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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Estadão: Mercado imobiliário atinge pior patamar desde 2004

No detalhamento dos quatro segmentos, metade dos 12 indicadores tiveram nota zero em maio: atividade econômica, massa salarial, condições de financiamento, preço dos imóveis, emprego e atratividade do financiamento

O mercado imobiliário chegou ao seu pior momento desde 2004, em meio a uma crise que está relacionada a condições adversas do cenário macroeconômico, fraca demanda por imóveis, dificuldade de acesso ao crédito e, por fim, um ambiente levemente negativo no setor.

Essas são as conclusões da nova pesquisa sobre o mercado imobiliário, o Radar Abrainc-Fipe, lançado nesta terça-feira, 26, em parceria pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), com divulgação mensal a partir deste mês de julho.

O Radar reúne quatro segmentos com um total de 12 indicadores considerados essenciais para o andamento das atividades do mercado imobiliário. Esses indicadores foram coletados junto ao Banco Central, FGV, IBGE, Fipe, entre outros institutos de pesquisa e associações setoriais, e foram dispostos em uma série dessazonalizada, com início em 2004. A cada um dos indicadores é atribuída uma nota que varia de zero a dez, sendo que as notas mais altas indicam condições mais favoráveis para aquele determinado item. O zero indica o pior patamar do indicador desde o início da série.

"Não produzimos nenhuma série nova de dados para o Radar. O que fazemos é mostrar a mais ampla série de variáveis que importam ao mercado imobiliário, mostrando, de uma forma rápida e intuitiva, quais as suas principais condições", explicou Eduardo Zylberstajn, coordenador da pesquisa. "Além de entendermos quais as condições atuais do mercado, poderemos avaliar com isso variou ao longo do tempo", complementou.

O Radar Abrainc-Fipe teve uma nota global de 2,2 pontos em maio de 2016, queda de 0,6 pontos em relação a dezembro de 2015. Entre os quatro segmentos, o ambiente macroeconômico (que engloba os indicadores de confiança, taxa de juros e nível de atividade econômica) foi o único que apresentou melhora, com nota de 1,2 ponto em maio, alta de 0,4 ponto em relação a dezembro.

O segmento de demanda por imóveis (composto por indicadores de atratividade do investimento imobiliário, massa salarial e emprego) alcançou 1,2 ponto, recuo de 0,9 ponto no período. O segmento de crédito imobiliário (condições de financiamento, atratividade do financiamento e concessões reais) registrou 2 pontos, recuo de 1,6 ponto. Por fim, o segmento de ambiente setorial (formado por preços dos imóveis, lançamentos e insumos) registrou a melhor nota, de 4,6 pontos, patamar estável em relação a dezembro.

No detalhamento dos quatro segmentos, metade dos 12 indicadores tiveram nota zero em maio: atividade econômica, massa salarial, condições de financiamento, preço dos imóveis, emprego e atratividade do financiamento. "O radar mostra, claramente, que o mercado imobiliário atingiu seu pior nível desde 2004", avaliou Zylberstajn, durante apresentação do novo levantamento.

Dentro os indicadores que mostraram melhora estão os juros, a atratividade do investimento, os lançamentos, as concessões reais, os insumos e os níveis de confiança. "Esses indicadores estão melhorando, mas isso significa que estão bons, pois ainda permanecem em níveis baixos", complementou Zylberstajn. Ele acrescentou que, caso avancem as medidas de ajustes em discussão no governo federal, os indicadores da nova pesquisa podem mostrar melhora, possivelmente, já a partir de 2017.

(Estadão - Notícias - Geral - 26/07/2016)

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terça-feira, 26 de julho de 2016

Portal G1: Preços para aluguel e venda de imóvel comercial têm queda real de 18% e 10%, respectivamente

O preço médio do aluguel de imóveis comerciais teve queda real (considerando a inflação) de mais de 18% nos últimos 12 meses terminados em junho e o de venda, mais de 10%, segundo pesquisa FipeZap

Preço médio dos imóveis tem queda real no 1° semestre, segundo FipeZap
Os dados consideram o preço de venda e locação de salas e conjuntos comerciais de até 200 m² em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.

Para locação, os preços caíram nominalmente 11,35%. Se considerada a inflação do período de 8,84% medida pelo IPCA, a queda real do custo de aluguel de um imóvel comercial caiu 18,56%.

Para venda, os preços tiveram queda nominal de 3,05% em 12 meses. Considerando a inflação, a queda real foi de 10,92%.

Rio de Janeiro é a cidade mais cara, e a cidade com os menores preços foi Belo Horizonte.

Metodologia
A pesquisa leva em consideração o preço de imóveis anunciados para novos contratos, e não os contratos de aluguel que já estão valendo. Nesses casos, os preços são geralmente ajustados de acordo com o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) da FGV, ou outros índices de correção. 

(Portal G1 - Economia - Notícia - 21/07/2016)

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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Editorial Folha: Casa para quem pode [a derrocada do crédito imobiliário]

Há mais de um motivo, decerto, para tamanha queda. Famílias atormentadas pelas incertezas do presente tornaram-se menos propensas a assumir dívidas de longo prazo; a piora do emprego e da renda minou os depósitos nas cadernetas de poupança, principais fontes do crédito direcionado à classe média

A derrocada do crédito para a compra da casa própria é uma das facetas mais visíveis da atual recessão, tanto quanto a expansão dos financiamentos esteve entre as marcas principais do ufanismo econômico dos governos petistas.

De R$ 12,4 bilhões, em dezembro de 2014, a concessão de empréstimos habitacionais para pessoas físicas havia minguado para R$ 7,2 bilhões em maio deste ano, conforme os dados mais atualizados do Banco Central.

Há mais de um motivo, decerto, para tamanha queda. Famílias atormentadas pelas incertezas do presente tornaram-se menos propensas a assumir dívidas de longo prazo; a piora do emprego e da renda minou os depósitos nas cadernetas de poupança, principais fontes do crédito direcionado à classe média.

Do lado do governo, o encolhimento da arrecadação de impostos forçou cortes bruscos nos subsídios reservados aos programas de casas populares.

Nesse contexto, compreende-se a lógica de mercado na decisão da Caixa Econômica Federal, o maior agente do setor, de privilegiar operações voltadas para o público mais abastado, capaz de adquirir imóveis de até R$ 3 milhões - o novo teto adotado pelo banco estatal, correspondente ao dobro do limite anterior.

Obviamente bem recebida por construtores e corretores, a medida não deixa de ser simbólica do impasse vivido pela política habitacional do país. A imagem da Caixa, afinal, está associada aos financiamentos a pobres e remediados, na faixa de preço até R$ 750 mil que conta com juros e condições especiais definidas na legislação.

A trajetória de redução do deficit nacional de moradias foi interrompida. Estima-se que cerca de 6 milhões de domicílios, 9% do total, proporcionem condições de vida precárias ou por demais onerosas para seus habitantes.

A enorme maioria dos casos, evidentemente, envolve famílias de baixa renda, alvo prioritário do Minha Casa, Minha Vida - que, privado de recursos, praticamente paralisou no ano passado as contratações voltadas a esse estrato.

Será restrito, por anos à frente, o espaço orçamentário para que o programa oficial volte a conceder, em larga escala, subsídios quase integrais a seus beneficiários. À falta do atalho, sobra o longo percurso de diminuição dos juros, do desemprego e do contingente a depender do amparo do Estado.

(Folha de São Paulo - Editorial - Opinião - 21/07/2016)

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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Valor: Atividade da construção continua em queda livre, confirma CNI

“O nível de atividade está muito abaixo do usual, com a utilização da capacidade de operação abaixo do registrado no mesmo mês de anos anteriores. O longo período de baixa atividade continua a afetar as condições financeiras das empresas, que seguem deterioradas, e o acesso ao crédito permanece muito restrito”

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta quinta­-feira que o setor de construção civil registrou em junho queda do nível de atividade na comparação com o mês anterior, mas que o ritmo da retração continua desacelerando desde janeiro.

“O nível de atividade está muito abaixo do usual, com a utilização da capacidade de operação abaixo do registrado no mesmo mês de anos anteriores. O longo período de baixa atividade continua a afetar as condições financeiras das empresas, que seguem deterioradas, e o acesso ao crédito permanece muito restrito”, afirmou a entidade no documento mensal Sondagem Indústria da Construção.

Falta de demanda
Segundo a CNI, a falta de demanda foi o principal problema enfrentado pelas empresas da construção no segundo trimestre, seguido por elevada carga tributária e taxas de juros elevadas. As expectativas para os próximos meses, que vinham mostrando pessimismo cada vez menor desde o início do ano, não melhoraram em julho. As perspectivas para os próximos seis meses são tão pessimistas quanto no mês anterior.

Segundo os dados apresentados, o índice de evolução do nível de atividade permanece abaixo dos 50 pontos, ou seja, aponta nova queda da atividade. Entre maio e junho, o índice passou de 40,1 para 41,2 pontos, variação dentro da margem de erro do índice. Na comparação com dezembro de 2015, contudo, o indicador acumula crescimento de 7,9 pontos.

O índice de evolução do número de empregados manteve­-se estável em 38,1 pontos, mas como permanece abaixo dos 50 pontos, significa que o emprego na indústria da construção segue em queda (os índices de evolução variam de zero a 100 pontos, e valores abaixo dos 50 pontos indicam queda).

Baixa atividade
O nível de atividade do setor de construção permanece abaixo do usual, afirma a CNI. O índice de junho ficou em 27,2 pontos, praticamente estável na comparação com maio (oscilou 0,7 ponto para cima, dentro da margem de erro do índice). Valores abaixo dos 50 pontos indicam nível de atividade abaixo do usual para o mês.

O percentual de utilização da capacidade de operação (UCO) manteve­se inalterado na comparação com maio, em 56%. A UCO está quatro pontos percentuais inferior à registrada em junho de 2015, e oito pontos percentuais abaixo da média para os meses de junho.

Os índices de satisfação com margem de lucro operacional e com a situação financeira variaram dentro da margem de erro no segundo trimestre de 2016, após terem registrado o piso de suas séries no trimestre anterior. O índice de satisfação com a margem de lucro alcançou 30,6 pontos (eram 28,8 pontos no primeiro trimestre e 32,7 pontos há um ano), enquanto o de satisfação com a situação financeira ficou em 34,2 pontos (era, 33,3 pontos no primeiro trimestre e 37,2 pontos há um ano).

Acesso ao crédito
O índice de facilidade de acesso ao crédito aumentou 3,2 pontos no segundo trimestre em relação ao primeiro. Apesar disso, ainda reflete dificuldade de acesso ao crédito. O índice alcançou 26,3 pontos, muito aquém da linha divisória de 50 pontos (mais uma vez, números abaixo de 50 indicam piora da percepção).

O principal problema enfrentado pela indústria no segundo trimestre de 2016 foi a demanda interna insuficiente, assinalado por 36,7% das empresas respondentes. Em seguida, têm­se a elevada carga tributária, com 34,7% das respostas e as taxas de juros elevadas, com 34,2%.

A CNI afirma que a tendência de redução do pessimismo do setor, que vinha sendo observada desde fevereiro e se intensificou em junho, não se manteve em julho. Todos os índices de expectativa da indústria da construção oscilaram dentro da margem de erro (de 2 pontos a mais ou a menos) na passagem de junho para julho.

Os índices mantiveram­-se abaixo dos 50 pontos, o que sugere expectativa de queda no nível de atividade, novos empreendimentos e serviços, compras de insumos e matérias-­primas e número de empregados.

De acordo com a entidade, a queda do nível de atividade, o baixo uso da capacidade de operação e as expectativas ainda pessimistas limitam a intenção de investir do empresário. O índice de intenção de investimento oscilou dentro da margem de erro, ao recuar de 26,9 para 25,3 pontos entre junho e julho de 2016. O índice de intenção de investimento varia de zero a 100 pontos. Quanto maior o índice, maior a intenção de investir.

(Valor Online - Brasil - 21/07/2016)

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quinta-feira, 21 de julho de 2016

O Globo: Preço do imóvel comercial cai mais que o residencial

A queda nos valores é mais acentuada nas grandes cidades. Em São Paulo, o recuo nominal no preço dos alugueis é de 13,1% em um ano; no Rio caiu ainda mais, 13,5%

O momento do mercado imobiliário é favorável para negociar descontos, também nos casos dos imóveis comerciais. O índice FipeZap, que já acompanhava os anúncios residenciais, passou a divulgar a pesquisa com áreas corporativas. No caso delas, a queda no valor da locação é ainda mais intensa. Em termos nominais, o recuo chegou a 11,35% em 12 meses terminados em junho, contra queda de 5,23% no setor residencial. O preço de venda das áreas corporativas encolheu menos no período, 3,05%.

A pesquisa está em linha com os relatos do mercado imobiliário. Há casos de locatárias que estão conseguindo baixar o valor dos contratos, e outras que conseguiram até carência no pagamento dos alugueis de novos espaços. É um ambiente propício para renegociar os acordos que já estão em vigor.

A queda nos valores é mais acentuada nas grandes cidades. Em São Paulo, o recuo nominal no preço dos alugueis é de 13,1% em um ano; no Rio caiu ainda mais, 13,5%. A pesquisa acompanha também os mercados de Belo Horizonte e Porto Alegre.

(O Globo - Blogs - Míriam Leitão - 21/07/2016)

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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Valor: Nova linha de financiamento da Caixa tem mensal de R$ 28,9 mil

Como a regra prudencial adotada pelos bancos exige que a prestação não comprometa mais de 30% dos rendimentos, é possível calcular que somente os indivíduos ou casais com rendimento mensal acima de R$ 96,5 mil conseguirão tomar o crédito nas condições limite, autorizadas na nova linha

R$ 28.961,34 (vinte e oito mil novecentos e sessenta e um reais). Este é o valor da primeira prestação mensal que o beneficiário da mais nova linha de financiamento imobiliário lançada pela Caixa Econômica Federal poderá desembolsar.

O cálculo foi feito pelo simulador do site do próprio banco e considera imóvel de R$ 3 milhões, 80% do valor financiado, prazo de amortização de 420 meses, e taxa de juros efetiva de 12% ao ano, mais TR. Estes são os novos limites estabelecidos pela Caixa, tanto para valor do bem, como para a cota financiada.

Como a regra prudencial adotada pelos bancos exige que a prestação não comprometa mais de 30% dos rendimentos, é possível calcular que somente os indivíduos ou casais com rendimento mensal acima de R$ 96,5 mil conseguirão tomar o crédito nas condições limite, autorizadas na nova linha.

Fazendo a correção pela inflação dos dados informados à Receita Federal referentes a 2014, estamos falando dos 0,4% mais ricos entre os que declaram Imposto de Renda (considerando renda de duas pessoas da mesma faixa de renda). A renda média do brasileiro é de pouco mais de R$ 1 mil.

A linha de financiamento vigente até o fim desta semana financiava no máximo 70% de imóveis de até R$ 1,5 milhão. A parcela máxima nesse caso chegava a R$ 12,85 mil, o que pressupunha rendimento mensal familiar acima de R$ 42,8 mil.

(Valor Online - Valor Investe - Casa das Caldeiras - 19/07/2016)

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terça-feira, 19 de julho de 2016

Jornal Hoje: Crise paralisa vendas, e faz proprietários e consumidores migrarem para o aluguel

Os donos de um apartamento de três quartos em São Paulo, na Zona Oeste, com salas amplas e varanda grande, estão tentando vender o imóvel faz seis meses. Agora, está difícil achar comprador. Por isso, estão partindo para o aluguel

A crise está fazendo muita gente adiar a compra de imóveis e encarar o aluguel. Pesquisa da FipeZap mostra que a procura pelo aluguel cresceu entre os brasileiros nos últimos anos. Em 2013, 45% das pessoas que buscavam imóveis, queriam alugar. No ano seguinte, já eram mais da metade e só nos primeiros meses deste ano, o índice chega a 61%.

A família da secretária Paula Buccolo está aumentando. Grávida de três meses e com mais dois filhos, ela e o marido decidiram se mudar. Queriam comprar uma casa pra família, mas mudaram de ideia: “Está tudo muito caro, você não consegue um financiamento no banco, juros lá em cima, aí partimos pra locação”.

"Muito mais em conta"
A consultora de vendas Sara Wink também prefere alugar, em vez de comprar. Com as filhas adolescentes, ela diz que precisa de espaço. Comprar um imóvel, só mais pra frente: “Acaba saindo muito mais em conta se a gente guardar esse dinheiro pra mais pra frente, daqui dois, três anos, a gente dar uma entrada maior e diminuir o financiamento”.

Os donos de um apartamento de três quartos em São Paulo, na Zona Oeste, com salas amplas e varanda grande, estão tentando vender o imóvel faz seis meses. Agora, está difícil achar comprador. Por isso, estão partindo para o aluguel.

“Cada imóvel que é colocado pra aluguel no mercado tem cerca de três interessados todo mês. O que aconteceu nos últimos anos, todo mundo sabe, foi um grande aperto na situação econômica, aumento do desemprego, uma diminuição da renda e, sobretudo, um aumento da taxa de juros que dificulta muito o credito imobiliário”, explica Caio Bianchi, diretor de operações do Portal Zap.

(Portal G1 - Jornal Hoje - Notícia - 15/07/2015)

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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Valor: Em crise, gigante da construção negocia dívidas bilionárias

No início de maio, a PDG divulgou a reestruturação de R$ 3,7 bilhões em dívidas com o Banco do Brasil, a Caixa o Bradesco e o Itaú Unibanco, o que correspondia a 60% de sua dívida bruta. [...] A PDG encerrou o primeiro trimestre com dívida bruta de R$ 5,813 bilhões. O endividamento líquido era de R$ 5,44 bilhões, e a alavancagem medida por dívida líquida sobre patrimônio líquido era de 280%

A PDG Realty conseguiu prorrogar o vencimento da sua dívida com o Banco Votorantim por quatro anos, segundo o Valor apurou. Os juros serão aferidos, durante o período, mas também pagos somente em 2020. Trata­se do mesmo prazo obtido pela companhia, em maio, com o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Itaú Unibanco ­ no plano de reestruturação de 60% da sua dívida.

A PDG também conseguiu fechar com o Votorantim taxa equivalente à costurada com os demais credores, segundo fonte.

A dívida da PDG com o Votorantim é superior a R$ 500 milhões. Em valores corrigidos são R$ 556 milhões em notas promissórias comerciais da segunda emissão da companhia, que serão reestruturadas pelo banco. O Votorantim vai coordenar, estruturar e distribuir, com garantia firme de colocação, a nova emissão de debêntures simples da incorporadora.

Na quinta­feira, a PDG anunciou que a venda de ativos para o Votorantim e para a BV Empreendimentos e Participações (BVEP) foi suspensa. Anunciada em janeiro, a operação tinha valor de R$ 1,578 bilhão.

Segundo fonte, a PDG e o Votorantim não chegaram a um acordo sobre preço e condições da venda de ativos, mas a decisão de suspender a operação foi amistosa. O Valor apurou que a incorporadora tem sido resistente nas negociações de preços dos seus ativos à venda no mercado.

"Levemente" negativa
Na avaliação de analistas, o cancelamento da venda de ativos da PDG para o Votorantim e para a BVEP não eleva o risco da companhia. Embora a suspensão tenha sido vista como "levemente" negativa, a maior preocupação dos investidores é com a renegociação da dívida, de acordo com analistas.

"Aparentemente, o maior ponto de stress da PDG já passou", afirma um analista setorial. Para analistas, do ponto de vista do banco, deixou de fazer sentido assumir o risco dos projetos imobiliários da PDG e das vendas, e ainda ter o compromisso de remunerar a incorporadora pela execução dos empreendimentos.

Dívida bilionária
No início de maio, a PDG divulgou a reestruturação de R$ 3,7 bilhões em dívidas com o Banco do Brasil, a Caixa o Bradesco e o Itaú Unibanco, o que correspondia a 60% de sua dívida bruta. Na ocasião, o Valor apurou que a companhia tinha reestruturado mais R$ 1,2 bilhão com credores menores, o que significava que quase R$ 5 bilhões dos vencimentos tinham sido equacionados.

Paralelamente ao anúncio da reestruturação da dívida, a PDG informou a venda de sua participação de 58% na REP Real Estate Partners Desenvolvimento Imobiliário para a LDI ­ holding que possui a Lindencorp e a Construtora Adolpho Lindenberg. A fatia da PDG na REP foi vendida por R$ 34 milhões.

Outra operação da empresa foi o empréstimo feito pela Vinci Partners ­ controladora da PDG ­ à companhia, com possibilidade de oferecer outros R$ 50 milhões, se necessário, para despesas gerais e administrativas.

No momento, parte das obras da incorporadora está parada por falta de recursos.

A companhia iniciou o anúncio da reestruturação de suas dívidas em meados de agosto de 2015.

A PDG encerrou o primeiro trimestre com dívida bruta de R$ 5,813 bilhões. O endividamento líquido era de R$ 5,44 bilhões, e a alavancagem medida por dívida líquida sobre patrimônio líquido era de 280%.

Em queda
Na sexta-­feira, as ações da PDG fecharam o pregão da BM&Bovespa com queda de 4,51%, cotadas a R$ 3,6.

Procurados pela reportagem, a PDG não comentou o assunto, e o Banco Votorantim disse que não se manifestará sobre o tema.

(Valor Online - Empresas - 18/07/2016)

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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Exame: Aluguel tem maior queda de preço em 9 anos

No último ano (até junho), a queda foi ainda maior, de 5,23%. No mesmo período, a inflação medida pelo IPCA ficou em 8,84%. Isso significa que o índice apresentou queda real de 12,93%, ao considerar o efeito do aumento dos preços no tempo

Se você é inquilino, os preços de aluguel no Brasil estão a seu favor. No primeiro semestre, a queda no valor médio de locação foi de 1,78%, a maior em 9 anos.

O dado é do Índice FipeZap de Locação, que acompanha a variação de preços [anunciados] de apartamentos para alugar em 11 cidades brasileiras. Essa queda de preço significa que você não deve aceitar qualquer oferta de locação e encontrará um terreno fértil para boas negociações.

No último ano (até junho), a queda foi ainda maior, de 5,23%. No mesmo período, a inflação medida pelo IPCA ficou em 8,84%. Isso significa que o índice apresentou queda real de 12,93%, ao considerar o efeito do aumento dos preços no tempo.

Vale ressaltar que essa variação real não é obtida com uma simples subtração. Para realizar o cálculo, é preciso dividir a oscilação dos preços pela variação da inflação. 

Rio de Janeiro e Belo Horizonte têm as maiores quedas 
O Rio de Janeiro teve a maior queda nominal (sem considerar a inflação) no valor médio do aluguel no 1º semestre, entre as 11 cidades pesquisadas. Os preços caíram 3,59% no período. A segunda maior queda foi em Belo Horizonte, de 3,02%.

As cidades pesquisadas com menor valor médio do metro quadradado foram Curitiba (16,69 reais), São Bernardo do Campo (18,95 reais) e Belo Horizonte (19,93 reais).

Rentabilidade baixa
A rentabilidade média anual que os proprietários de imóveis terão com os aluguéis a receber nos próximos 12 meses será de 4,5%, contra uma expectativa de inflação de 10,5% para o mesmo período (dados da FGV). Esse retorno é calculado pelo Índice FipeZap de Locação por meio da divisão do valor do metro quadrado de locação mensal pelo valor de venda, multiplicado por 12. Segundo a 

As piores taxas de retorno estão em Curitiba e Belo Horizonte, em que as rentabilidades do aluguel serão de 3,7% e 3,8%, respectivamente.

(Exame.com - Seu Dinheiro - Notícias - 15/07/2016)

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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Portal G1: Venda de imóveis atinge menor patamar desde 2004

De janeiro a maio, as vendas caíram 27,9% sobre 2015 e chegaram a 5.097 unidades. Em maio, a venda de imóveis novos somou 1.059 unidades - uma queda de 50,7% em relação ao mesmo período de 2015

As vendas e lançamentos de imóveis residenciais novos na capital paulista mantiveram tendência de queda em maio, registrando no acumulado do ano o menor patamar desde o início da pesquisa em 2004, informou nesta quinta-feira (14) o sindicato de habitação, Secovi-SP.

De janeiro a maio, as vendas caíram 27,9% sobre 2015 e chegaram a 5.097 unidades. Em maio, a venda de imóveis novos somou 1.059 unidades - uma queda de 50,7% em relação ao mesmo período de 2015. Já na comparação com abril, o recuo foi de 10,4%. Segundo o Secovi, a média dos acumulados de janeiro a maio dos anos de 2004 a 2015 é de 10,5 mil unidades.

Ponto mais baixo
Acompanhando a retração das vendas, o número de lançamentos também recuou. Frente a um ano atrás, a baixa foi de 52,9%. No entanto, na comparação com abril, foi registrada alta de 67,8% em relação a abril, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp) divulgados pelo sindicato. No ano até maio, os 3,6 mil lançamentos representaram queda de 54,4% em relação a maio do ano passado. O número também é o mais baixo desde o início do levantamento.

"A expectativa é que o mercado imobiliário tenha alcançado o ponto mais baixo. Agora, diante das perspectivas de melhoria implantadas pelo novo governo federal, percebemos a retomada gradativa da confiança dos consumidores e empresários", disse em nota o presidente do Secovi, Flavio Amary.

(Portal G1 - Economia - Notícia - 14/07/2016)

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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Valor: Retração do mercado imobiliário castiga projetos no Rio

O receio de que novos lançamentos engrossem o estoque de imóveis já concluídos sem comprador está diretamente relacionado a números de mercado. [...] É um volume quatro vezes maior do que o total registrado entre 2007 e 2012 ­- os empreendimentos entregues agora começaram a ser construídos antes do avanço da crise

Menina dos olhos do prefeito Eduardo Paes, o projeto de reurbanização da zona portuária do Rio de Janeiro -­ o Porto Maravilha ­- está sendo duramente atingido pela retração do mercado imobiliário. A revitalização urbana da área de 5 milhões de metros quadrados prossegue, mas dos 15 empreendimentos imobiliários negociados até agora, quase a metade teve contratos "congelados", à espera de uma melhora nas condições econômicas.

Criado a partir de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviços (FGTS), o fundo imobiliário responsável por custear a infraestrutura urbana do projeto. A Caixa Econômica Federal,­ gestora do fundo, ­ ressalta que o investimento é de longo prazo e que não houve cancelamento formal de nenhum empreendimento.

Projetos paralisados
Na prática, porém, sobram exemplos de projetos paralisados. As Trump Towers ­ conjunto de cinco torres de 150 metros de altura e 38 andares que levaria o nome do bilionário americano ­não passaram da fase de terraplanagem. O projeto de engenharia está concluído, mas a construção foi adiada por tempo indeterminado justamente por causa da crise econômica, afirma um consultor que prefere não se identificar.

Não saiu do papel também o megaempreendimento proposto pela construtora RJZ Cyrella, que pretendia usar a uma área de 450 mil metros quadrados no terreno antigo Gasômetro. O projeto tinha uso misto, incluindo shopping center, prédios residenciais e comerciais e hotéis. Pelo menos desde o início do ano passado a empreiteira estuda o que fazer no terreno. 

Encalhados
O receio de que novos lançamentos engrossem o estoque de imóveis já concluídos sem comprador está diretamente relacionado a números de mercado. Este ano devem ser entregues cerca de 250 mil metros quadrados em prédios comerciais no Rio, sem contar os inaugurados na Barra da Tijuca, região que recebe os maiores investimentos por causa da Olimpíada. É um volume quatro vezes maior do que o total registrado entre 2007 e 2012 -­ os empreendimentos entregues agora começaram a ser construídos antes do avanço da crise.

"Não vamos insistir nos prazos porque isso geraria sobreoferta", reconhece Victor Hugo, técnico da Superintendência Nacional de Fundos de Investimentos Especiais da Caixa Econômica Federal (CEF), referindo­-se ao cumprimento dos prazos previstos em contrato para conclusão das obras.

Em março, a Operação Lava Jato encontrou registro de propina em obra do Porto Maravilha. Segundo relatos feitos por delatores da Carioca Engenharia (Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Jr.), o deputado Eduardo Cunha cobrou R$ 52 milhões para garantir a liberação de verbas do fundo de investimentos do FGTS para o Porto Maravilha.

(Valor Online - Empresas - 12/07/2016)

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terça-feira, 12 de julho de 2016

Jornal Hoje: Crise na construção paralisa até as pequenas obras e reformas

Para o dono da loja de material de construção, esse foi o pior ano desde 2000, quando abriu a loja



A crise atingiu em cheio a construção civil. Segundo a Pesquisa Mensal de Comércio, houve uma queda de 13% na venda de materiais de construção, e já tem muita gente parando a obra pela metade porque o dinheiro acabou. 

Se a obra para, o primeiro a sentir o reflexo é o comércio. O depósito de uma loja de material de construção vive lotado de produtos. O faturamento do estabelecimento caiu neste ano cerca de 20% e não adianta muito fazer promoção de material pesado, como argila, areia, cimento. Com pouco dinheiro no bolso, o cliente só vem comprando mesmo miudeza.

Para o dono da loja de material de construção, esse foi o pior ano desde 2000, quando abriu a loja. Com a queda nas vendas, ele teve que demitir cinco dos 22 funcionários. A esperança é melhorar nos próximos meses.

(Portal G1 - Jornal Hoje - Notícia - 09/07/2016)

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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Extra: Lançamentos de imóveis caem 90% no Rio, com distratos em alta

De acordo com a Associação Brasileira de Incorporadoras, o total de distratos, até março deste ano, atingiu 11.524 unidades, número 4,7% superior ao observado no primeiro trimestre de 2015. No acumulado de 12 meses, foram devolvidas 50.166 moradias, o que representa uma elevação de 6,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior

A redução de 90% nos lançamentos imobiliários no Rio, este ano, levou empresas especializadas em regularização de contratos e escrituras a mudar de ramo de atuação para superar os tempos de vacas magras. Segundo projeções de consultorias, nos próximos três anos, se o desaquecimento do setor da construção civil for mantido, o número de contratos para a entrega de chaves cairá em até 50%. Diante deste cenário, as empresas passaram a atuar na intermediação de distratos (desistências por parte dos compradores), na recuperação de crédito de inadimplentes e protesto de dívidas, e na antecipação de pagamentos.

- A partir do lançamento pela construtora, são mais dois anos para entregar o imóvel e, depois, concluir a formalização do contrato. Por isso, este ano, ainda há serviços de regularização a serem feitos, mas depois deste período a crise se aprofundaria. O que fizemos foi transformar a crise em oportunidade de negócio e conseguimos aumentar nosso faturamento em 60% - disse Alexandre Novaes, diretor da MR Consultoria.

De acordo com a Associação Brasileira de Incorporadoras, o total de distratos, até março deste ano, atingiu 11.524 unidades, número 4,7% superior ao observado no primeiro trimestre de 2015. No acumulado de 12 meses, foram devolvidas 50.166 moradias, o que representa uma elevação de 6,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

(Jornal Extra - Notícias - Economia - 09/07/2016)

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sexta-feira, 8 de julho de 2016

O Globo: A deterioração do mercado imobiliário e o fantasma da Encol


Os cidadãos que adquiriram um imóvel na planta são vítimas do descumprimento de uma lei, por parte das construtoras, que deveria garantir proteção para esses mutuários. [...] Pode ser uma nova Encol. O Brasil não pode permitir que isso aconteça de novo

A crise política e econômica por que passa o país vem provocando uma deterioração contínua do mercado imobiliário. Se, por um lado, afeta direta e violentamente as incorporadoras, por outro, deixa ainda mais descoberto o lado mais fraco da relação: os mutuários.

Os cidadãos que adquiriram um imóvel na planta são vítimas do descumprimento de uma lei, por parte das construtoras, que deveria garantir proteção para esses mutuários.

Trata-se da lei 10.931, de 2004, criada para minimizar riscos e aumentar a segurança dos mutuários que adquirem imóvel na planta, definindo o que é chamado “patrimônio de afetação”. Segundo esta lei, as incorporadoras que optarem por este instrumento jurídico recebem benefícios fiscais e, em contrapartida, são obrigadas a manter, por exemplo, uma conta corrente única daquele empreendimento, permitindo que os interessados tenham acesso e saibam que aquela conta é exclusiva e não será utilizada com outros negócios da incorporadora.

Assim, no caso de dificuldades financeiras, o patrimônio do mutuário estará intacto e poderá ser resgatado sem prejuízos. Além disso, a lei determina que seja instituída uma comissão de representantes dos mutuários para fiscalizar e acompanhar o patrimônio de afetação. Mas, na prática, nada disso ocorre.

As incorporadoras não têm o hábito de criar essas comissões exigidas por lei e, assim, aos consumidores não é permitido o acesso às informações contábeis e financeiras de seus empreendimentos cujo patrimônio legalmente está afetado.

O fantasma Encol
Importante lembrar que a legislação em questão foi criada na esteira dos estragos causados pela falência da Encol, que provocou paralisação de centenas de obras em todas as regiões do país e deixou dezenas de milhares de famílias sem a casa própria no final dos anos 90.

O incentivo fiscal se tornou unicamente instrumento de redução de custos tributários e de estímulo do governo ao setor imobiliário. Não há qualquer fiscalização da Receita Federal para saber se, de fato, os incorporadores afetaram os empreendimentos nos quais gozam do benefício fiscal e se os consumidores estão com seu patrimônio protegido. O benefício representa uma renúncia fiscal anual de cerca de R$ 2,4 bilhões. O descumprimento da lei deve implicar na perda imediata desses benefícios.

Essa medida, além de cumprir a lei, permitiria uma receita extra importante para os cofres públicos num momento em que a economia está instável, e não há previsão de melhora no quadro no curto prazo. Enquanto o Brasil amplia o gasto com os subsídios e incentivos ao setor privado — segundo a FGV, os incentivos passaram a representar 6,2% do PIB, ante 4,2% em 2008 —, a economia sucumbe, e alguns setores ganham sem oferecer nada em troca à sociedade.

O incentivo fiscal oferecido às incorporadoras e que tem se mostrado sem utilidade aparente, a não ser o enriquecimento de uma classe empresarial específica, pode representar muito mais do que apenas um descumprimento da lei e uma perda de arrecadação. Pode ser uma nova Encol. O Brasil não pode permitir que isso aconteça de novo.

(O Globo - Opinião - 07/07/2016)

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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Portal DCI: Queda nas vendas expôs a ineficiência do setor de construção

"O boom [do mercado] mascarou a ineficiência do setor", afirma o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins

Passado o cenário de bonança, a construção civil precisa repensar seu modelo de negócio para conseguir manter a sustentabilidade do setor. Além de reduzir os custos com a ineficiência, o mercado busca diversificar as fontes de financiamento e pede maior segurança jurídica e menor excesso de burocracia.

"O boom [do mercado] mascarou a ineficiência do setor", afirma o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins. De acordo com ele, durante muito tempo o setor pagou um custo alto pela mão de obra e o terreno, nem sempre com a qualidade esperada. Agora, é o momento de rever o custo e encaixar o preço do imóvel no bolso do consumidor. "Porque quem paga é quem compra", disse o executivo ao DCI durante o 11º Adit Invest, que termina hoje em São Paulo.

Redução drástica
Mostra do desaquecimento de mercado é o número de lançamentos que tem reduzido drasticamente. Segundo o indicador Abrainc/Fipe, em abril deste ano foram lançadas 1.580 unidades, volume 52,5% menor que abril de 2016. Já as vendas recuaram 14,4% na mesma base de comparação. No acumulado dos últimos 12 meses, a queda dos lançamentos foi de 8,1% e das vendas de 16%, ante os 12 meses anteriores.

Segundo Martins, a insegurança jurídica e o excesso de burocracia também onera demais o setor, fatores que hoje representa quase 12%. Para ele, as normas infralegais têm provocado um impacto maior no setor do que as próprias leis que regem o mercado. "Burocracia sempre vai existir, mas o problema é o excesso. Porque isso vai trazer um custo", expõe.

Além do alto custo, outro fator que dificulta uma operação mais eficiente é a liberação das licenças para a obra. "Às vezes você cumpre todas as etapas da construção e mesmo assim não tem a certeza de que terá as aprovações. Nessa perspectiva não apenas o futuro é incerto, como o passado", analisa o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Gilberto Duarte de Abreu Filho.

Além disso, Abreu ressalta que dois pontos têm sido bastante afetados por conta da insegurança jurídica: a alienação fiduciária e a lei de patrimônio de afetação. "A interpretação em alguns casos tem sido criativa e não dá garantias ao mercado. Isso aumenta o custo. Em qualquer setor é levado em consideração a relação risco/retorno", contou ele.

Na visão de José Carlos Martins, da CBIC, um aspecto que poderia trazer mais segurança jurídica, pelo menos nos casos de distratos, seria o pacto assinado por empresas e entidades do setor junto a órgãos do consumidor para regrar os contratos de compra e venda de unidades habitacionais. "[No entanto], o Ministério Público não assinou e já vai vencer os 60 dias que tínhamos. Pode até prorrogar, mas são sabemos", revela.

Cadê o crédito?
Martins ressalta ainda que outro grande gargalo é a restrição de fontes de financiamento. "O Brasil possui apenas quatro grandes agentes financeiros, como fica a concorrência?" Quando o assunto é o acesso a crédito, ele acredita que o principal problema é a obtenção do recurso mais barato.

Para Gilberto Abreu da Abecip, caso a taxa de juros - hoje no patamar de 14% - fique em 10% em 2017, a perspectiva para o setor imobiliário é positiva. "Se isso acontecer será outro mercado", aponta o executivo. De acordo com ele, conseguir reduzir a taxa de juros deverá reaquecer a demanda, incentivar o número de lançamentos e financiamento e até reduzir a taxa de distratos.

Outra forma de melhorar o mercado de crédito imobiliário é regulamentando a Letra Imobiliária Garantida (LIG). Mesmo que a captação de recursos não seja a solução, a ação ajudaria a ampliar o funding. "Ainda não sabemos se podemos conseguir a um baixo custo. Mas mesmo assim, precisamos regulamentar por conta do investidor estrangeiro", afirma Abreu, citando que o grande desafio do modelo é desenhar de forma que consiga atrair o investidor de fora. "Ele [estrangeiro] podia analisar o papel de longo prazo aqui", discorre Abreu.

Perspectiva real ou excesso de otimismo?
Segundo o executivo da Abecip, já existem sinais de que alguns indicadores macroeconômicos devem melhorar. "Mas para consolidar o cenário precisamos de mais sinalizações mais fortes de Brasília [o governo]. O financiamento de um imóvel é de longo prazo e para que o cliente volte preciso de confiança", complementa.

"Esse é o ponto de virada. Estávamos cada vez mais pessimistas e agora vemos uma reversão de perspectiva", comenta o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (SecoviSP), Flavio Amary, citando as últimas melhoras do índice de confiança do consumidor. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas (FGV) subiu 3,4 pontos entre maio e junho, ao passar de 67,9 para 71,3 pontos, o maior desde junho de 2015.

Caso as condições macroeconômicas para o setor melhorem, Amary afirma que a demanda já está pronta. "Quantos brasileiros entre 25 e 30 anos temos? Ou casamentos? Só separações são 300 mil por ano", comenta. Para ele, só o déficit habitacional deve demandar uns 10 anos de produção imobiliária. "Mas precisamos reduzir as restrições urbanísticas", diz.

Para o presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, a perspectiva para o próximo trimestre é positiva. "Há uma tendência de queda da taxa de juros, ainda que pequena, e isso vai fazer com que tenhamos condições e a atratividade da poupança volte a ser real". Segundo ele, a captação da poupança ainda está positiva na faixa da população com renda entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil. Em outros grupos, o executivo destaca que há uma migração para opções de financiamento como fundo, CDB, LCI.

Ele lembra que o banco tem mantido a régua de aprovação no número de financiamentos imobiliários similar ao do ano passado, tal qual o volume de recursos disponibilizados aos clientes do banco.

(Portal DCI - Em Destaque - 05/07/2016)

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