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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O Globo: Mercado imobiliário teme mais prejuízos com aumento do IPTU no Rio

— O aluguel já está muito espremido pelos altos custos dos condomínios, que aumentaram com a inflação e a elevação das despesas. Como os proprietários não conseguem mexer nesse valor, acabam reduzindo o aluguel, já que o mercado não está em um bom momento e é regido pela “lei” da oferta e da procura

Desde que o prefeito Marcelo Crivella trouxe a público a sua intenção de mudar as regras de cobrança do IPTU e do ITBI, o mercado imobiliário acompanha com apreensão as discussões em torno do tema. E a aprovação do projeto, em primeira discussão na Câmara Municipal, por 32 votos a 18, só fez aumentar as preocupações. Se por um lado Crivella alega a necessidade de corrigir as defasagens na arrecadação, por outro os representantes do setor temem que a elevação achate o preço do aluguel e torne ainda mais difícil manter os imóveis ocupados em um mercado que luta para se restabelecer.

Como o GLOBO vem divulgando, a proposta da prefeitura, cuja votação final está prevista para quinta-feira, prevê que o valor do IPTU seja reajustado em até 70%, em média, para imóveis residenciais em bairros como Santa Teresa, Centro e Zona Portuária. Na cidade toda, o aumento médio seria de 36%, segundo a Secretaria Municipal de Fazenda. Mas entidades como a Fecomércio fizeram simulações que indicam casos em que o imposto pode ser reajustado em até 153% para unidades comerciais. Já um levantamento solicitado à própria secretaria municipal pela bancada do PSOL prevê que a cobrança deve ficar, em média, até 47,99% mais cara em toda a cidade.

— O aluguel já está muito espremido pelos altos custos dos condomínios, que aumentaram com a inflação e a elevação das despesas. Como os proprietários não conseguem mexer nesse valor, acabam reduzindo o aluguel, já que o mercado não está em um bom momento e é regido pela “lei” da oferta e da procura. Agora, com o aumento do IPTU, essa cobrança ficará ainda mais achatada. É um obstáculo a mais que o setor terá que enfrentar — prevê o vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi-Rio), Leonardo Schneider.

A situação é ruim também para quem tem imóvel vazio, como ele acrescenta. Caso sejam aprovadas as mudanças, a cobrança do imposto, normalmente repassada ao inquilino, vai pesar ainda mais no bolso dos proprietários.

Caso a aprovação se concretize, o advogado especialista em mercado imobiliário Arnon Velmovitsky lembra que a Lei do Inquilinato estabelece custo do imposto predial pode ser repassado ao locatário, desde que esteja estipulado no contrato. Quando isso acomtece, o aumento não configura um motivo justo para o inquilino solicitar a rescisão, se a conta recair sobre ele.

— Trata-se de disposição externa a relação entre locador e locatário, que não pode ser controlada por nenhuma das duas partes envolvidas na relação contratual — diz Velmovitsky.

Debate
Para tentar mudar o rumo das decisões, o Secovi e outras dez entidades sindicais e privadas enviaram uma carta conjunta à presidência da Câmara Municipal, às lideranças partidárias e a cada vereador, solicitando um debate público, no qual os critérios por trás das mudanças possam ser explicados e discutidos. O encontro vai acontecer amanhã na Câmara e a ideia é encontrar alternativas para essa cobrança.

— Minha expectativa é de que haja algum tipo de reajuste, mas com uma situação escalonada, em que a gente não sofra um impacto tão direto, com percentuais tão altos. Espero que algum tipo de emenda estabeleça que isso possa ser feito de maneira mais suave, em alguns anos, dividido em parcelas — afirma Schneider.

O engenheiro econômico e especialista em finanças da Universidade Veiga de Almeida (UVA) Haroldo Monteiro também não vê com bons olhos as propostas apresentadas até agora.

— Mais uma vez, o governo faz com que o público arque com a sua ineficiência. Mais tributos significa menos dinheiro no bolso da população, que consumirá menos, fazendo com que haja menos renda disponível para compras — critica ele. — Esta medida vem num momento em que existe uma recessão forte, principalmente em nosso estado, prejudicando o reaquecimento da economia.

Apesar de os temores serem maiores em torno do mercado de locação, Monteiro acha que o setor de compra e venda também sofrerá impactos, embora mais sutis.

— Dependendo da região onde houve o aumento, poderá gerar um pequeno desaquecimento na margem. Mas vejo impacto limitado somente para quem financia uma grande parte de seus imóveis e ficam com seus orçamentos domésticos mais apertados — calcula ele.

Já o vice-presidente da administradora de imóveis Renascença, Alexandre Parente, teme que as novas taxas façam com que inquilinos passem a entregar os apartamentos, em busca de alternativas mais baratas.

— As pessoas podem, por exemplo, migrar para bairros mais baratos ou até retornar para a casa dos pais. E a taxa de vacância, que gira em torno de cinco meses na cidade, pode ficar ainda maior em determinadas regiões — alerta ele.

O gerente geral de condomínios da Apsa, Jean Carvalho, endossa a lista de críticas que as propostas vêm recebendo. Para ele, a elevação pode até mesmo aumentar a inadimplência do IPTU. Além disso, Carvalho questiona a própria justificativa de defasagem apresentada pelo executivo.

— O que vemos no mercado é que a prefeitura tem atualizado os valores venais dos imóveis. Portanto, não considero que esteja defasado, já que o tributo se dá em função disso. Somente do ponto de vista dos endereços isentos é que acredito caber algum tipo de revisão. Não é justo alguns pagarem e outros não — diz ele.

Prefeitura alega defasagem
Em meio à enxurrada de reclamações que a proposta de reajustes nos valores do IPTU vem recebendo, a prefeitura defende a mudança sob o argumento da desatualização no método de cobrança.

Por meio de uma nota, a Secretaria Municipal de Fazenda enfatizou que a Planta Genérica de Valores da cidade não é atualizada desde 1997. Por isso, os valores venais descritos para os 25 mil logradouros ou trechos de logradouros existentes geram distorções no imposto.

As revisões, segundo a pasta, propõem justamente essa atualização da planta e levam em consideração a capacidade contributiva dos proprietários. “Atualmente, os valores venais para os imóveis residenciais equivalem, em média, a 1/6 do valor de mercado do imóvel. Pela proposta, esses parâmetros seriam ajustados para, em média, 1/4 do valor de mercado”, diz o texto.

A secretaria argumenta também que o texto prevê o escalonamento dos valores atualizados. Em 2018, apenas metade do valor adicional do imposto será lançado no carnê e, somente em 2019, o contribuinte passaria a pagar o valor total.

“Sabemos que o momento pelo qual a nossa economia passa traz dificuldades para todos os setores, o mesmo sendo válido para os entes públicos. (...) Essa falta de atualização tem gerado desequilíbrios que precisam ser corrigidos. Para se ter uma ideia, dos 1,9 milhão de imóveis cadastrados, 1,1 milhão pagam IPTU”, diz o texto.

Presidente do Instituto Pereira Passos (IPP), o economista Mauro Osório concorda com os argumentos apresentados pelo município. Segundo ele, aproximadamente 2/3 dos imóveis na cidade não pagam o imposto, o que é um motivo bastante razoável para a revisão. Da mesma maneira, o IPTU per capita na cidade também reforça a essa necessidade.

— Este índice é atualmente de R$ 358,28. Com as mudanças, iria para R$ 430. Para se ter uma ideia, em São Paulo o valor é R$ 626,84 e em Niterói, R$ 620,11 — ilustra ele. — É claro que não podem propor algo que seja impagável. Mas, ao meu ver, as propostas apresentadas estão dentro de um limite justo.

(O Globo - Economia - Imóveis - 27/08/2017)

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9 comentários:

  1. Não estou nem aí... já vendi meu bolhudo de 47 metros quadrados por R$450.000,00 em 2015 e já garanti minha aposentadoria e aluguei um bolhudão de 100 metros quadrados por R$1.200,00/mês aqui no Rio mesmo, um pouquinho mais longe de Copacabana.
    Por mim pode aumentar iptu, ipi, ipa, condomínio, pode chegar a trilhões que não me incomodo nem um pouco...
    Podem vender caro, podem pedir R$20.000,00 o metro quadrado mesmo, tem todo meu apoio não me incomodo, moro de aluguel e fiz o dever de casa.

    Não adianta desesperar pensando que tomou prejuízo, porque tomou viu, não adianta chorar ou tentar dar uma de carioca esperto e tentar vender pelo dobro que comprou, porque não vai conseguir, não vai.

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    1. No Hell temos vendas portuguesas> paga 700 mil e vende por 150 mil...não sei que e mais doido, o que vende ou quem compra...kkkk

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  2. Concordo com esse aumento, pra imóveis na zona sul , se um apt de 45 metros com vaga de garagem vale 700 mil porque o IPTU é 125,55 reais ,que pode ser pago em até 10 vezes sem juros.

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  3. Não paguem,deixe ir a leilão,pois não tem mais comprador mesmo com $$$$$$$$$$$$$....pra jogar fora.Não pagar mais mposto ao desgoverno é a solução.

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  4. TB concordo se os bolhudos que na época eram 400 mil e agora estão avaliando em 700 mil tem que pagar mesmo ...

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    1. Aqui não é lugar de corvos.

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  6. E o povo que se explodaaaaaaaaaaaa...

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  7. Tá barato seus imóveis amigo.
    02 quartos 295.000...
    Acho que vou querer 02, um para morar, outro para alugar kkkkkk
    Laranjada acabou viu. Quer ganhar 6% fácil?
    Sei viu

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