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quinta-feira, 14 de junho de 2018

Hoje em Dia: Construção perde 55,3 bi, fecha 4 mil empresas e demite 428 mil


Os dados são da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), referente a 2016, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). [...] "Em um contexto de instabilidade econômica começado em 2015, com aumento no desemprego e redução da renda, crédito mais escasso e caro, os agentes econômicos tendem a postergar ou cancelar os investimentos."

Em 2016, ano em que a economia brasileira atingiu o fundo do poço, o setor de construção deixou de movimentar R$ 55,3 bilhões, fechou quatro mil empresas e eliminou 428.603 postos de trabalho em todo o País. Os dados são da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), referente a 2016, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Naquele ano, a atividade de construção totalizou R$ 318,7 bilhões em incorporações, obras e serviços, um tombo de 14,8% em relação a 2015, quando já tinha encolhido 15,9%. O desempenho negativo se refletiu no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que encolheu 3,5%, sob impacto, entre outros fatores, da queda de 10,3% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB).

"Em um contexto de instabilidade econômica começado em 2015, com aumento no desemprego e redução da renda, crédito mais escasso e caro, os agentes econômicos tendem a postergar ou cancelar os investimentos. Dessa forma, o setor da construção foi afetado em 2016 refletindo em uma queda real de 14,8% no valor das incorporações, obras e/ou serviços da construção na PAIC", ressaltou o IBGE.

O instituto lembrou que, em 2016, o crédito imobiliário com recursos da poupança e do Fundo de Garantia do tempo de Serviço (FGTS) teve queda nominal de 16,2%, além de recuo de 10,2% no número de unidades financiadas em relação a 2015.

O resultado geral do setor, porém, foi puxado pela queda de 22,1% no segmento de Obras de Infraestrutura. O componente também foi o que mais influenciou as perdas nos postos de trabalho na construção naquele ano (-17,5%), na massa salarial real (-21,9%) e no salário médio mensal pago aos trabalhadores (-5,2%).

Financiador de infraestrutura, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reduziu os desembolsos de R$ 135,9 bilhões em 2015 para R$ 88,3 bilhões em 2016.

O valor das obras e serviços da construção no País atingiu 299,1 bilhões naquele ano, sendo 31,5% desse montante contratados por entidades públicas, o equivalente a R$ 94,1 bilhões. O restante foi proveniente de obras contratadas por pessoas físicas ou entidades privadas.

O País tinha 127 mil empresas ativas na construção, ocupando cerca de 2 milhões de pessoas em 2016. O total de salários e remunerações alcançou R$ 58,5 bilhões, com um salário médio real mensal de R$ 2.235,2.

(Portal Hoje em Dia - Primeiro Plano - Economia - 07/06/2018)

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segunda-feira, 11 de junho de 2018

O Globo: Distrato de imóvel na planta renderá multa de 50% do valor pago


As construtoras consideram a alta taxa de distratos no país desde o início da recessão como uma das causas para a crise que atingiu as empresas do setor. [...] Todas as incorporadoras do país tiveram destruição de valor, algumas pediram recuperação judicial, outras fecharam — diz Luiz França, presidente da Abrainc

Após um acordo para correr com a pauta econômica, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que dita as normas para o comprador de imóvel na planta desistir do negócio. Para fazer o distrato com a construtora, a melhor opção é o próprio cliente achar outro interessado na unidade para fugir de pagar multa que pode chegar a 50% de tudo o que pagou. O projeto de distrato, que ainda tem de passar pelo Senado, é tido pela equipe econômica como o que faltava para destravar o setor da construção e diminuir os juros para quem quer a casa própria.

O texto é um substitutivo proposto pelo deputado José Stédile (PSB/RS) ao projeto de lei 1.220/2015, de autoria do deputado Celso Russomanno (PRB/SP), que defendia que a fatia do valor já pago pelo comprador do imóvel pela incorporadora em caso de rompimento de contrato ainda durante a obra seria de apenas 10%.

A votação foi simbólica. Segundo o texto acordado, a pessoa que desistir do imóvel pode se livrar das multas se encontrar um interessado em fechar negócio, mas o novo comprador tem de ter o cadastro aprovado pela construtora. Se não achar um comprador para passar seu imóvel adiante, terá de arcar com uma taxa de corretagem, que normalmente é de 5% do valor total do imóvel, que pode ser abatida do que foi pago. Há ainda multa. Ela varia de acordo com o tipo de imóvel comprado.

Se for uma unidade adquirida de um empreendimento que está sob regime de patrimônio de afetação, ou seja, quanto a obra em questão tem uma contabilidade completamente separada das contas da construtora, o cliente que desistir terá de arcar com uma multa que pode ser de até 50% do valor já pago pelo comprador, já descontada a taxa de corretagem. Contabilidade separada foi uma medida criada depois da falência da Encol nos anos 90. A regra evita que a quebra de uma construtora contamine vários empreendimentos e várias famílias fiquem sem casa. O problema é que a pessoa só receberá o dinheiro depois do Habite-se do prédio.

Já no caso de a contabilidade da obra não estar separada, a multa é menor: no máximo 25% do valor que o cliente já desembolsou, já descontada a taxa de corretagem.

As construtoras consideram a alta taxa de distratos no país desde o início da recessão como uma das causas para a crise que atingiu as empresas do setor. No terceiro trimestre de 2016, o percentual de imóveis distratados chegou a 46,3% do total vendido. Em março último, a taxa recuou a 20%, segundo dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).

— Quando o consumidor compra um imóvel na planta por R$ 4 mil o metro quadrado e recebe, três anos depois, valendo R$ 7 mil o metro quadrado, ele ganha essa valorização. Se acontece o contrário, ele decide devolver o imóvel? Isso cria um desequilíbrio no mercado. É preciso haver uma regra para isso. Todas as incorporadoras do país tiveram destruição de valor, algumas pediram recuperação judicial, outras fecharam — diz Luiz França, presidente da Abrainc.

'Consumidor pode ter mais medo de comprar imóveis’
Patrícia Cardoso, coordenadora Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública do Rio, sustenta que é preciso diferenciar investidores de mutuários. Ela pondera que a crise financeira das incorporadoras vem do freio na demanda por imóveis e na oferta de crédito para as companhias.

— É um absurdo (o que passou na Câmara) e completamente dissonante com a jurisprudência construída no STJ (Superior Tribunal de Justiça) nos últimos anos, que estabelecia percentuais entre 25% e 30% a serem retidos pela incorporadora — diz Patrícia.

Para ela, a atual proposta pode acabar, mais adiante, tendo impacto negativo na demanda por imóveis:

— Toda legislação que é formulada para resolver uma crise pontual do país se mostra, posteriormente, nociva para a sociedade e para o próprio mercado. Na prática, as pessoas vão ter mais medo de comprar um imóvel, temendo perder metade do valor pago caso deixem de ter condição de pagar. Na recessão, muita gente perdeu renda, ficou desempregada.

França da Abrainc, de outro lado, defende que a definição de regras claras para o distrato irá trazer segurança jurídica para as incorporadoras, estimulando novos investimentos. Sem isso, diz ele, poderia haver uma explosão de preços de imóveis em caso de aumento da demanda à frente da oferta de novos projetos nos próximos anos.

— Se a demanda estiver forte e não tiver estoque novo para venda, o preço sobe — sustenta França.

Pelo projeto que recebeu aval no plenário da Câmara, fica estabelecido em contrato que construtoras que atrasarem as obras em até 180 dias além da data de conclusão prevista em contrato não terão de pagar multas. A partir disso, devem arcar com um valor a título de aluguel para o cliente. Quem comprar imóvel em stand de vendas poderá desistir do negócio em até sete dias sem custos.

Se após esse prazo de tolerância de 180 dias o imóvel não for entregue, o comprador pode pedir o distrato, recebendo integralmente o valor já pago à incorporadora, além de equivalente à multa estabelecida em contrato, num prazo de até 60 dias após decidida a resolução da compra. Se o consumidor não quiser distratar, ele deve receber uma indenização de 1% do total dos pagamentos já feitos à construtora a cada mês de atraso, com correção por índice também estabelecido em contrato.

Para os técnicos da equipe econômica que acompanham as votações dos temas na Câmara, o texto é bom para o ambiente de negócios e deve favorecer a queda dos juros. A justificativa é que a facilidade de desfazer o negócio é importante para dar garantias que a obra não será interrompida por falta de recursos, principalmente, quando a contabilidade for separada e a construção depender exclusivamente dos recursos pagos apenas pelos futuros moradores.

— Não tenho a menor dúvida de que esse projeto era o que faltava para destravar o setor. A obra não pode ficar sem dinheiro para ser tocada — diz um técnico que justifica que o projeto brasileiro ainda foi muito favorável ao consumidor. — Em outros países, além de não receber nada de volta, quem desistir tem de pagar uma multa.

França destaca que o mercado de incorporação imobiliária depende do alinhamento de três pilares para avançar:

— É preciso ter um marco regulatório adequado, confiança do consumidor aliada a baixo desemprego, além de taxa de juros para financiamento abaixo de dois dígitos. Falta um pilar para termos este alinhamento — diz ele, se referindo à falta de confiança do consumidor e à alta taxa de desemprego no país.

(O Globo - Economia - 06/06/2018)

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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Estadão: Com mercado em crise, vendas de imóveis com desconto crescem



Com a recuperação da economia brasileira caminhando a passos lentos, cresceu a proporção de donos de imóveis que admitiram conceder descontos para efetivar as vendas. O porcentual de transações com descontos subiu de 63% em julho de 2017 para 66% em março de 2018, segundo pesquisa feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o site Zap Imóveis. O patamar de março ainda permanece acima da média histórica, que também é de 63%. Entre os compradores, 61% buscaram o imóvel como moradia e 39%, para investimento.

(Estadão - Blogs - Coluna - 31/05/2018)

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segunda-feira, 28 de maio de 2018

Folha: Atividade e emprego continuam em queda na construção


O indicador de expectativas para os próximos seis meses ficou em 57,3 pontos em maio. Mas a percepção sobre a situação presente dos negócios piorou. O indicador de condições atuais caiu para 46,7 pontos

O nível de atividade e o emprego continuam em queda na indústria da construção. O indicador de nível de atividade caiu para 46,9 pontos e o de número de empregados recuou para 44,6 pontos em abril.

As informações são da Sondagem Indústria da Construção, divulgada na sexta (25) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os indicadores da pesquisa variam de zero a cem pontos. Quando estão abaixo de 50 apontam recuo da atividade e do emprego.

A pesquisa mostra ainda que o nível de utilização da capacidade de operação ficou em 60% no último mês. Isso significa que o setor operou com 40% das máquinas, dos equipamentos e dos trabalhadores parados.

No entanto, os empresários estão otimistas com o desempenho do setor nos próximos meses. Todos os índices de expectativas estão acima dos 50 pontos, indicando que os industriais apostam no aumento da atividade, dos novos empreendimentos e serviços, da compra de matérias-primas e no número de empregados nos próximos seis meses.

De acordo com o levantamento da CNI, o índice de confiança do empresário da construção (ICEI-Construção) diminuiu um pouco e ficou em 53,8 pontos em maio, acima da média histórica de 52,9 pontos e da linha divisória dos 50 pontos, que separa a confiança da falta de confiança.

"Isso é resultado do otimismo dos empresários em relação ao desempenho das empresas e da economia nos próximos seis meses", diz a confederação em nota.

O indicador de expectativas para os próximos seis meses ficou em 57,3 pontos em maio. Mas a percepção sobre a situação presente dos negócios piorou. O indicador de condições atuais caiu para 46,7 pontos.

A pesquisa mostra ainda que a disposição dos empresários para investir também diminuiu. O índice de intenção de investimentos recuou 1,9 ponto em relação a abril e ficou em 33,3 pontos em maio.

A edição da pesquisa Sondagem Indústria da Construção ouviu 541 empresas do setor entre os dias 1º e 14 de maio. A pesquisa completa está disponível na página da CNI.

(Folha de São Paulo - Mercado - 25/05/2018)

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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Valor: PDG tem 12 obras paradas seis meses após aprovar plano de recuperação


Quase seis meses depois da aprovação de seu plano de recuperação judicial, a PDG Realty segue com obras paradas em 12 dos 14 empreendimentos não entregues e ainda não conseguiu fechar com bancos suplementação de recursos para concluir os projetos. Por outro lado, o aumento de capital previsto foi realizado, está em curso a execução do plano - com a venda de imóveis para arcar com passivos - e R$ 100 milhões serão pagos, neste ano, a credores das classes I, III e IV. A PDG já passou pelo pior momento e volta a olhar para o futuro, na avaliação do presidente da companhia, Vladimir Ranevsky.

(Valor Online - Empresas - 22/05/2018)

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segunda-feira, 21 de maio de 2018

O Tempo: Construtora paralisa obras em 20 empreendimentos e mutuários entram na justiça


Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), Vinicius Costa, a situação não é incomum. “As construtoras acabam utilizando o dinheiro de um empreendimento para finalizar o outro e criam uma bola de neve. Isso, infelizmente, acontece com frequência”, conclui

Sonhos de sair da casa dos pais, de se casar ou parar de pagar aluguel se transformaram em pesadelo para compradores de apartamentos da construtora Casa Mais, com sede em Belo Horizonte, que paralisou as obras de pelo menos 20 empreendimentos em Belo Horizonte e região, além de Uberlândia e Juiz de Fora.

A ascensorista Heloísa de Jesus Costa, 51, comprou na planta um apartamento no residencial Village, da Casa Mais, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte, em junho de 2015, com previsão de entrega em setembro de 2016. Mas a obra não foi terminada e está parada. “Não tem ninguém trabalhando, nem um segurança. Estive no local no mês passado. Tenho muito medo de perder o dinheiro que paguei e de invadirem o local”, afirma Heloísa.

Ela comprou o apartamento para o filho se casar e paga mais de R$ 400 por mês para a Caixa Econômica Federal por “evolução de obra”. “Meu filho adia o casamento há dois anos”, diz. Eles entraram na Justiça contra a construtora e fizeram um boletim de ocorrência na Polícia Civil.

Um grupo de cerca de 35 compradores acionou a Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH) em função da paralisação das obras da Casa Mais. “Vamos entrar com uma ação civil pública contra a construtora no Tribunal de Justiça e pedir o acompanhamento do Ministério Público para apurar se houve desvio de dinheiro”, afirma o presidente da ABMH, Vinicius Costa. Ele explica que, nos contratos avaliados, há uma cláusula que garante que os valores destinados para um empreendimento não podem ser usados em outro. “Baseado nessa cláusula, será apurado se teremos ação criminal”, declara.

Sumiço
As obras do residencial Quinta da Boa Vista, da Casa Mais, em Sabará, estão paralisadas desde março, segundo a assistente de departamento pessoal Sheila Di Angelis Lima, 29. Ela comprou uma unidade em outubro de 2016 e já investiu cerca de R$ 20 mil no apartamento. “Estive lá em fevereiro e tinha gente trabalhando. Em março, as obras pararam, e soubemos que os funcionários tinham sido demitidos”, conta Sheila.

Ao entrar em contato com a empresa, descobriu que a sede tinha sido desativada. “Estive na loja da Casa Mais, que ficava na rua Espírito Santo (região Central de Belo Horizonte), e não tinha nada lá. No site, vi que a construtora tinha mudado para o bairro Floresta e, quando cheguei no endereço, não encontrei nada”, afirma Sheila. Além disso, ela também foi informada sobre várias demissões na empresa.

Segundo o advogado da Casa Mais, Albert Wagner Rocha, a empresa não faliu e nem está em recuperação judicial. “A empresa passa por uma reestruturação, em razão da crise financeira que existe. Por causa dessa reestruturação, houve a mudança de sede. Alguns funcionários foram demitidos e a obra do Quinta da Boa Vista foi paralisada”, conta. Segundo ele, como a empresa ainda não está totalmente adaptada no novo local, alguns clientes podem ter tido dificuldade de atendimento. Sobre o atraso em outras obras, o advogado afirmou que não tinha informações.

Demissões
“A Casa Mais, além de paralisar obras, demitiu funcionários sem pagar acertos e salários atrasados. Fui demitida em fevereiro de 2018 e até hoje não me pagaram o acerto e nem os dois salários que estavam atrasados”, diz Marina Miranda, 26, que trabalhava no serviço de atendimento ao cliente da empresa.

O corretor Christhiann Marcell Andrade, 27, saiu da empresa em março deste ano. “Não recebi acerto e o salário estava atrasado desde janeiro. Também ficaram me devendo a comissão de um imóvel”, conta. Albert Rocha, porém, diz não ter conhecimento de demissões na área administrativa. “Envolvem terceirizados de empreiteiras, que receberam e não pagaram seus funcionários. Quando eles entram na Justiça, citam a Casa Mais”, afirma o advogado.

Caixa já notificou a empresa
A Caixa Econômica Federal tem contratos com a construtora Casa Mais em sete empreendimentos, já fez uma notificação extrajudicial e acionou a seguradora da empresa, que são, segundo o banco, “as providências administrativas previstas em contrato”, diz a nota.

Uma das maiores preocupações dos clientes da construtora são possíveis invasões. “Tivemos uma reunião na Caixa e falamos sobre a preocupação com as invasões. Porque alguns apartamentos estão mais adiantados do que outros. E não tem segurança alguma nas obras (abandonadas)”, alerta a cliente da Casa Mais, Sheila Di Angelis Lima. Tanto a Caixa como o advogado da construtora, Albert Wagner Rocha, afirmam que a seguradora, quando acionada, fica responsável pela segurança das obras. “Os empreendimentos são todos seguradas, o que dá tranquilidade aos clientes”, afirma Rocha.

Segundo a nota da Caixa Econômica Federal, a seguradora também ficará responsável por avaliar se a finalização da obra será feita por outra construtora, já que o banco, pelo contrato, pode definir uma nova empresa para terminar os empreendimentos. “A Caixa já acionou a seguradora e, caracterizando o sinistro, a mesma assumirá a obra com a contratação de outra empresa para concluí-la”, informa o banco.

Segundo Rocha, a empresa tem condições de reassumir as obras. “Temos plenas condições. Mas, agora, é necessário negociar com a Caixa, já que o banco tem o poder de indicar outra construtora. Nosso interesse, porém, é finalizar os empreendimentos”, afirma.

Pagamentos continuam
Os pagamentos para a Caixa Econômica Federal da evolução da obra continuam sendo feitos pelos clientes da Casa Mais, mesmo com as obras paradas. “É importante continuar fazendo os pagamentos para não ficar ‘negativado’. Por isso, não parei de pagar”, afirma o técnicos em telecomunicações Douglas Teixeira Lopes, 28, que comprou na planta um apartamento no residencial Quinta da Boa Vista, da Casa Mais, em Sabará.

Sheila Di Angelis, que também tem uma unidade no empreendimento, conta que paga o banco e a entrada para a construtora. “Quando temos problema com o boleto da entrada, a construtora atende” reclama.

Problema generalizado
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), Vinicius Costa, a situação não é incomum. “As construtoras acabam utilizando o dinheiro de um empreendimento para finalizar o outro e criam uma bola de neve. Isso, infelizmente, acontece com frequência”, conclui.

(Portal O Tempo - Capa - Economia - 12/05/2018)

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quarta-feira, 16 de maio de 2018

Folha: Caixa dois de venda de imóveis abastecia esquema de propinas

Apesar de o delator não ter entrado em detalhes sobre essas transações, elas podem ter envolvido a sonegação de impostos, como os incidentes sobre lucro imobiliário e o ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), e de taxas como as de registro em cartórios de imóveis

A empresa do grupo Odebrecht dedicada à venda de unidades residenciais e comerciais no Brasil aceitava receber dos clientes até 30% do preço dos imóveis em caixa dois, segundo um delator.

Os valores por fora abasteciam os cofres do setor de propinas da empreiteira.

Essa estratégia da Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR) fugiu do padrão do esquema de corrupção do grupo revelado na Operação Lava Jato, uma vez que a regra era obter recursos em caixa dois somente por meio de operações realizadas no exterior.

Os pagamentos por fora eram admitidos pela empresa quando os compradores adquiriam imóveis de alto valor.

O dinheiro dessas operações também era usado para quitar despesas com fornecedores da companhia de maneira não contabilizada.

As informações sobre o método incomum de abastecimento do setor de propinas da empresa foram reveladas pelo ex-diretor da OR Paul Elie Altit, que trabalhou no grupo Odebrecht por 34 anos, em depoimento ao Ministério Público do estado de São Paulo.

Apesar de o delator não ter entrado em detalhes sobre essas transações, elas podem ter envolvido a sonegação de impostos, como os incidentes sobre lucro imobiliário e o ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), e de taxas como as de registro em cartórios de imóveis.

Como a OR recebia parte dos preços de seus imóveis em dinheiro vivo não registrado oficialmente, também é possível que as compras com caixa dois tenham servido para esquentar dinheiro resultante de atos de corrupção ou outros ilícitos, ou composto esquemas de lavagem de dinheiro.

A Folha indagou a Odebrecht sobre quais clientes da companhia fizeram pagamentos de imóveis não contabilizados, mas a empresa não respondeu a essa questão.

O testemunho de Altit foi realizado em dezembro passado e faz parte dos desdobramentos da Lava Jato em São Paulo.

A partir de delações vindas do Supremo Tribunal Federal, membros da Promotoria do Patrimônio Público e Social e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) iniciaram novos questionamentos aos colaboradores da Odebrecht.

A nova leva de depoimentos está detalhando o funcionamento da área de subornos e  mostrando exceções às regras do sistema de pagamentos ilícitos da companhia.

Altit foi ouvido em apurações dos promotores José Carlos Blat e Letícia Ravacci sobre corrupção envolvendo o projeto Parque da Cidade, grande empreendimento da Odebrecht na zona sul de São Paulo, com mais de 16 mil metros quadrados de área construída.

O projeto na Marginal Pinheiros já tem duas torres comerciais prontas, intituladas Sucupira e Tarumã, e tem um parque linear em construção.

A partir dessa investigação, os promotores acusaram o ex-secretário municipal de Controle Urbano Orlando de Almeida Filho e o filho dele, Orlando de Almeida Neto, de terem recebido propina da Odebrecht no valor de R$ 6 milhões em troca da aceleração de aprovações de órgãos municipais para o projeto.

Em ação de improbidade administrativa, a Promotoria afirma que o delito teve início em 2010, durante a gestão paulistana de Gilberto Kassab (PSD), atual ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

Ao falar sobre as atividades da empresa, Altit disse que “alguns clientes da OR, em determinados contextos, sobretudo quando faziam a aquisição de grandes lajes, com volumes grandes, eles tinham como condição de aquisição pagar uma parte por fora”.

Em seguida, explicou como o dinheiro em espécie vindo dos clientes ia parar no departamento de subornos.

“Como a gente não tinha conta lá fora, não contabilizada, e era auditado por empresa de primeiríssima linha, a gente pegou esse caixa, de clientes privados, que representava às vezes 10%, 20% ou 30% eventualmente do preço, e colocava para ser estacionado com a estrutura do Hilberto Silva [área de propinas]”.

De acordo com Altit, os valores em caixa dois também eram usados para pagar despesas ordinárias. “Depois a gente ficava tentando trazer esse recurso de volta. Nós pagamos alguns arquitetos, alguns escritórios de advocacia, para trazer isso de volta para o sistema”, disse. A empresa diz que deixou de aceitar valores em espécie

Outro lado
Em nota, a Odebrecht informou que, quanto à OR, “foram adotadas medidas como a proibição de pagamentos em espécie e análise de conformidade na homologação de fornecedores e em todos os processos de vendas para clientes”. Também foi criado um canal de denúncias terceirizado e independente, segundo a empresa.

“A transformação empreendida no Grupo Odebrecht nos últimos anos está consolidada na nova Política sobre Governança. Entre as mudanças estão a adoção de robusto sistema de conformidade”, afirma a companhia. “A Odebrecht reitera que reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas e está comprometida com a retomada do seu crescimento e com a entrega de produtos e serviços com qualidade para a sociedade.”

O ex-secretário Orlando de Almeida Filho nega que ele e o filho tenham  cometido quaisquer crimes. “Já juntei aos autos das apurações do Ministério Público todos os documentos que me isentam da prática de irregularidades”, afirma. “Vamos apresentar defesa prévia na ação de improbidade administrativa e esperamos que o juiz decrete a extinção do processo logo no início.”

Kassab afirma que “não tem envolvimento com o inquérito e desconhece o caso”. O atual ministro diz que “as apurações em andamento são importantes para o país e devem continuar, e entende que, como determina a legislação, todas as pessoas devem ter assegurado o amplo direito à defesa”.

(Folha de São Paulo - Poder - 13/05/2018)

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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Extra: Imóveis terão até 80% de desconto no Feirão da Caixa


Tem que tomar cuidado em relação à ilusão dos efeitos da queda na taxa de juros. As pessoas não podem ir por impulso, principalmente nos feirões. Para aproveitar o ganho real na taxa de juros, o ideal é ter um recurso para colocar de entrada e barganhar descontos

Os truques de sedução são os mais variados, mas o objetivo de todos é entregar as chaves da casa própria e convencer o candidato a morador a fechar o negócio. O Feirão de Imóveis da Caixa Econômica, no Rio de Janeiro, oferecerá mais de 15 mil opções de casas e apartamentos com até 80% de desconto, e condições especiais para os interessados em unidades do programa “Minha casa, minha vida”. O evento acontece de sexta a domingo da semana que vem.

Sem considerar os leilões,os valores dos imóveis no feirão variam de R$ 120 mil (um apartamento em Duque de Caxias) até R$ 8,7 milhões. O preço médio será de R$ 170 mil. Durante o evento, as construtoras terão incentivos que vão desde descontos, pagamento do ITBI e registro para o proprietário, entrada parcelada em até 60 meses ou uso do carro como pagamento.

Para o professor de Economia & Finanças do Ibmec-RJ Ricardo Macedo, embora os juros para o financiamento da casa própria estejam caindo, o comprador deve avaliar as condições gerais de um endividamento de longo prazo.

— Tem que tomar cuidado em relação à ilusão dos efeitos da queda na taxa de juros. As pessoas não podem ir por impulso, principalmente nos feirões. Para aproveitar o ganho real na taxa de juros, o ideal é ter um recurso para colocar de entrada e barganhar descontos — explica.

Banco vende casas retomadas
A Caixa terá um estande em que vai oferecer cerca de 550 imóveis retomados de mutuários que não conseguiram pagar seu financiamento. O imóvel mais barato disponível será um apartamento na Pavuna, com lance inicial de R$ 18.500 (80% de desconto em relação aos R$ 91 mil de avaliação). Os imóveis serão vendidos por meio de licitação aberta, venda direta e leilão. Embora os descontos sejam atraentes, o comprador terá que arcar com o ônus de retirar o antigo proprietário do imóvel, caso ainda esteja ocupado. Além disso, em alguns casos não há possibilidade de parcelamento ou financiamento.

Para advogados, antes da compra do imóvel, o interessado deve avaliar a localização do imóvel, estado de conservação, infraestrutura da região, valor do bem e disponibilidade de recursos financeiros.

— O consumidor também deve observar atentamente as cláusulas contratuais, em especial as que estabelecem as condições de pagamento, ocupação, demandas judiciais existentes e débitos relativos ao imóvel. Na ausência dessas informações, o consumidor pode acabar adquirindo um problema — observa o advogado Arthur Ongaro, do escritório Corrêa, Ongaro, Sano Advogados Associados.

Entenda os cuidados

Pesquise
Faça uma pesquisa dos preços que as construtoras praticavam antes do feirão. É possível encontrar na internet anúncios de imobiliárias ou corretores de alguns meses atrás. É importante para fugir das falsas ofertas.

Impulso
Não se empolgue no primeiro estande que entrar. Visite vários, compare as condições, o tipo de produto e analise o custo-benefício. Faça todos os cálculos com cuidado antes de comprar.

Orçamento
Avalie seu orçamento de forma bastante conservadora e lembre-se que a prestação não pode comprometer mais de 30% da renda familiar.

Custos envolvidos
Pergunte aos incorporadores o valor estimado do condomínio, mesmo que o prédio ainda esteja em obra, para você poder calcular seus gastos totais com a compra. Uma boa infraestrutura de lazer representa mais custos.

(Jornal Extra - Notícias - Economia - 13/05/2018)

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quinta-feira, 10 de maio de 2018

Portal DCI: Crise na construção civil acirra disputa entre os fabricantes


“As grandes obras não estão ocorrendo. Começando esse ano, só vai ter impacto para acabamento, pisos e portas no ano que vem”

A crise na construção civil acirrou a disputa por market share entre os fabricantes de materiais. Para sair na frente, o investimento em novos produtos é uma das principais apostas das empresas.

“Estamos buscando mais espaço, uma parcela de mercado maior. O varejo está melhor que em 2017 e a expectativa é grande. Estamos preparados para investir na produção e ter mais mix”, afirma o coordenador de marketing da Condor, Daniel Coutinho, que fabrica materiais para pintura imobiliária.

Segundo empresas do setor ouvidas pela reportagem do DCI, a construção de novos empreendimentos só deve gerar demanda a partir de 2019. “As grandes obras não estão ocorrendo. Começando esse ano, só vai ter impacto para acabamento, pisos e portas no ano que vem”, explica o diretor da Tecnoportas, Marcos Favaretto.

Essa estagnação fez com que a indústria de materiais de construção desse maior atenção ao varejo. Pequenas reformas, adiadas durante a crise, agora começam a gerar demanda. “Nós nos voltamos ao varejo e ao exterior, exportando para a América Latina. A projeção de crescimento do varejo é superior ao do setor como um todo, mas não chega aos dois dígitos”, conta o diretor comercial da Roca Brasil, Sergio Melfi.

A expectativa da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) é de crescimento de 1,5% das vendas em 2018, interrompendo uma sequência de três anos de quedas. Já a entidade que reúne os varejistas do setor, a Anamaco, prevê avanço de 8,5%, em 2018 sobre o resultado do ano passado.

“As reformas estão andando mais do que os novos empreendimentos. O varejo está melhorando e esperamos crescer em 2018”, avalia o subgerente de marketing da fabricante de ferramentas Makita, Khalyl Streich.

Vacas magras
Em meio a esse cenário de vacas magras, fabricantes apostam em novos produtos e soluções para se sobressair à concorrência e entrar em novos mercados.

“É uma estratégia para sobreviver diante da crise. As empresas conseguem passar pelo momento de instabilidade ao investir em inovação e na ampliação de seus portfólios. É preciso diversificar para não ter todos os ovos na mesma cesta”, explana a coordenadora de marketing da Pilkington e Blindex no Brasil, Glória Cardoso.

(Portal DCI - Impresso - 04/05/2018)

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terça-feira, 8 de maio de 2018

Estadão: Reativação da construção civil em marcha lenta


Em condições normais, com os juros relativamente baixos para a compra de imóveis, contando as instituições financeiras com bom volume de recursos para essa finalidade, o setor da construção civil já deveria, a essa altura, apresentar um cenário mais animador

O setor da construção civil, um dos mais afetados pela crise, vem demorando muito para ingressar em um ciclo firme de recuperação. Como informa a Sondagem Indústria da Construção, divulgada na semana passada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o indicador do nível de atividade do setor ficou em 47,1 pontos em março, o melhor resultado desde novembro de 2013, mas, mesmo assim, abaixo da linha divisória dos 50 pontos, que marca a diferença entre aumento e queda na atividade.

Em condições normais, com os juros relativamente baixos para a compra de imóveis, contando as instituições financeiras com bom volume de recursos para essa finalidade, o setor da construção civil já deveria, a essa altura, apresentar um cenário mais animador. A demanda, porém, reage lentamente em vista do alto desemprego e da insegurança dos consumidores, que, mesmo estando empregados, não se sentem encorajados a comprometer-se com gastos mais elevados como a compra de casa própria.

Com isso, as empresas de construção têm convivido com baixo nível de utilização da capacidade operacional, que foi de 57% em março. Embora o emprego no setor tenha aumentado 1,3 ponto no mês em relação a fevereiro, não passou de 45,4 pontos, também abaixo da linha dos 50 pontos, deixando claro que essa área, que é a maior fonte de ocupação na economia, ainda é marcada por um forte desemprego. A persistência de grande capacidade ociosa agrava a situação financeira das empresas do setor, que se ressentem da pesada carga tributária e dos altos juros cobrados para obtenção de capital de giro.

Apesar de tudo, as expectativas para os próximos meses são positivas. Em abril, houve pequenas quedas em relação a março, mas os empresários estão mais confiantes. Um indicador significativo é a maior disposição de investimento pelas empresas, que aumentou 4,1 pontos em abril em relação a março, ficando em 35,2 pontos, o maior indicador desde fevereiro de 2015. Espera-se que isso se traduza em novos empreendimentos e serviços, bem como aquisição de matérias-primas e aumento do número de empregados nos próximos meses.

Esta é uma questão de grande importância, pois, como se sabe, uma recuperação consistente da economia como um todo passa por um reaquecimento do setor da construção civil.

(Portal Estadão - Notícias - Geral - Opinião - 02/05/2018)

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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Portal G1: Construtora cobra dívida até 566% maior sobre financiamento de moradia popular


De acordo com os proprietários, o órgão não pôde regularizar o financiamento por conta de irregularidades deixadas pela construtora. Entre essas irregularidades, estavam problemas estruturais e na documentação, como a falta do "Habite-se"

Os moradores do Jardim São Sebastião II, em Hortolândia (SP), estão com medo de perder as casas por conta de uma nova cobrança da construtora sobre os imóveis. O valor atual é até 566% maior do que os R$ 18 mil que os moradores concordaram financiar quando compraram os imóveis há 20 anos. O pagamento não pôde ser efetuado nesse período por problemas burocráticos com a empresa.

De acordo com a EPTV, afiliada da TV Globo, os imóveis foram vendidos pela construtora Blocoplan por R$ 28 mil. O acordo era que os moradores pagassem R$ 10 mil de entrada e financiassem os outros R$ 18 mil na Caixa Econômica Federal. De acordo com os proprietários, o órgão não pôde regularizar o financiamento por conta de irregularidades deixadas pela construtora. Entre essas irregularidades, estavam problemas estruturais e na documentação, como a falta do "Habite-se".

Agora, a construtora JMC7, que diz ter assumido as dívidas da Blocoplan, responsável pelo empreendimento, cobra de R$ 75 mil a 120 mil para que moradores regularizem a dívida. O primeiro valor é aplicado caso a pessoa concorde regularizar a dívida à vista.

Revolta
Os moradores ficaram revoltados com a cobrança por conta da discrepância entre os valores. "Nós queremos pagar de forma legal, correta, por meio do órgão federal, o débito que temos dos nossos imóveis", diz Giovanni ítalo de Oliveira, advogado que representa as pelo menos 100 famílias que estão preocupados em fazer os imóveis.

Os moradores passaram a receber cartas de cobrança, pedindo que agendem um horário para negociar a regularização definitiva dos imóveis. A carta também dizia que o não comparecimento seria entendido como falta de interesse na realização do acordo.

"Ninguém aqui [no bairro] tem esse dinheiro que eles querem cobrar pelas casas", ressalta o morador Donizeti Costa.

Pagando de forma parcelada, o valor da cobrança pode chegar a R$ 120 mil. A construtora diz que os moradores precisam dar uma entrada de R$ 20 mil e dividir o restante.

A cobrança foi assinada pelo corretor de imóveis Augusto Rodrigues da Silva, também indicado para negociação em outra carta de cobrança, emitida pela JMC7.

O que diz a construtora
O corretor explicou para a reportagem que, há 20 anos, parte do bairro residencial foi vendida para a construtora Blocoplan, que acabou falindo. Ele conta que a construtora JMC7 comprou a dívida que a empresa tinha com a Caixa e está tentando receber o valor dos imóveis que não foram pagos.

Quando a Blocoplan construiu as 1,5 mil casas populares no bairro, precisou pegar dinheiro emprestado da Caixa Econômica e não pagou essa dívida depois.

(Portal G1 - SP - Campinas - Notícia - 27/04/2018)

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quarta-feira, 2 de maio de 2018

Portal G1: Em meio à crise, cresce o número de brasileiros que moram "de favor", aponta IBGE


Os imóveis cedidos são aqueles emprestados por terceiros, no qual nenhum dos moradores paga pela moradia. “O morador pode pagar apenas os gastos correntes, como condomínio e serviços como fornecimento de água e luz”. [...] Na prática, 70% das novas residências do país passaram a ser classificadas nessa categoria

Com o orçamento reduzido em função da crise financeira, aumentou no Brasil o percentual de domicílios cedidos, ou seja, aqueles ocupados mediante empréstimo - condição popularmente conhecida como "morar de favor". É o que revela uma pesquisa divulgada na quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o levantamento, entre 2016 e 2017 aumentou em 0,8% o total de domicílios no país. Isso significa que foram construídos 549 mil imóveis no período, chegando ao total de 69,8 milhões.

Já o número de imóveis cedidos cresceu 7% no ano passado, passando de 5,6 milhões para 6 milhões, exatos 396 mil a mais. Na prática, 70% das novas residências do país passaram a ser classificadas nessa categoria.

O avanço ocorreu em um período em que a economia brasileira está fraca e o número de desempregados chegou a superar 14 milhões em 2017.

Entre as outras categorias de moradia, 147 mil residências a mais foram classificadas como casas própria e quitada (alta de 0,3%) no ano passado, enquanto outras 188 mil novas unidades foram alugadas (1,5% a mais). Houve uma redução de 184 mil unidades financiadas, cerca de 4,5% de queda em um ano.

Imóveis cedidos cresceram na crise
Os imóveis cedidos são aqueles emprestados por terceiros, no qual nenhum dos moradores paga pela moradia. “O morador pode pagar apenas os gastos correntes, como condomínio e serviços como fornecimento de água e luz”, destacou a gerente da pesquisa, Maria Lúcia Vieira.

Na pesquisa não entram os casos de pessoas que moram na casa com o proprietário. Está sendo analisada a condição de ocupação, e não de cada morador dentro dele.

Maria Lúcia enfatizou que “é difícil entender esse movimento de aumento dos imóveis cedidos”. Isso porque, conforme salientou, a pesquisa não investigou as razões pelas quais o imóvel estava ocupado sob aquela condição.

“Pode ser que tenha a ver com a crise [econômica], mas como a gente não pergunta por que a pessoa mora ali, ou mesmo há quanto tempo ela mora, fica difícil saber”, ressaltou a pesquisadora do IBGE.

Ela explicou, no entanto, que o imóvel pode ter sido cedido por parentes, amigos ou até mesmo por empresas. “A Região Centro-Oeste, por exemplo, é a que concentra o maior percentual de imóveis cedidos. Sabemos que isso tem relação com o Distrito Federal, por causa do número de imóveis funcionais [que são destinados aos políticos]”, destacou.

Deste total, 193 mil são localizados no estado de São Paulo. A gerente da pesquisa ressalvou, no entanto, que se trata do estado mais populoso e com o maior número de domicílios do país.

Edícula na casa da amiga
Aldeice Bezerra, de 42 anos, deixou o aluguel para morar em uma edícula nos fundos da casa de uma amiga na Zona Norte de São Paulo no ano passado.

Ela trabalhava como pintora de manequins em uma fábrica na Zona Leste, mas perdeu o emprego em 2016. Ela ficou sem condições financeiras para dividir o aluguel da ampla casa onde morava com outra amiga. Ambas desempregadas, entregaram o imóvel devendo vários meses de aluguel. Entraram em acordo com a imobiliária e dividiram o valor devido em 12 vezes. “Demos sorte ainda porque o dono do imóvel foi compreensivo com nossa situação”, diz.

Foi nessa hora que veio a ajuda dos amigos. Ela se mudou para a edícula e combinou com a dona que ficaria sem pagar aluguel até que sua situação financeira voltasse ao normal.

Após cerca de dois meses desempregada, conseguiu um emprego numa padaria com carteira assinada. Mas o salário que ganhava só dava para pagar dívidas acumuladas. Sua situação só melhorou no segundo semestre do ano passado, quando foi contratada como vendedora. Ela então passou a pagar um valor simbólico para a dona do imóvel e divide com ela as contas de água, luz, TV a cabo e internet.

Aldeice considera que sua situação melhorou bastante, mas ainda sonha em ter seu cantinho.

“Serei sempre grata por ter sido acolhida num momento tão difícil, mas sei que logo vou voltar a ter minha própria casa”, diz.

Norte e Nordeste têm mais imóveis próprios já pagos
A pesquisa do IBGE revelou, também, que as regiões Norte e Nordeste do país concentram o maior percentual de imóveis próprios já pagos do país – respectivamente 74,5% e 74,1% do total de domicílios de cada uma.

O menor percentual de domicílios próprios já pagos é observado no Centro-Oeste (59%). No Sudeste, este percentual chega a 64,4% e no Sul a 68,3%.

“Apesar das regiões Norte e Nordeste concentrarem os menores rendimentos, nelas os preços dos imóveis são mais baratos”, apontou a gerente da pesquisa, Maria Lúcia Vieira.

Segundo ela, a redução do percentual de imóveis próprios ainda sendo pagos pode ter ocorrido “ou porque o financiamento foi quitado, ou porque a pessoa precisou entregar o financiamento”.

(Portal G1 - Economia - Notícia - 26/04/2018)

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