disponíveis para o crédito habitacional este ano. No primeiro semestre, foram contratados mais de R$ 40 bilhões.

(Portal Revista IstoÉ - Economia - 25/09/2018)

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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Portal DCI: Rentabilidade do aluguel despenca e mercado imobiliário segue em alerta


O motivo, para além da crise econômica, foi a exacerbada alta no estoque de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro durante o período que ficou conhecido como “boom imobiliário”

A rentabilidade do aluguel em 12 meses, que em 2012 girava em torno de 27,5%, chegou em agosto deste ano em 1,8%. O motivo, para além da crise econômica, foi a exacerbada alta no estoque de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro durante o período que ficou conhecido como “boom imobiliário”.

Os dados, que fazem parte do Índice FipeZap Comercial, apontam uma queda de 0,51% no preço de venda de salas comerciais e 0,46% para locação em agosto. O indicador segue em uma tendência de queda entre as saletas com até 200 metros quadrados (m²). Para o consultor de investimentos e especialista em mercado imobiliário, Robson Cruz, o País experimentou, entre 2008 e 2014 crescimento desproporcional do mercado imobiliário, e isso resultou em uma forte injeção de capital no setor.

“As construtoras se mostraram muito animadas com as projeções e lançaram muito. Os preços acompanhavam o otimismo porque a economia caminhava bem”, explicou ele, dizendo que o período posterior foi de inversão da tendência de crescimento da economia e o resultado “a gente viu na economia".

”O Rio de Janeiro, que é o segundo maior mercado do Brasil para salas comerciais é um exemplo desta queda abrupta. “Em 2010, quando o Brasil ainda tinha muitas esperanças com o Pré-Sal, o Rio atraiu todo tipo de empresa que poderia oferecer serviços relacionados ao insumo, e hoje temos prédios enormes, com grandes espaços desocupados”, disse.

Exemplo desse movimento de evasão foi anunciado na última sexta-feira (21) quando a BR Properties S.A. anunciou aos acionistas que “recebeu notificação da sua locatária Petróleo Brasileiro S.A - PETROBRÁS, comunicando a intenção de desocupar, no segundo semestre de 2019, as unidades atualmente locadas no Edifício Ventura Corporate Towers”. O complexo de escritórios locados refere-se à Torre Leste, e o contrato de locação terminaria em dezembro de 2019.

Sem detalhes sobre um eventual pagamento de multa ou como se dará o distrato, os diretores da BR dizem aguardar mais informações sobre como o processo se dará e avisarão acionistas e o mercado.

Mesmo diante da saída de empresas de todos os portes – seja pela segurança, crise econômica ou outro problema – o Rio de Janeiro ainda é campeão em preços. Segundo o Índice FipeZap, em agosto, o m² para venda no Rio gira em torno de R$ 10,3 mil.

Diante dos altos preços e economia patinando, a vacância continua preocupante. Segundo um levantamento da Colliers, a estimativa é que 36% dos escritórios na capital fluminense estavam desocupados no primeiro semestre.

“Uma taxa de vacância ideal para mercado competitivo é de até 15%”, conta Cruz.

Outros mercados
Quando analisamos a média dos preços cobrados nas quatro cidades pesquisadas pela FipeZap (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre) a queda de 0,51% na passagem de julho para agosto colocou o custo médio do m² em R$ 9,53 mil.

No caso do aluguel, o índice caiu a R$ 39,54 por metro quadrado, com desvalorização mensal mais acentuada em São Paulo (-0,63%) e Rio de Janeiro (-0,49%).

Na comparação anual, o indicador teve baixa nominal de 2,61% para venda e 2,73% para locação, sendo Porto Alegre a única cidade a registrar alta no preço médio do aluguel comercial (+1,45%). No ano até agosto, o índice FipeZap soma queda de 0,94% na venda e 2% na locação.

Em Belo Horizonte (MG), o preço médio do metro quadrado comercial ficou em R$ 7.525 para venda e R$ 30,16 para locação, enquanto em Porto Alegre (RS) os valores apurados foram R$ 7.647 e R$ 31,67, respectivamente.

(Portal DCI - Serviços - 24/09/2018)

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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Estadão: Projeção para o PIB da construção passa a ser de queda em 2018


"O cenário dos últimos meses, agravado pela incerteza eleitoral, contribuiu decisivamente para que não se resgatasse a confiança dos investidores, revertendo a expectativa de que a construção voltaria a crescer em 2018"

O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV) revisaram suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do setor em 2018.

Anteriormente, havia a expectativa de um crescimento de até 0,5% para este ano. Agora, dois cenários se delineiam. Se o PIB nacional crescer 1,4%, o da construção deverá cair 0,6%. E se o PIB nacional evoluir apenas 1,1%, o da construção deverá registrar baixa de 1,0%.

Revisão para baixo
"O cenário dos últimos meses, agravado pela incerteza eleitoral, contribuiu decisivamente para que não se resgatasse a confiança dos investidores, revertendo a expectativa de que a construção voltaria a crescer em 2018", afirma o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, em nota distribuída à imprensa.

Entre os fatores que impactaram o cenário ao longo do ano estão o declínio nas expectativas dos empresários do setor; o impacto negativo sobre os investimentos devido à persistência do alto grau de incerteza com o quadro eleitoral; e o baque da greve dos caminhoneiros sobre a indústria de materiais, cuja produção não se recuperou totalmente.

Além disso, o aumento em lançamentos e vendas no segmento imobiliário somente mostrará resultados na atividade da construção no ano que vem.

Queda no número de trabalhadores
Segundo dados do IBGE, o número de pessoas empregadas na construção, de 6,5 milhões no primeiro semestre de 2019, caiu 3,3% em relação ao primeiro semestre de 2017. Segundo pesquisa do SindusCon-SP, o emprego segue caindo em todos os segmentos, exceto em Engenharia e Arquitetura, o que mostra demanda maior apenas por projetos. Assim, a previsão do desempenho do nível de emprego formal no setor para este ano continua apontando uma queda de 2,9%.

(Estadão - Economia & Negócios - Notícias - Geral - 18/09/2018)

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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Folha: Pró-Cotista para financiar imóvel novo está praticamente esgotada, diz Caixa


"Dentro do Orçamento do FGTS vem um valor muito pequeno para a Pró-Cotista destinado a todos os bancos, mas ele acaba muito rápido. Agora, só estamos trabalhando as propostas que já estão dentro do banco, que deram entrada antes", diz Nelson Antônio de Souza, presidente da Caixa

A linha de financiamento Pró-Cotista da Caixa Econômica Federal para imóveis novos, a mais barata depois do programa Minha Casa Minha vida, está praticamente esgotada.

Segundo Paulo Antunes de Siqueira, vice-presidente de habitação do banco, dos R$ 4 bilhões destinados à modalidade, restam apenas R$ 600 milhões. "Mas temos já dentro da Caixa concessões em análise em valor superior", disse.

A linha só pode ser acessada por trabalhadores com pelo menos três anos de vínculo com o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Os beneficiados precisam estar trabalhando ou ter saldo na conta do fundo equivalente a pelo menos 10% do valor do imóvel. Não há limite de renda.

A Pró-Cotista tem tido muita procura nos últimos anos por causa da escassez de recursos de fontes com taxas de juros equivalentes, como a caderneta de poupança.

Isso fez a participação da linha no total de financiamento imobiliário, que era de apenas 1% em 2014, saltar para mais de 10%. Em 2017, a linha emprestou R$ 6,1 bilhões, informa a Caixa.

No banco estatal, as taxas da Pró-Cotista giram em torno de 7,85% a 9,01% ao ano, com prazos de 60 a 360 meses.

"Dentro do Orçamento do FGTS vem um valor muito pequeno para a Pró-Cotista destinado a todos os bancos, mas ele acaba muito rápido. Agora, só estamos trabalhando as propostas que já estão dentro do banco, que deram entrada antes", diz Nelson Antônio de Souza, presidente da Caixa.

A modalidade para imóveis usados já havia sido suspensa no início de agosto pela Caixa porque todo o limite destinado a essa operação em 2018, de R$ 1,4 bilhão, foi usado

Além da Caixa, apenas o Banco do Brasil operava a Pró-Cotista. Há pouco tempo, no entanto, o Santander Brasil começou discretamente a oferecer empréstimos por meio da modalidade, e o Bradesco começará a operar a linha a partir de janeiro de 2019.

Taxa menor
De olho em mudanças no sistema de financiamento imobiliário a partir do próximo ano, Souza anunciou nesta sexta-feira (14) a equiparação das taxas de financiamento de imóveis de até R$ 1,5 milhão pelo SFI (Sistema Financeiro Imobiliário) aos juros cobrados no SFH (Sistema Financeiro de Habitação), modalidade que também permite o uso de recursos do FGTS.

A partir do próximo dia 24, as taxas mínimas para unidades de até R$ 1,5 milhão financiadas dentro do SFI cairão de 9,5% ao ano para 8,75%. Imóveis acima desse valor continuam dentro das taxas anteriores do SFI, a partir de 9,5%.

Hoje, o SFI é usado para financiamentos que não se enquadram nos requisitos do SFH, como aquisição do primeiro imóvel e no valor de até R$ 800 mil para todo o país — exceto SP, RJ, Minas e DF, onde o limite é de R$ 950 mil.

A partir de 2019, no entanto, o limite de valor dos empréstimos imobiliários que permitem o uso de recursos do FGTS será elevado para R$ 1,5 milhão em todos os estados.

Além de aumentar o teto, o governo anunciou a flexibilização do uso, pelos bancos, dos recursos captados da poupança para financiamentos imobiliários.

Atualmente, os bancos são obrigados a direcionar 65% desses recursos para crédito imobiliário e, dessa fatia, 80% precisam ser de financiamentos do SFH.

Com a nova regra, a partir do próximo ano, os 80% obrigatórios para o sistema de habitação deixam de existir. Caberá ao banco decidir se quer ofertar financiamentos desse tipo e em qual montante.

Nesse caso, se não optar pelo SFH, não haverá necessidade de cumprir o limite máximo de taxas de juros do sistema — de 12% ao ano mais a TR (Taxa Referencial)—, que serão livremente praticadas, até mesmo com indexadores diferentes da TR, como os índices de preços.

Com a mudança, a tendência é que a separação entre SFH e SFI fique menos nítida.

"De certa forma, essa mudança vai juntar os mercados. Havia certo temor de que isso poderia provocar uma elevação das taxas de juros. O que a Caixa sinaliza é que estão trazendo aquelas taxas de mercado livre do SFI para o nível do SFH", explica Ana Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

Ao equiparar taxas, a Caixa dá um primeiro passo nesse sentido. A partir do dia 24, se o consumidor financiar um imóvel de R$ 1 milhão, por exemplo, não poderá se encaixar no SFH e utilizar o FGTS, mas terá no SFI taxas semelhantes às do sistema de habitação. Em um segundo momento, a partir do próximo ano, esse tomador de crédito até poderá usar seu FGTS.

Avaliação
A Caixa também anunciou a ampliação de seu serviço de avaliação de imóveis — até então, só era oferecido para quem realizasse financiamento com o banco.

O Caixa Avalia é uma plataforma online que permitirá a venda de avaliações pelo site do banco, com contratação digital. As tarifas pelo serviço partem de R$ 1.000, mas podem variar de acordo com características do imóvel, como seu tamanho.

(Folha de São Paulo - Mercado - 14/09/2018)

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domingo, 16 de setembro de 2018

Estadão: 2014,15,16,17,18... Retomada da construção fica agora para 2019

As perspectivas para o semestre em curso são de estagnação, não se afastando o risco de que o PIB da construção civil recue pelo quinto ano consecutivo

Além da recuperação muito lenta da economia, a incerteza crescente quanto aos rumos da sucessão presidencial é outro fator decisivo para reduzir as possibilidades de retomada clara do segmento de construção civil em 2018. É longo o prazo de maturação do investimento no setor, o que afeta o investimento privado, ao mesmo tempo que o setor público dispõe de poucos recursos para aplicar em infraestrutura. As perspectivas para o semestre em curso são de estagnação, não se afastando o risco de que o PIB da construção civil recue pelo quinto ano consecutivo.

No primeiro semestre, segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), que reúne 20 empresas de grande porte, foram vendidas 41.202 unidades, mais 28,5% em relação a igual período de 2017. Mas, em junho, as vendas de imóveis novos avançaram apenas 3,3% em relação a junho de 2017, lideradas por imóveis enquadrados no Programa Minha Casa, Minha Vida, que registrou elevação de vendas de 25%. Nas mesmas bases de comparação, houve recuo de 16% na comercialização de imóveis de médio e alto padrão.

A Sondagem da Construção da Fundação Getúlio Vargas e do Instituto Brasileiro de Economia (FGV/Ibre) mostrou que a confiança das empresas do setor caiu 1,6 ponto entre julho e agosto, em contraste com a alta de 1,7 ponto registrada entre junho e julho. O indicador de expectativas retrocedeu para os níveis de agosto de 2017, resultado que “sugere uma piora mais definitiva do cenário de retomada vislumbrado anteriormente pelas empresas de construção”, segundo a economista Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV/Ibre.

As empresas estão mais preocupadas com os negócios de curto prazo, pois falta demanda e as tendências são negativas. As contas nacionais calculadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que a construção civil caiu 2,1% em 2014, recuou 9% em 2015, perdeu 5,6% em 2016 e cedeu 5% em 2017. Está prevista nova queda em 2018, embora em porcentual menor. A retomada muito fraca se reflete no emprego, que caiu 2,5% entre os segundos trimestres de 2017 e de 2018.

A abertura de 10 mil postos formais no setor em julho, indicada pelo Ministério do Trabalho, foi apenas um alívio, sem que se alterem as perspectivas.

(Estadão - Economia - Notícias - Geral - 04/09/2018)

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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

O Globo: Com queda de 6,7% no preço dos aluguéis, mercado imobiliário de Niterói amarga prejuízos


A redução de preços, contudo, não vem se refletindo em aumento considerável na procura por imóveis, tanto para aluguel quanto para compra. É o que afirma o vice-presidente do Sindicato da Habitação Rio (SecoviRio), Leonardo Schneider

No cenário de incerteza provocado pela frágil situação econômica da construção civil, o mercado imobiliário permanece em declínio. Segundo o indicador Fipezap, que avalia os valores para locação em 15 municípios de 11 diferentes estados, o valor médio para se alugar um imóvel em Niterói caiu 6,7% entre setembro de 2017 e agosto de 2018. No levantamento, a cidade aparece com a maior desvalorização do país.

A redução de preços, contudo, não vem se refletindo em aumento considerável na procura por imóveis, tanto para aluguel quanto para compra. É o que afirma o vice-presidente do Sindicato da Habitação Rio (SecoviRio), Leonardo Schneider:

— Observamos em Niterói a continuidade de uma baixa procura por imóveis residenciais, assim como no Rio. No caso das locações, os proprietários estão demorando para conseguir conquistar inquilinos e, consequentemente, voltam a oferecer seus imóveis por valores similares aos praticados em 2011 e 2012, para evitar prejuízos. No caso das vendas, os índices deste primeiro semestre foram ligeiramente superiores aos do ano passado, o que nos dá uma esperança de que a tão esperada retomada do setor ocorra ainda nos próximos dois anos— avalia.

Redução de 35%
O caso da geógrafa Christina Roale Casanova, proprietária de uma loja em Icaraí, sustenta a avaliação de Schneider. Há mais de seis meses, seu imóvel está vazio, apesar da redução de 35% no valor do aluguel.

— Em Niterói, o aluguel despencou, pois a cidade é muito perigosa e tem IPTU altíssimo. Comecei tentando alugar o imóvel a R$ 2 mil. Depois baixei para R$ 1.600, e agora, para R$ 1.300. Mesmo assim, não há procura — diz.

Na tentativa de reaquecer o mercado, proprietários estão aderindo a novas estratégias e iniciativas para acelerar a locação de seus imóveis. Uma delas é a criação de aplicativos de internet que reduzam a burocracia para o aluguel de residências, como o Quinto Andar, que acaba de chegar a Niterói. O aplicativo, que atua em outras 14 cidades brasileiras, conecta diretamente inquilinos e proprietários de forma mais prática e direta. Por ser formado por empresas do setor, dispensa a figura do fiador e o seguro-fiança.

Em menos de três semanas na cidade, a plataforma já está intermediando 27 imóveis em oito diferentes bairros: Centro, Charitas, Fonseca, Icaraí, Ingá, Santa Rosa, São Domingos e São Francisco.

A garantia do cumprimento da quitação dos alugueis é possível graças a um compromisso contratual, em que o próprio aplicativo se responsabiliza pelo pagamento no caso de um eventual atraso do inquilino. Em contrapartida, o valor do primeiro aluguel é repassado ao Quinto Andar, que também arrecada uma taxa de 8% pela locação nos meses subsequentes.

Apesar da inovação, há ainda quem consiga alugar um imóvel pelos meios convencionais e saia satisfeito. É o caso da professora Raphaela Bel Pino que, em março deste ano, se mudou de Icaraí para o Centro. Ela afirma não ter enfrentado dificuldades para encontrar o imóvel nos moldes que queria e a um bom preço:

— Até fevereiro, meu marido morava em São Gonçalo, e eu em Icaraí. Decidimos morar juntos e encontramos, em poucas semanas, um imóvel a um ótimo custo. Acho que foi uma combinação de sorte com o fato de que, há alguns anos, os aluguéis estavam bem altos, o que vem se revertendo — conclui.

Situação preocupante
Em Niterói, a construção civil permanece sentindo a crise econômica e demitindo: 2.200 vagas de trabalho foram fechadas entre setembro de 2017 e agosto deste ano. O preço médio dos imóveis à venda acumula uma queda de 3,3% nos últimos 12 meses, levando Niterói à terceira posição do ranking nacional, que integra 25 cidades de dez diferentes estados. Neste levantamento, o município fica atrás apenas do Rio de Janeiro, com 4,2%, e de São Vicente (SP), que concentra uma desvalorização de 6,1% no período.

Desde janeiro de 2015, entretanto, os números são ainda mais preocupantes para o setor, acumulando um saldo de 8.472 vagas fechadas em Niterói.

(O Globo - Rio - Bairros - 08/09/2018)

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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Estadão: Preço de imóvel acumula queda real de 18% em menos de quatro anos


Com o desaquecimento do mercado, o proprietário foi obrigado a ceder e fazer uma avaliação realista do preço do imóvel, diz. Ele lembra de uma propriedade na zona sul de São Paulo que ficou mais de dois anos à venda, até que o dono aceitasse baixar o preço em 39%

Com a economia andando de lado e o consumidor evitando fazer dívidas, o preço dos imóveis residenciais tem variado abaixo da inflação há mais de três anos e meio, segundo a pesquisa FipeZap. Desde dezembro de 2014, a variação do preço de compra da casa própria, em 20 cidades, perde da inflação, considerando a variação em 12 meses.

A queda real dos preços dos residenciais entre o começo de 2015 e agosto deste ano é de 18,2%. Assim, um imóvel que era vendido por R$ 500 mil em janeiro de 2015  está sendo oferecido hoje por R$ 503 mil, segundo a pesquisa FipeZap. Mas, como o aumento de preços ficou abaixo da inflação, esse valor equivaleria a cerca de R$ 408,8 mil. Neste ano, até agosto, houve uma queda real de 3,14% nos preços dos imóveis prontos.

A reversão de expectativas quanto ao crescimento do País este ano e as incertezas eleitorais em outubro devem postergar a retomada do mercado imobiliário em todo o País, na visão do economista Bruno Oliva, da Fipe. “O impacto das incertezas no mercado imobiliário é duradouro, porque o consumidor vai pensar muito bem antes de se aventurar em uma dívida que pode durar até 30 anos.”

O pesquisador do Núcleo de Real Estate da Poli-USP João da Rocha Lima Júnior lembra que o mercado imobiliário, após uma onda de otimismo antes da crise, amargou uma desaceleração forte nos últimos anos. “O setor teve de se adequar, segurar preços e rever lançamentos para reduzir as perdas.”

Na virada de 2014 para 2015, a deterioração da economia começou a se refletir na alta dos distratos – como é chamada a desistência da compra de imóveis novos. Um levantamento da Fitch, feito com nove empresas do setor, apontava que de cada 100 imóveis vendidos em 2015, 41 foram devolvidos.

Mercado assume que houve sobrevalorização
Para o diretor de vendas da Lello, Igor Freire, os preços de imóveis variam abaixo da inflação porque vinham de uma sobrevalorização dos anos anteriores à crise. “Na média, hoje, o vendedor tem concordado em dar descontos de 7% a 10% para não perder a venda.”

Matheus Fabricio, diretor executivo da rede de imobiliárias Lopes conta que, nas últimas 150 vendas feitas pelo grupo em São Paulo, a média de descontos que o comprador conseguiu foi de 9%. “Nos imóveis de alto padrão, chegou a 15%.”

Com o desaquecimento do mercado, o proprietário foi obrigado a ceder e fazer uma avaliação realista do preço do imóvel, diz. Ele lembra de uma propriedade na zona sul de São Paulo que ficou mais de dois anos à venda, até que o dono aceitasse baixar o preço em 39%.

Na avaliação dos especialistas ouvidos pelo Estado, a tendência é que os preços dos imóveis não tenham uma variação significativa no começo de 2019, devendo voltar a registrar aumentos reais entre o fim do ano que vem e 2020.

(Estadão - Notícias - Geral - 05/10/2018)

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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Vídeo: Construção civil tem 17 trimestres de queda

A construção civil está como o elevador da obra: numa longa e constante descida. Desde 2013, são 17 trimestres seguidos de quedas, se a comparação for feita com o mesmo período do ano anterior. 

A construtora diz que a falta de confiança começa com o consumidor que olha, visita, mas resiste a assumir um compromisso caro e de longo prazo.


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terça-feira, 4 de setembro de 2018

Folha: Construção volta à recessão e puxa investimentos para o vermelho

Depois de um primeiro trimestre no vermelho, a atividade voltou a cair entre abril e junho, configurando uma recessão técnica (dois trimestres seguidos no negativo)

A construção civil voltou à recessão no segundo trimestre, informou na sexta-feira (31) o IBGE.

Depois de um primeiro trimestre no vermelho, a atividade voltou a cair entre abril e junho, configurando uma recessão técnica (dois trimestres seguidos no negativo).

A construção caiu 0,8% no segundo trimestre, ante os primeiros três meses do ano. Em relação ao mesmo período do ano passado, a queda foi de 1,1%. Os números confirmam que o setor ainda não conseguiu se recuperar da recessão, quando caiu quase 15% (em 2015 e 2016).

O recuo da construção contaminou os números da indústria, pois é um dos segmentos que integram o setor, e também os dos investimentos – responde por mais da metade da conta de investimentos no PIB (Produto Interno Bruto).

"Quem puxa o crescimento de um país saindo da recessão, normalmente, é a construção civil. Mas o governo não tem recursos para investir e não tem criado condições para que a iniciativa privada o faça, então a gente entrou nesse buraco. Não vai ter retomada de crescimento se não for pelo investimento, e a construção representa mais de 50% desse bolo", diz José Carlos Rodrigues Martins, presidente da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção).

Depois de quatro trimestres seguidos no positivo, o investimento voltou a cair de abril a junho deste ano.

O IBGE informou que o investimento caiu 1,8% no segundo trimestre, em comparação com os primeiros três meses do ano. Em relação ao mesmo período do ano passado, quando o país começava a sair da recessão, houve uma alta de 3,7%, em razão da baixa base de comparação.

O investimento é uma variável muito volátil, pois depende da disposição do empresário e de sua confiança no futuro da economia.

A greve dos caminhoneiros, no fim de maio, porém, derrubou os indicadores de confiança tanto de empresários quanto de consumidores.

Em julho, passado o pior momento, os indicadores tiveram uma leve melhora, mas o baque teve efeito determinante no potencial de crescimento da economia brasileira neste ano, segundo os economistas Aloísio Campelo e Viviane Seda, do Ibre/FGV, afetando intenções de investimento e de contratações.

Em seguida, vieram as incertezas das eleições e a volatilidade trazida por ela, manifestada na alta do dólar e na queda das ações das empresas na Bolsa, criando um ambiente instável e hostil ao investimento.

(Folha de São Paulo - Mercado - 31/08/2018)

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domingo, 2 de setembro de 2018

Estadão: Bancos retomaram 70 mil imóveis por falta de pagamento desde 2014


Esse esforço dos bancos em despejar os clientes rapidamente gera efeito positivo nos indicadores de inadimplência. Isso acontece porque, com a retomada do imóvel, a operação deixa de ser considerada “crédito inadimplente” e passa a ser um “ativo” do banco. A posse desses imóveis, portanto, acaba amenizando os indicadores de calote

Com a alta inadimplência nos financiamentos imobiliários provocada pela crise econômica, o número de imóveis retomados pelos bancos disparou nos últimos anos. Desde o início de 2014, as cinco maiores instituições financeiras do País retomaram R$ 11,5 bilhões em imóveis por falta de pagamento. O setor estima que essa cifra corresponde a cerca de 70 mil casas e apartamentos.

A inadimplência cresceu à medida que a crise elevou o desemprego e reduziu a capacidade financeira das famílias. Atualmente, os cinco maiores bancos têm o volume recorde de R$ 13,7 bilhões em imóveis à espera de um interessado – incluindo as unidades que já estavam no estoque –, cifra que cresceu 745% em quatro anos e meio.

Números nos balanços do Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco e Santander revelam que, juntas, as instituições tiveram aumento médio de quase R$ 2 bilhões no volume de imóveis retomados a cada ano entre 2014 e o ano passado. O ritmo continua forte em 2018 e, em apenas seis meses, bancos tomaram mais R$ 1,48 bilhão em casas e apartamentos de inadimplentes.


A líder no setor imobiliário, a Caixa, encabeça esse movimento, com cerca de 70% desse total de unidades retomadas. Em junho, eram cerca de 47 mil imóveis de clientes que, somados, valiam R$ 9,1 bilhões. Em 2016, o estoque era menos da metade: 23 mil unidades.

O mesmo fenômeno acontece nos concorrentes, ainda que com ritmo um pouco menos intenso. Desde o início de 2014, Bradesco, Santander e Itaú somaram, cada, cerca de R$ 1 bilhão a essa carteira. O BB teve aumento menos expressivo, com R$ 116 milhões no período.

“São números que chamam atenção. Se continuarmos observando esse movimento por mais um ou dois anos, poderemos ter um problema razoável”, avalia o professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo, Rafael Schiozer. O professor nota que o principal risco para os bancos é a queda do preço dos imóveis, o que reduz a possibilidade de a instituição reaver o dinheiro emprestado.

Retomada rápida dos imóveis para maquiar os indicadores de calote
O presidente da Associação dos Mutuários de São Paulo, Marco Aurélio Luz, explica que bancos normalmente retomam o imóvel em processos que duram de seis meses a um ano, mas há casos mais rápidos. Imóveis financiados pelo Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) – acima de R$ 950 mil em São Paulo, Rio, Minas e Distrito Federal, e R$ 800 mil nos demais Estados – podem ir a leilão em 90 dias. A retomada de imóveis financiados pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que têm valores abaixo dos limites do SFI, costuma demorar alguns meses a mais.

Esse esforço dos bancos em despejar os clientes rapidamente gera efeito positivo nos indicadores de inadimplência. Isso acontece porque, com a retomada do imóvel, a operação deixa de ser considerada “crédito inadimplente” e passa a ser um “ativo” do banco. A posse desses imóveis, portanto, acaba amenizando os indicadores de calote.

Segundo o Banco Central, o porcentual dos financiamentos imobiliários para pessoas físicas com inadimplência superior a 90 dias tem oscilado em torno de 2% desde o início da década. Ou seja, atrasos no pagamento são cada vez mais frequentes, mas o banco corre para liquidar a operação antes que isso seja visível na inadimplência.

(Estadão - Economia - Notícias - Geral - 27/08/2018)

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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

O Globo: Número de trabalhadores com carteira assinada na construção civil caiu 61,2% no Rio



Quem passa pelos novos prédios comerciais do Porto Maravilha, ou pela Vila Olímpica da Rio-2016, na Barra, se impressiona com a quantidade de edifícios vazios.

Acredite: despencou em 61,2% o número de trabalhadores com carteira assinada na construção civil no município do Rio entre 2012 e 2017. A queda no país como um todo, nesse período, foi de 30,5% - no Estado do Rio, sempre na pior, de 52,3%.

A conta é de Samuel Franco, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS).

(O Globo - Ancelmo Gois - 26/08/2018)

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domingo, 26 de agosto de 2018

O Globo: Preço do aluguel de imóveis residenciais recua 5,74% no Rio


Para Sonia Chalfin, diretora da Precisão Administradora, proprietários que estavam com imóveis fechados para venda estão preferindo um contrato de aluguel do que arcar com os custos das taxas, impostos e condomínio

O preço do aluguel de imóveis residenciais, no Rio, registrou queda de 5,74%, em 12 meses, encerrados em julho, segundo o Índice FipeZap. Mesmo assim, a cidade ocupa a segunda posição no ranking de preços de locação, com valor médio do metro quadrado em R$ 30,79, perdendo apenas para São Paulo onde a cobrança está em R$ 36,90. No ano passado, o valor no Rio era de R$ 33,38.

Para analistas do mercado imobiliário, a situação é mais dramática em bairros que concentram o maior número de ofertas de imóveis disponíveis, entre eles a Grande Tijuca. Neste cenário, corretores orientam os proprietários a aceitarem negociações com inquilinos ou interessados, em baixar o preço, especialmente quando a taxa de condomínio é considerada alta. Outra orientação dos profissionais é promover melhorias nos imóveis para torná-los mais atraentes.

Para Sonia Chalfin, diretora da Precisão Administradora, proprietários que estavam com imóveis fechados para venda estão preferindo um contrato de aluguel do que arcar com os custos das taxas, impostos e condomínio:

— O mercado de locação de imóveis no Rio está inundado de ofertas em alguns bairros. Observados na Tijuca o excesso de imóveis residenciais. Já no Centro, houve muita devolução de chaves de imóveis e salas comerciais. Já na região da Barra e do Recreio, foram muitos empreendimentos, embora a procura nestes locais esteja um pouco mais aquecida. O locatário hoje tem um grande poder de negociação — explica Sonia.

Outro ponto a favor para os inquilinos é que a crise econômica tem tornado cada vez maior o volume de imóveis vagos, criando oportunidades para negociações entre inquilinos e proprietários. Edson Pires, sócio da Sawala, avalia que a popularização do chamado seguro fiança — apólice que substitui a necessidade de fiador e garante ao proprietário o pagamento do aluguel — tem agilizado o fechamento de contratos.

Renovação
Além de negociar o abatimento no valor mensal, o momento é ideal para propor melhorias na moradia. Com isso, o preço pode cair mais. De acordo com especialistas, é importante o inquilino listar as melhorias de que o imóvel precisa, como um novo box para o banheiro, uma pintura externa, uma troca de piso e consertos em geral, que aumentam o conforto e a qualidade do bem.

(O Globo - Economia - 24/08/2018)

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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Estadão: Suspensão de crédito imobiliário da Caixa prejudica classe média


Trata-se de um tipo de financiamento para a compra de imóvel usado, com condições facilitadas, em que o tomador pode utilizar também os recursos de sua conta vinculada do FGTS

Nem deu muito tempo de comemorar o anúncio de medidas que ampliam e facilitam o acesso aos financiamentos imobiliários. Na mesma semana que o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou a possibilidade de compra de imóvel no valor de até R$ 1,5 milhão pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e com uso dos recursos depositados no FGTS, a Caixa Econômica Federal suspendeu parte dos créditos concedidos pela linha Pró-Cotista.

Trata-se de um tipo de financiamento para a compra de imóvel usado, com condições facilitadas, em que o tomador pode utilizar também os recursos de sua conta vinculada do FGTS. A mudança na regra do crédito imobiliário pelo CMN ocorreu em 31 de julho e a decisão da Caixa foi adotada no dia 3 de agosto.

Para a classe média
Uma das modalidades mais populares de crédito imobiliário da Caixa e a segunda mais barata depois do Minha Casa Minha Vida (MCMV), a linha Pró-Cotista cobra juros de 7,85% ao ano e financia a compra de imóveis no valor de até R$ 950 mil nos Estados de São Paulo (SP) Minas Gerais (MG) Rio de Janeiro (RJ) e no Distrito Federal (DF). Ou de até R$ 800 mil nos demais Estados do País.

O limite de valor do imóvel para o financiamento pelo Minha Casa Minha Vida é de R$ 300 mil em todo o País. Outra diferença em relação ao Pró-Cotista, que não leva em conta o critério máximo de renda, o MCMV é uma linha a que tem acesso apenas quem tem renda máxima de R$ 9 mil.

A exigência da Caixa para a concessão de crédito Pró-Cotista é que o interessado na compra financiada do imóvel por essa linha tenha conta ativa vinculada no FGTS há pelo menos 36 meses ou uma conta inativa no fundo (aquela que ficou sem depósitos regulares com o fim do contrato de trabalho) com saldo equivalente a 10% do valor do imóvel, no mínimo. O comprador também pode financiar até 80% do valor de um imóvel novo.

Embora a Caixa seja o carro-chefe entre os agentes financeiros no mercado de crédito imobiliário para a baixa e média renda, há pelo menos dois outros bancos que atuam com a linha de financiamento Pró-Cotista. Mas tanto o Banco do Brasil como o Santander concedem o crédito apenas para a compra de imóveis novos.

Os juros cobrados no Pró-Cotista variam de banco para banco e conforme o relacionamento do comprador do imóvel com a instituição financeira. As taxas mínimas oscilam de 8,8% ao ano a 9%, além da Taxa Referencial (TR).

Ao suspender o crédito imobiliário pela linha Pró-Cotista, a Caixa tira com uma mão o acesso à casa própria pela classe média, que concentra a grande demanda por imóveis nessa faixa de financiamento, em favor dos que serão contemplados por decisão do CMN com o uso do FGTS na compra de imóveis no valor de até R$ 1,5 milhão em todo o País pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH).

No crédito imobiliário pelo SFH, as taxas de juro são ligeiramente superiores, com um limite atual de 12% ao ano. O SFH financia a compra de imóveis com recursos captados pelos bancos por meio da caderneta de poupança, mas o comprador do imóvel pode usar também os recursos depositados no FGTS para dar como entrada, pagamento de parte das prestações e para amortização da dívida.

O valor máximo do imóvel para o financiamento pelo SFH é o mesmo do Pró-Cotista: R$ 950 mil para os situados nos Estados de SP, RJ, MG e no DF e R$ 800 mil para os demais.

Novas condições
Embora prevista para vigorar a partir de 1º de janeiro do ano que vem, a compra de imóvel financiada pelo SFH dentro das novas condições poderá ser antecipada para setembro deste ano. A ideia está em estudos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

O uso dos recursos do FGTS para a compra de imóvel será permitido apenas para quem tem no mínimo três anos de trabalho e recolhimentos ao fundo. Outras condições são que não tenha ainda nenhum financiamento pelo SFH nem seja proprietário de imóvel.

Até que as novas regras aprovadas pelo CMN entrem em vigor, continuam valendo as normas que preveem o uso do dinheiro do FGTS como entrada na compra ou na amortização de financiamento de imóvel no valor de até R$ 950 mil, nos Estados de SP, MG, RJ e no Distrito Federal.  O valor máximo de imóvel para os demais Estados do País é R$ 800 mil.

O saldo existente na conta vinculada do fundo não pode ser usado para outras finalidades, como na reforma ou na ampliação nem na compra de material de construção para benfeitorias no imóvel.

A mudança nas regras de financiamento habitacional pelo SFH tem como objetivo estimular a retomada de negócios no mercado imobiliário e ativar a construção civil, o que tem força para fazer a economia andar e gerar empregos.

A expectativa é que o aumento do teto de valor do imóvel para o uso do FGTS incentive os interessados a fechar a compra dando como entrada os recursos existentes na conta vinculada do fundo.

(Estadão - Economia - Blogs - Regina Pitoscia - 15/08/2018)

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domingo, 19 de agosto de 2018

Portal GaúchaZH: Inadimplência faz disparar retomada de imóveis financiados

Maior financiadora de imóveis do país, a Caixa Econômica Federal já colocou à venda ou para leilão neste ano 19,4 mil casas e apartamentos retomados de quem deixou de pagar as prestações em dia – em todo ano passado, foram 28,2 mil. E o estoque de imóveis recuperados pela instituição nunca foi tão alto: são 47 mil unidades aguardando novos donos

A crise econômica e a persistência do desemprego nas alturas têm levado cada vez mais gente a perder o que, para muitos, é seu grande sonho: a casa própria. Maior financiadora de imóveis do país, a Caixa Econômica Federal já colocou à venda ou para leilão neste ano 19,4 mil casas e apartamentos retomados de quem deixou de pagar as prestações em dia – em todo ano passado, foram 28,2 mil. E o estoque de imóveis recuperados pela instituição nunca foi tão alto: são 47 mil unidades aguardando novos donos.

– Via de regra, os bancos preveem em contrato a retomada do imóvel após 90 dias de atraso nas parcelas. Passado este prazo, o banco notifica o mutuário, reincorpora o imóvel e prepara sua oferta em leilão – descreve o advogado especializado em direito imobiliário Rafael Paiva Nunes.

O procedimento está previsto nos contratos com garantia de alienação fiduciária – praticamente todos firmados desde 1997. Como corre por via cartorial, sem disputa judicial, a reincorporação é rápida. O banco paga o Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), extingue o contrato de financiamento e fica livre para vender o imóvel.

Para piorar a situação do inadimplente, a negociação no leilão é feita por valores abaixo dos de mercado, que são usados para cobrir a dívida, multas, juros e a fatia que falta no financiamento – ou seja, geralmente nada sobra para o antigo dono.

– Por esta razão, o mutuário não deve nunca deixar o imóvel ir a leilão. É preferível tentar renegociar com os bancos ou vender antes a casa, mesmo que por um valor abaixo do de mercado – explica Paiva Nunes.

Dificuldade para pagar as contas
Esta é a empreitada de uma moradora de Canoas que há dois anos vive uma rotina de renegociações com a Caixa Federal. A auxiliar administrativa, que pediu para não ser identificada a fim de evitar constrangimentos, largou o emprego quando nasceu prematuramente sua filha. Desde então, mergulhou em dificuldades financeiras. Mais de uma vez, o banco anunciou a iminência da retomada do imóvel, mas ela e o marido conseguiram convencer o gerente a jogar a dívida para mais adiante, diluindo-a nas prestações seguintes.

No ano passado, a mulher voltou a trabalhar, mas ganhando menos do que no emprego anterior, o que a impediu de manter a regularidade no pagamento. No início deste ano, mais uma vez, o banco anunciou a retomada, mas ela tomou um empréstimo e quitou os atrasados:

– Vivemos na corda bamba. Pago um mês, mas atraso dois. Como a renda familiar caiu muito, a gente nunca consegue pagar as parcelas em dia. Por enquanto, estamos conseguindo manter nosso apartamento, mas à base de muito sacrifício.

Procura por auxílio para não perder o imóvel dispara
Em geral, os bancos são receptivos à tentativa de renegociação. Uma das alternativas oferecidas é o congelamento de parcelas, com retomada do pagamento nos meses seguintes. De acordo com a Caixa Federal, se o contrato não estiver em atraso e o comprador tiver pago, no mínimo, 24 prestações desde a concessão do financiamento ou a última negociação, é possível pausar até 12 prestações mensais. O valor da dívida será somado às parcelas futuras, sem mudança no prazo. O Banco do Brasil permite renegociar as parcelas em atraso, diluindo o valor não pago nas próximas parcelas.

– O importante é que o cliente procure o banco antes que este pague o ITBI e reincorpore o imóvel, senão a renegociação se torna muito mais difícil – explica Anderson Machado, diretor da Associação dos Mutuários e Moradores do Rio Grande do Sul (AMMRS).

Machado comenta que, neste ano, a quantidade de pessoas que procuraram a associação preocupadas com a iminência da perda do imóvel disparou – na maior parte dos casos, mutuários do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Hoje, a AMMRS move 3,2 mil processos na tentativa de reverter perdas de imóveis. A esperança é de que seja verificada alguma irregularidade no processo da retomada do imóvel, aberto um processo revisional ou que o juiz determine que o banco tente uma reconciliação.

Foi o caso de um morador de Alvorada, de 42 anos. No ano passado, ele, que prefere não se identificar, se endividou na compra de um carro e perdeu o emprego, o que o levou a atrasar por quatro meses o pagamento da casa comprada pelo MCMV. Quando procurou o banco para acertar os atrasados, descobriu que o imóvel já havia sido reincorporado pelo banco e estava prestes a ser leiloado.

– O banco não quis renegociar, então, entrei com uma ação na Justiça. Daí, sim, o advogado do banco me ligou para negociar. Consegui voltar a trabalhar e paguei todos os atrasados, felizmente – conta.

As possibilidades para evitar a perda do bem
- Se tiver saldo no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), você poderá utilizá-lo para pagar parcelas atrasadas. O fundo pode cobrir até 80% do valor das parcelas que ficaram para trás. Mas atenção: por determinação do Conselho Curador do FGTS, esta opção só valerá até o final de 2018.

- Evite deixar chegar o momento da retomada do imóvel, quando é pago o ITBI pelo banco, pois nesta etapa praticamente se fecham as portas para renegociar o financiamento, mesmo com pagamento dos atrasados.

- Se estiver com problemas financeiros e perceber que não conseguirá mais quitar as parcelas, providencie imediatamente a venda do imóvel, mesmo que por valor abaixo do mercado. Desta forma, irá recuperar valores já pagos pelo imóvel (como entrada, FGTS e parte do financiamento) sem o desconto de multas e taxas. Se o imóvel for a leilão, é difícil a recuperação de qualquer valor investido.

- Mesmo se houver a consolidação da propriedade por inadimplência, consulte um advogado para verificar se o rito adequado para a expropriação foi seguido. Às vezes, os bancos cometem falhas que podem acabar revertendo a perda do imóvel e dando mais tempo para que o mutuário resolva sua situação. Além disso, por via judicial, também é possível tentar reverter a consolidação do imóvel pelo banco ou retomar o pagamento do contrato por depósitos em juízo.

(Portal Gaúcha ZH - Economia - Dicas de Economia - Notícia - 10/08/2018)

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