Total de acessos

Teste

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Veja: Caixa faz venda e leilão de 18.500 imóveis retomados com descontos de até 80%


Em São Paulo, por exemplo, são 2.877 imóveis disponíveis. Em Minas Gerais, são 2.449 unidades à venda

A Caixa Econômica Federal vai vender e leiloar 18.500 imóveis retomados, entre casas, apartamentos, salas comerciais e terrenos com preços abaixo do valor de mercado. Em alguns casos, os descontos chegam a 80%. As propriedades estão disponíveis para compra na 2ª Semana dos Imóveis, que acontece até sexta-feira em várias cidades do país.

Em São Paulo, por exemplo, são 2.877 imóveis disponíveis. Em Minas Gerais, são 2.449 unidades à venda.

Os imóveis poderão ser comprados nas modalidades leilão, licitação aberta, venda direta ou venda online. Durante a semana, as sessões de leilões e disputa aberta possibilitarão aos visitantes visualizar o processo e fazer lances.

Segundo a Caixa, podem ser realizados até dois leilões para vender os imóveis retomados por falta de pagamento. O primeiro é realizado 30 dias após a devolução do imóvel. Caso o imóvel não receba lance no 1º leilão, um segundo acontece após 15 dias. Se o imóvel não for vendido em nenhum dos dois leilões, ele será oferecido em licitação aberta, licitação fechada ou venda direta.

O saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) poderá ser utilizada na compra. Qualquer pessoa física ou jurídica pode comprar imóveis no evento.

(Portal Revista Veja - Economia - 14/08/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

domingo, 12 de agosto de 2018

Portal Uol: Setor imobiliário do Rio está tão ruim que há oferta de imóveis sem aluguel e IPTU


Contribuição do leitor Eduardo Mazzini

"Nos prédios novos, algumas empresas chegam até a dar carência total das contas no contrato, não cobram nem o IPTU nem o aluguel", disse Marcia Fonseca, diretora da Colliers para o Rio de Janeiro, consultoria especializada em mercado imobiliário corporativo e comercial. "São prédios que ainda estão totalmente vazios e querem trazer movimento, atrair os primeiros ocupantes."

Quem procura um espaço para seu escritório ou para um consultório no Rio de Janeiro pode encontrar boas surpresas. Em uma rápida busca por sites de compra e venda de imóveis, é possível encontrar salas comerciais de 30 metros quadrados, 70 metros quadrados e até andares inteiros em prédios corporativos pedindo alugueis tão baratos quanto R$ 300, R$ 200 e, em vários deles, de graça.

É o caso extremo dos anunciantes que oferecem seus contratos com carência, isto é, o futuro inquilino ganha os primeiros meses de isenção no valor do aluguel. E essas carências podem ser bem generosas: vão de três ou quatro meses até um ou dois anos, ou seja, o período do contrato (geralmente de 12 a 30 meses) praticamente inteiro.

"Há vários casos em que isso aconteceu, principalmente nas locações comerciais, em que o volume de unidades disponíveis é bem superior ao da demanda", afirmou Giovani Oliveira, gerente de locação e vendas da imobiliária carioca Apsa.

"O proprietário faz locações fechadas com uma isenção no aluguel, e o inquilino assume apenas o pagamento dos custos fixos, que incluem o condomínio e o IPTU [Imposto Predial Territorial Urbano]", disse Oliveira.

Para imóveis que estão chegando a ficar mais de um ano vazios, é uma maneira de os proprietários, geralmente empresas e fundos de investimento, reduzirem as perdas com essas contas, pelo menos. "Imóvel parado é gasto para o dono", afirmou o gerente da Apsa.

Palco de um dos maiores booms imobiliários do país poucos anos atrás, o Rio é hoje também epicentro de um desequilíbrio econômico profundo. Com o interesse por novos investimentos e negócios locais minguando, a crise atingiu em cheio o mercado imobiliário empresarial, e o resultado são pechinchas como essas.

O centro, tradicional zona comercial da cidade, e regiões que ganharam muitos complexos empresariais nos últimos anos, como a Barra da Tijuca e o Porto Maravilha, estão entre as principais áreas onde a pratica do aluguel zero se tornou comum.

Ela é mais comum para os escritórios localizados em edifícios novos, que, recém-entregues, ainda demandam obras de acabamento de quem vier a ser o primeiro inquilino, como revestimento de pisos, instalações elétricas e sistemas de ar-condicionado, por exemplo. Quem topar assumir as obras ganha o aluguel grátis.

Edifícios mais antigos e já consolidados, porém, também têm suas ofertas. Uma consulta feita pelo UOL, por exemplo, encontrou uma sala comercial de 30 metros quadrados em um edifício no centro antigo do Rio, próximo à estação de metrô Uruguaiana, com aluguel de R$ 200 (foto acima) --mas o aluguel seria isento ao longo de todo o primeiro ano de contrato, ficando para o locatário apenas os R$ 861 do condomínio e os R$ 148 de IPTU (R$ 1.009 no total).

Em outro, na Barra da Tijuca, o condomínio é R$ 800, o IPTU R$ 120, e o aluguel é a combinar, mas também sai zerado pelos primeiros dois anos em um contrato de dois anos e meio (foto abaixo). A carência é a contrapartida para que a empresa que ficar com ele faça as obras necessárias.

Com 27 metros quadrados, a unidade é uma das várias que estão disponíveis em um grande complexo empresarial recém-lançado na região. Ela ainda está do jeito que foi entregue pela construtora: sem piso, sem cobertura nos tetos e apenas o vaso e a pia no banheiro. Também há as entradas para a instalação do ar-condicionado, mas sem os equipamentos.

"Nos prédios novos, algumas empresas chegam até a dar carência total das contas no contrato, não cobram nem o IPTU nem o aluguel", disse Marcia Fonseca, diretora da Colliers para o Rio de Janeiro, consultoria especializada em mercado imobiliário corporativo e comercial. "São prédios que ainda estão totalmente vazios e querem trazer movimento, atrair os primeiros ocupantes."

Depois do boom, momentos 'especialmente amargos'
Segundo Marcia, há uma conjunção de fatores muito específicos do Rio e que fazem com que o mercado imobiliário corporativo, que sofreu no país inteiro com a recessão dos últimos anos, viva momentos especialmente amargos ali.

"O Rio passou por um boom imobiliário muito forte, principalmente durante a Copa do Mundo [2014] e as Olimpíadas [2016]; havia grandes perspectivas de crescimento, e muitas empresas sinalizavam investimentos", disse Marcia. "Havia muitos clientes, mas não existia prédio; o mercado foi e construiu", afirmou. Agora há muitos prédios, mas bem menos clientes.

(Portal Uol - Economia - Notícias - Redação - 04/08/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Estadão: Sete das dez profissões que mais destruíram vagas são da construção


“A construção é de fato o destaque negativo na extinção de vagas. Começamos a ter alguns sinais incipientes de melhora no mercado de trabalho ao final do ano passado, mas as revisões para baixo na expectativa de geração de vagas passa pela decepção com a construção civil [...]"

Profissões ligadas à agropecuária e indústria têxtil foram as que tiveram maior perda de fôlego nos 12 meses encerrados em junho de 2018, após terem esboçado reação nos 12 meses imediatamente anteriores, terminados em junho de 2017. Já entre as dez profissões que mais destruíram postos de trabalho em 2017 e permanecem cavando o fundo poço em 2018, sete estão relacionadas à construção civil.

Os dados são de um levantamento exclusivo, com base nas informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, pedido pelo Estadão/Broadcast à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Entre os dez piores desempenhos, a profissão que proporcionalmente fechou mais vagas dentro da construção nos 12 meses encerrados em junho foi a de supervisores de construção civil, com demissão de 8.566 trabalhadores e queda de 8,7% no pessoal ocupado com carteira nessa posição, após já ter dispensado 17.282 pessoas nos 12 meses anteriores. O total de trabalhadores formais atuando com montagem de estruturas de madeira, metal e compósitos em obras civis encolheu 5,2% nos 12 meses terminados em junho, 5.996 vagas a menos. A terceira maior queda no pessoal ocupado, de 4,9%, ocorreu na profissão de trabalhadores de estruturas de alvenaria, com 17.496 dispensados nos últimos 12 meses.

“A construção civil continua apanhando da baixa taxa de investimento, da falta de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Um dos destaque foi a queda nas vagas para engenheiros civis. Ou seja, mesmo os trabalhadores mais qualificados não estão encontrando oportunidade de trabalho”, ressaltou Fabio Bentes, chefe da Divisão Econômica da CNC e responsável pelo estudo.

Engenheiros
Foram eliminadas 2.110 vagas formais de engenheiros civis no País nos 12 meses encerrados em junho, uma queda de 3,2% no total ocupado nessa profissão em relação aos 12 meses anteriores, terminados em junho de 2017, quando outras 6.189 vagas já tinham sido extintas. Em dois anos, mais de oito mil engenheiros civis perderam o emprego com carteira assinada.

“A construção é de fato o destaque negativo na extinção de vagas. Começamos a ter alguns sinais incipientes de melhora no mercado de trabalho ao final do ano passado, mas as revisões para baixo na expectativa de geração de vagas passa pela decepção com a construção civil. O setor ainda tem dificuldades, tem fragilidades. É difícil prever alguma reação em termos de emprego nesse setor”, avaliou Thiago Xavier, analista da Tendências Consultoria Integrada, que reviu a previsão de geração de vagas do Caged para este ano, de uma expectativa inicial de 600 mil novos postos para 350 mil vagas geradas.

Na semana passada, o Ministério do Trabalho divulgou dados do Caged para o mês de junho que mostraram que o saldo entre geração e fechamento de vagas ficou negativo pela primeira vez no ano, após cinco altas consecutivas. Foram 661 postos de trabalho destruídos.

Trabalhador da construção civil há 25 dos seus 51 anos de vida, Alexino dos Reis Soares confirma a dificuldade de encontrar um trabalho com carteira assinada na área. Tanto ele quanto o filho atuam na informalidade. Quando raramente abre uma vaga, os salários costumam ser tão baixos que afugentam candidatos, testemunha o trabalhador.

“Até tentei uma vaga para trabalhar num condomínio, porque a jornada era boa, dava para sair cedo, mas o salário era muito baixo. Tem muita gente que eu conheço em obra que prefere trabalhar por conta própria por causa disso, porque pagam muito mal”, contou Soares.

(Estadão - Economia - Notícias - 23/07/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Hoje em Dia: Porta fechada para compra de imóveis usados. Caixa volta a suspender crédito pró-cotista


A suspensão do crédito imobiliário na linha pró-cotista pode retardar ainda mais recuperação do setor da construção civil, que anda a passos de tartaruga

A Caixa suspendeu, por tempo indeterminado, o financiamento de imóveis usados pela linha pró-cotista, destinada especialmente à classe média. O motivo, conforme o banco, é a escassez de recursos orçamentários. E quem vai sofrer as consequências é o consumidor.

Com a interrupção no fornecimento do crédito – o segundo mais barato do banco, perdendo apenas para o ‘Minha Casa, Minha Vida’ –, quem for investir na casa própria deverá recorrer à linha SBPE. O problema são os juros. Em tempos de vacas magras, será necessário desembolsar mais dinheiro para realizar o sonho da casa própria. A renda mínima para ter o financiamento aprovado também aumenta.

Conforme fonte ligada ao banco, que não quis se identificar, os contratos assinados até 13 de julho terão o recurso liberado. Os demais estão suspensos.
A Caixa confirma a interrupção, mas oficialmente não estipula data para atender aos contratos. “A Caixa Econômica Federal informa que houve a suspensão da modalidade Pró-cotista - Imóveis Usados em razão do cumprimento do orçamento disponibilizado para a referida linha. A modalidade Pró-Cotista Imóvel Novo continua funcionando normalmente”, diz a nota da instituição bancária.

Nas alturas
A diferença no valor final do imóvel aumenta significativamente.Antes da suspensão, era possível financiar a casa própria na linha pró-cotista com taxa máxima de 9,01% ao ano (índice que poderia sofrer variações para baixo, dependendo do nível de relacionamento do cliente com o banco).

Isso significa que ao final de um financiamento de R$ 300 mil, com prazo de 360 meses, o equivalente a 30 anos, o consumidor arcaria com parcelas de R$ 3.085. No fim do processo, ele teria desembolsado R$ 1,1 milhão, conforme levantamento realizado pelo presidente da Associação dos Mutuários de Minas Gerais (AMMMG), Sílvio Saldanha.

O montante é R$ 135 mil menor do que os R$ 1,25 milhão que seria pago à Caixa se o consumidor optasse pelo SBPE. Neste caso, foram considerados um período de R$ 360 meses, com parcelas de R$ 3.460 e juros de 10,50% ao ano.

Renda
E se o valor do imóvel fica maior, a renda mínima necessária para ter o empréstimo aprovado acompanha. Para financiar os R$ 300 mil junto à pró-cotista, o cliente precisaria comprovar rendimentos mensais de R$ 10,4 mil. No SBPE, porém, a renda deve ser de R$ 11,8 mil.

Em tempos de crise econômica e desemprego em alta, o incremento na renda é tarefa árdua. “A linha pró-cotista tem taxa menor porque contempla aqueles consumidores que têm Fundo de Garantia ativo há pelo menos três anos. É uma linha destinada ao trabalhador. Quem deseja comprar um imóvel será muito prejudicado”, lamenta o presidente da AMMMG.

Escassez de recursos pode atrasar a recuperação do setor
A suspensão do crédito imobiliário na linha pró-cotista pode retardar ainda mais recuperação do setor da construção civil, que anda a passos de tartaruga.
“Nós precisamos de crédito. Precisamos estimular as vendas e a geração de empregos na construção civil. E fazemos tudo isso por meio dos financiamentos”, afirma o diretor de políticas e relações trabalhistas do Sindicato da Indústria da Construção Civil, Ricardo Catão.

Ele explica que cortar uma linha de financiamento destinado aos imóveis usados pode desestabilizar todo o setor. O motivo é simples. Muitas pessoas vendem o apartamento usado para comprar um novo. “O setor pode ficar empacado”, rechaça.

O presidente da Comissão de Direito Imobiliário da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG), Kênio Pereira, espera que a Caixa retome o financiamento no curto prazo. “É um dos produtos mais usados do banco, o mercado imobiliário precisa dessa linha de crédito”, comenta.

Mercado de engenharia sofre
O mercado da engenharia civil também pode sofrer grande impacto negativo.“Embora o leque de atuação do profissional de engenharia seja vasto, o país hoje vem passando por um momento político-econômico complicado. Esse momento tem impacto direto nos investimentos e, consequentemente, no mercado da construção”, diz o engenheiro civil Sérgio Oliveira.

O também engenheiro civil Michel Mofacto concorda. Ele acredita que somente nos próximos anos haverá uma recuperação. “A expectativa é que, a partir de 2020, ocorra um crescimento em todos os setores, o que irá gerar grande demanda por profissionais qualificados na construção civil. O profissional que está chegando no mercado agora verá esse processo crescer no ritmo da recuperação econômica do país”, completa.

(Portal Hoje em Dia - Primeiro Plano - 03/08/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

domingo, 5 de agosto de 2018

Jornal Nacional: Mercado imobiliário está travado, afirmam corretores

“Conta o desespero das pessoas para vender, conta os preços. As pessoas querem comprar cada vez mais barato”, diz o corretor de imóveis Victor Rodrigues


No setor imobiliário, a palavra que os profissionais usam para qualificar o mercado atualmente é “travado”. Quem quer ou precisa vender tem encontrado muita dificuldade.

Dois corretores que sempre trabalharam em dupla. Antes, era para dar conta dos clientes. Hoje, para juntar forças contra a crise. “Conta o desespero das pessoas para vender, conta os preços. As pessoas querem comprar cada vez mais barato”, diz o corretor de imóveis Victor Rodrigues.

O mercado está parado mesmo. Em julho, o preço dos imóveis novos e usados caiu no Brasil. Os lançamentos de imóveis de médio e alto padrão aumentaram quase 70% no mesmo período, e as vendas caíram.

“O mercado imobiliário se retrai por dois fatores: alta de juros e queda na confiança. Se você hoje não tem confiança que seu emprego vai continuar e que sua renda vai aumentar, você não vai aceitar entrar numa dívida maior ou assumir um compromisso maior”, explica o especialista em mercado imobiliário Bruno Sindona.

Mercado travado
O que a gente vê é um monte de gente esperando vender um imóvel para comprar outro. Aí, o negócio não sai. Só que esse cenário não interessa para ninguém, e de uns meses para cá, tem gente que encontrou uma saída. Afinal, é de mudança que vive o mercado imobiliário.

Indiferente ao momento econômico, o Davi nasceu e deixou o apartamento pequeno demais. “Nós temos algumas experiências, aqui mesmo no condomínio, de pessoas que estão vendendo o apartamento há um ano, há dois anos. Nós não esperávamos que ia vender assim de uma hora para outra”, afirma a supervisora de RH Barbara Serricchio.

A gente só está vendo o apartamento cheio de caixas porque, do outro lado, tinha uma outra família morando em uma casa, cansada de esperar. Aí eles aceitaram o apartamento como parte do pagamento

“Mais pela dificuldade mesmo. Já estava há muito tempo tentando vender, há 14 meses tentando vender. A gente acabou aceitando para não ficar mais tempo adiando, procurando”, conta a dona de casa Aline Fernandes.

Na incorporadora de imóveis populares, 100% das compras ou vendas recentes envolveram permuta. “Tivemos caso de vigilante que ofereceu serviço e trabalhou na própria obra que comprou ou no apartamento. Coisas desse tipo. Não só a gente aceita permuta como forma de pagamento, como a gente também paga em permuta, com essa baixa liquidez, a criatividade é o que resolve o mercado”, diz Bruno Sindora.

(Portal G1 - Jornal Nacional - Notícia - 02/08/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Valor: Construtora Helbor vê número de lançamentos cair pela metade


A empresa lançou apenas um empreendimento no segundo trimestre deste ano, contra dois no mesmo período de 2017

Os lançamentos da Helbor Empreendimentos no segundo trimestre de 2018 tiveram Valor Geral de Vendas (VGV) líquido de R$ 120,7 milhões, queda de 55% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados da prévia dos resultados operacionais divulgada há pouco pela companhia.

A empresa lançou apenas um empreendimento no segundo trimestre deste ano, contra dois no mesmo período de 2017. Considerando apenas a participação da Helbor nos lançamentos, de 80%, o VGV chegou a R$ 95,6 milhões, baixa de 38% na base anual.

As vendas contratadas, por sua vez, avançaram 3,9% na mesma base de comparação, chegando a R$ 345,4 milhões. Levando em conta somente a fatia da Helbor, de 74,3%, as vendas contratadas no trimestre subiram 19,2%, para R$ 256,8 milhões. A velocidade de comercialização, medida pelo indicador vendas sobre oferta (VSO), subiu em 1,4 ponto percentual (p.p.) ante o segundo trimestre de 2017, para 11,7%.

No acumulado do primeiro semestre, os lançamentos da Helbor registraram VGV de R$ 265,9 milhões, queda de 31,4%, com dois empreendimentos lançados, versus três no primeiro semestre de 2017. Levando em conta somente a sua fatia, de 60,9%, os lançamentos tiveram queda de 18,8% no VGV, a R$ 161,9 milhões.

As vendas contratadas subiram 3%, para R$ 611,9 milhões. Considerando somente a sua fatia, de 70,3%, as vendas apresentaram avanço de 2,7% nas vendas contratadas, a R$ 429,9 milhões, com a velocidade de comercialização subindo em 0,2 p.p, para 18,4%, segundo o VSO.

(Valor Online - Empresas - 19/07/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Estadão: Com crise, bancos têm 'sobra' de R$ 100 bilhões para crédito imobiliário

Se as perspectivas para a economia fossem positivas, a consequência seria uma redução da taxa de juros por parte dos bancos. Com o cenário de incerteza, o movimento tende a ser o oposto. “Como os financiamentos podem durar mais de 30 anos e a previsão é de que os juros subam lá na frente, ninguém quer baixar mais”

A lenta retomada do setor imobiliário, aliada à resistência do consumidor em assumir dívidas longas, gera uma situação inédita no mercado de crédito para a compra da casa própria: vão sobrar mais de R$ 100 bilhões em recursos para financiamento, entre esse ano e o próximo ano, segundo estimativa da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

Essa montanha de recursos ociosos é reflexo do ritmo lento de recuperação da economia, que, por consequência, emperra a venda de imóveis. Ao mesmo tempo, a poupança, de onde sai parte dos recursos usados pelos bancos nos empréstimos imobiliários, voltou a registrar no primeiro semestre, após quatro anos, um volume maior de depósitos do que de saques.

 “Teremos nos próximos dois anos, uma liberação de recursos da ordem de R$ 239 bilhões. O financiamento imobiliário, na melhor das hipóteses, vai chegar a R$ 125 bilhões. Ou seja: vão sobrar R$ 114 bilhões no sistema inteiro”, calcula o presidente da Abecip, Gilberto Duarte.

O dinheiro que os bancos emprestam para financiar a casa própria vem, sobretudo, da poupança. As instituições usam cerca de 65% do que é aplicado na caderneta com o crédito imobiliário. A segunda fonte é o Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS), recolhido de quem tem carteira assinada.

Durante os anos de pujança, antes da recessão, os empresários do mercado imobiliário chegaram a defender a necessidade de se buscar fontes alternativas de recursos para suprir a demanda por crédito.

Consumidor não é beneficiado
A disponibilidade recorde de recursos, no entanto, não beneficia diretamente o comprador de imóvel neste momento. Segundo Duarte, se as perspectivas para a economia fossem positivas, a consequência seria uma redução da taxa de juros por parte dos bancos. Com o cenário de incerteza, o movimento tende a ser o oposto. “Como os financiamentos podem durar mais de 30 anos e a previsão é de que os juros subam lá na frente, ninguém quer baixar mais”, diz.

Nos últimos dois anos, os bancos já vinham reduzindo os juros do crédito imobiliário, acompanhando o movimento de queda da Selic, a taxa básica de juros da economia, que passou de 13,75% no fim de 2016 para 6,5% ao ano. A disputa por clientes nesse segmento também aumentou, principalmente entre os bancos privados que aproveitaram o recuo da Caixa Econômica Federal.

Para Feliciano Giachetta, da FGI Negócios Imobiliários, houve uma leve melhora para o consumidor. “Quem comprova que está apto para financiar consegue o dinheiro. Há três anos, o banco levava 90 dias para liberar o financiamento. Hoje, um crédito sai em 45 dias. O que segura o consumidor hoje é mesmo a incerteza.”

Pesa o fato de as perspectivas para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) terem piorado. O mercado tem relação direta com o andar da economia: quando ela vai bem, as pessoas têm mais renda, ficam otimistas e compram mais casas.

A despeito de as expectativas para expansão do PIB neste ano terem caído praticamente pela metade, os bancos mantêm as projeções para o crédito imobiliário. O volume de financiamento deve subir 15%, totalizando R$ 116 bilhões, considerados os empréstimos com recursos da caderneta de poupança (SBPE) e do FGTS, de acordo com projeções da Abecip.

(Portal Estadão - Notícias - Geral - 18/07/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Estadão: Desiludido, fundador da Cyrela avalia investir no setor financeiro


“O setor imobiliário tem altos e baixos. O coração bate e para, bate e para. É como ter um marido que um dia vem para casa, outro dia não vem, outro dia chega bêbado. Cansa ter tanta inconstância na sua vida”, afirmou. “Setor imobiliário é muito cíclico, está na hora de ter algo constante”

A avaliação pessimista em relação ao desempenho da economia neste ano não impede Elie Horn de planejar investidas empresariais. O bilionário mantém o desejo de expandir os negócios no setor de saúde, área que ingressou no ano passado, e afirma que avalia agora nova empreitada: uma “possível incursão” no mercado financeiro.

O investimento em análise, cujos detalhes ele ainda não divulga, poderá ser feito por meio do fundo de sua família, batizado de Abaporu, ou por meio da própria incorporadora Cyrela. “Gosto da Cyrela. É como se fosse minha família. Não vejo diferença em trabalhar para a Cyrela ou para mim”, afirmou em entrevista ao Estado.

Horn fundou a Cyrela em 1962 e a transformou numa das maiores incorporadoras do País – a companhia, que abriu o capital em 2005, vale hoje R$ 4,4 bilhões na Bolsa. Em 2014, deixou a presidência da empresa, que passou para as mãos dos filhos Efraim e Raphael, mas segue no comando do conselho de administração e como principal acionista da incorporadora.

A ideia de investir no setor financeiro surgiu como forma de reduzir os riscos do negócio imobiliário, explicou Horn.

“O setor imobiliário tem altos e baixos. O coração bate e para, bate e para. É como ter um marido que um dia vem para casa, outro dia não vem, outro dia chega bêbado. Cansa ter tanta inconstância na sua vida”, afirmou. “Setor imobiliário é muito cíclico, está na hora de ter algo constante”, disse.

Horn não fala nem sequer que tipo de negócio no setor financeiro avalia no momento, mas diz que se trata de uma área que sua família já tem certa expertise. Segundo ele, o trabalho na incorporadora sempre exigiu atenção e rigor nas finanças. “Sempre trabalhamos com o financeiro prevalente, porque se você não paga, você morre.”

Hospitais
A lógica de buscar um negócio com menos “altos e baixos” também norteou a decisão de investir na área de saúde, disse Horn. Com a Hospital Care, holding de hospitais da Bozano Investimentos, na qual os Horns são sócios, adquiriu dois hospitais – o Vera Cruz, em Campinas, e o São Lucas, de Ribeirão Preto, ambos no Estado de São Paulo.

Segundo o empresário, o objetivo é chegar a pelo menos dez hospitais, especialmente por meio de aquisições. Ele não diz em quanto tempo. Afirma, porém, que há dois em negociação avançada e ele espera que as compras possam ser fechadas até o fim deste ano.

Enquanto as operações não se concretizam, trabalham na gestão das unidades já adquiridas, especialmente no corte de custos, afirmou Horn.

O projeto desenvolvido pelo Abaporu e Bozano para a Hospital Care inclui investimentos em quase todos os segmentos de saúde, menos laboratórios.

Horn já declarou admiração pelo economista Paulo Guedes, sócio da Bozano, e sua intenção de acompanhá-lo em outros investimentos, como na área de educação. Guedes assessora o pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) na área econômica e formata seu programa de governo.

(Portal Estadão - Economia - Notícias - 08/07/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Portal EM: O retrato da crise e dos distratos no mercado imobiliário


Ao contrário do que muita gente pensa, a maioria dos que estão devolvendo os imóveis não é de trabalhadores que perderam seus empregos, mas de investidores que desistiram da compra por conta das correções nos preços dos imóveis. [...] Estamos chegando no fundo do poço, mas ainda acho que vamos ter um segundo semestre um pouco difícil

O engenheiro Luiz Antonio França, CEO contratado da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), desde março do ano passado não consegue falar sobre o mercado imobiliário sem tocar num assunto que vem tirando o sono dos empresários do setor: os distratos, a devolução de imóveis comprados na planta, problema que vem afetando o desempenho das 33 empresas associadas à entidade. O Projeto de Lei que propõe novas regras para o rompimento de contratos foi rejeitado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Romero Jucá (PDB-RR) protocolou um recurso e a previsão é que a votação aconteça no início de agosto.

Com muita experiência no mercado financeiro, antes de assumir a Abrainc, o executivo diz que, ao contrário do que muita gente pensa, a maioria dos que estão devolvendo os imóveis não é de trabalhadores que perderam seus empregos, mas de investidores que desistiram da compra por conta das correções nos preços dos imóveis. Entre janeiro e março deste ano, o número de devoluções chegou a 7.025 imóveis, pouco mais da metade dos 13 mil lançamentos realizados pelo mercado no mesmo período.

Além dos distratos, outra preocupação do setor é em relação a volatilidade da economia brasileira que não ajuda em nada, pelo contrário, afasta investidores e fomenta o desemprego. Só no segmento de incorporadoras o número de postos de trabalho foi reduzido de 2,5 milhões de trabalhadores, em 2014, para os atuais 1,3 milhão. Boa parte dos cortes, diz o executivo, pode colocar na conta das devoluções de imóveis. A outra parte, se deve a crise econômica. Melhora só em 2019, depois de definida as eleições e realizadas as reformas necessárias.

O mercado de imóveis esperava um 2018 melhor. Os números no final de 2017, e início deste ano, até apontavam para uma retomada. O que aconteceu?
O segmento de imóveis de baixa renda continuou forte. No Brasil, esse segmento é apoiado pelo programa Minha casa, minha vida, um dos melhores programas estruturados para a habitação popular. Entregamos um volume de quase 5 milhões de moradias em todo o país. Essa faixa foi extremamente resiliente à crise. Isso se dá em função do grande déficit habitacional na moradia popular. Porém, temos outros segmentos que não foram resilientes, que são os de imóveis de médio e alto padrão.

O que ocorreu?
Esses dois segmentos já seguiram um comportamento de crescimento no passado igual ao de outros países que têm o mercado de imobiliário desenvolvido, ou seja, taxa de juros abaixo de dois dígitos, baixo nível de desemprego e bom marco regulatório. No Brasil, com a volatilidade, ficamos hoje com duas dificuldades: o desemprego e os problemas de marco regulatório, que são representados por um volume crescente devoluções de imóveis.

O senhor está se referindo aos chamados distratos?
Sim, a devolução de imóveis pelos compradores. Isso para o empresário significa a mesma coisa que se uma indústria qualquer que vende um produto e, dois meses depois, a pessoa quer devolvê-lo e receber o dinheiro de volta. É como se uma loja vendesse uma televisão para os jogos da Copa e, terminado o Mundial, o comprador viesse devolver o aparelho e exigir o dinheiro de volta. Você vende um apartamento para entregar no futuro e aí a pessoa desiste e quer ressarcir o valor pago. Nenhuma equação econômica dentro de uma empresa fica de pé se não sabe se a venda que foi feita é venda mesmo.

Hoje, a lei determina que um percentual desse valor pago pelo comprador fique com a construtora.
Sim, mas esse percentual é insuficiente e desestabiliza o mercado. Em outros países, o cliente perde é 100% em caso de desistência. Não tem cabimento: você vende uma coisa para entregar no futuro e depois a pessoa não quer mais e, muitas vezes, ela não quer mais porque teve uma variação de preço e não se interessa mais por aquele imóvel que comprou.

Muitos estão devolvendo porque não têm condições de pagar por conta de ter perdido o emprego. O senhor concorda?
O sujeito que vai a uma concessionária comprar um carro e, depois, perde o emprego, o que acontece? O banco perdoa a dívida? o carro é aceito pela montadora? Claro que não. A incorporadora não é seguro-desemprego e não tem a capacidade de absorver os problemas do cliente. Para fazer isso, teríamos que colocar esse risco no preço do imóvel. Esse risco de perda de emprego do comprador não cabe à incorporadora que está vendendo o imóvel.

Essa questão ainda está sendo discutida no Congresso. Uma primeira proposta que determina a devolução de 50% do valor pago já foi aprovada pela Câmara.
Sim, mas a maioria das devoluções não é porque o comprador perdeu o emprego. Essas representam apenas 10% dos que devolveram os imóveis. São pessoas que compram vários imóveis para investimento. Quando o preço é reajustado, ele devolve o imóvel. São especuladores. E mais: esses caras que estão fazendo isso estão usando os órgãos de consumidores.

É possível provar que são especuladores?
É um fato que a gente, o mercado, sabe. Não temos estatística, mas é o que a gente tem observado em todas as empresas. Todo esse problema dos distratos no segmento de média e alta renda acabou culminando em uma perda de 1 milhão de empregos no setor da construção entre 2010 e 2016. Se não tivesse esse número grande de devoluções, não tenho dúvidas de que o mercado estaria entregando os imóveis, não haveria atrasos e, mais do que isso, quando se faz um distrato, o mesmo apartamento que foi vendido precisa ser repassado para outro comprador. Se não tivesse o distrato, esse mesmo comprador estaria comprando outro apartamento em construção. Sem os distratos, mesmo com o mercado em crise, o setor estaria em uma posição melhor no segmento de média renda, teríamos um nível de emprego melhor.

Em função dos distratos e da crise, as demissões atingiram muitos trabalhadores?
O nosso segmento de incorporação de imóveis é fortemente empregador e chegou a ser responsável por 2,5 milhões de postos de trabalho em 2014. No ano passado, reduzimos esse número para 1,3 milhão de trabalhadores. Este ano, estamos tentando nos manter neste nível.

Na questão do distrato, qual é a proposta do setor?
O que foi aprovado na Câmara (devolução de 50% do valor pago pelo comprador do imóvel) não é ideal para o segmento. O certo seria o que é visto no mundo inteiro, que tem o mercado de imóveis desenvolvido. Se olharmos com base em outros mercados, no caso da desistência do imóvel, o comprador perde 100% do valor que pagou. O correto é que tenhamos os mesmos parâmetros que se tem a nível mundial. Esperamos que o Senado tenha uma capacidade de entendimento de que somos uma indústria geradora de empregos. Se ele não fizer isso, os prejudicados serão os trabalhadores que empregamos e toda a cadeia da economia que estamos inseridos.

Isso também pode gerar menos investimentos?
Sim, tem também os efeitos nos investimentos. Somos um setor de ciclo longo de produção e se não tivermos estoque e a demanda aumentar muito o que vai ocorrer é que o preço vai subir. Se isso ocorrer, o prejudicado é o comprador, que terá mais dificuldade para adquirir a metragem quadrada que ele quer. As pessoas têm que entender que não estamos falando na situação financeira das empresas. Os balanços dessas empresas são um retrato do que a crise e os distratos causaram. Estamos falando em ter a continuidade do mercado de incorporação no Brasil e de as pessoas terem capacidade de investir. Por isso, a necessidade de regras e regulamentação claras. É isso que qualquer pessoa que vai investir em qualquer lugar do mundo quer.

E a economia neste ano, qual é a sua análise?
Estamos passando por uma volatilidade muito grande, o que não é nada bom para a economia. Estamos chegando no fundo do poço, mas ainda acho que vamos ter um segundo semestre um pouco difícil. Não dá para dizer que teremos uma reação forte, porque, além de toda a volatilidade causada pela crise política, vamos ter as eleições. A volatilidade vai continuar, mas passando o pleito e resolvendo adequadamente alguns problemas que devem ficar das eleições, não tenho dúvida de que o próximo presidente terá de enfrentar todas as reformas estruturais do Brasil.

(Portal Estado de Minas - Notícia - Economia - 16/07/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Estadão: Pesquisas sobre construção civil confirmam piora

Os piores resultados vieram das expectativas, em especial da situação esperada para os negócios nos próximos seis meses. A situação momentânea dos negócios era estável ou estava em leve recuperação, mas em níveis insatisfatórios

Pesquisas recentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) mostraram um forte recuo das condições atuais e das perspectivas da construção civil. Os números indicam que, além da reversão das expectativas favoráveis alimentadas por empresários acerca da recuperação do ritmo da atividade econômica, a greve dos transportadores “causou muitos prejuízos e paralisou obras”, transformando-se em componente importante “nessa mudança de humor”, segundo a economista Ana Maria Castelo, da FGV. Os insumos não chegavam às obras e houve atraso nos cronogramas.

A Sondagem Indústria da Construção da CNI mostrou que o Índice de Evolução do Nível de Atividade caiu de 46,9 pontos em abril para 44,4 pontos em maio, pior resultado desde julho de 2017 e abaixo da média de 50 pontos que separam o campo positivo do campo negativo. A utilização da capacidade ociosa foi de apenas 57%, 3 pontos porcentuais inferior à de abril.

As expectativas quanto ao nível de atividade caíram de 54,7 pontos em maio para 50,4 pontos em junho, ainda no campo positivo, enquanto os itens novos empreendimentos e serviços, compras de insumos e matérias-primas e número de empregados situaram-se abaixo dos 50 pontos. O indicador de intenção de investimento recuou 2,7 pontos entre maio e junho, para 30,6 pontos.

A Sondagem da Construção da FGV caiu 3,1 pontos entre maio e junho, atingindo 79,3 pontos, bem abaixo do nível médio de 100 pontos e pior resultado desde novembro de 2017. Os piores resultados vieram das expectativas, em especial da situação esperada para os negócios nos próximos seis meses. A situação momentânea dos negócios era estável ou estava em leve recuperação, mas em níveis insatisfatórios.

Até o início do segundo trimestre, a construção civil vinha mostrando retomada lenta e mais evidente no aumento dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais, como apontavam a associação das incorporadoras (Abrainc) e o sindicato da habitação (Secovi-SP). Agora, se o segmento de moradias apresenta melhora – por exemplo, com a elevação do montante e do número de unidades financiadas pelas cadernetas de poupança do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo –, o setor de obras de infraestrutura se mostra enfraquecido.

(Estadão - Opinião - Notícias - Geral - 11/07/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Porta EM: Empresas de construção não veem perspectiva de melhora


Contribuição do leitor Evanildo

Todos os índices de expectativa pioraram em relação ao mês anterior e ficaram abaixo de 50 pontos, o que sinaliza perspectiva de retração da atividade, da compra de insumos e matérias-primas, dos novos empreendimentos e serviços e do número de empregados

O mercado imobiliário vivencia e ainda deve sentir por algum tempo resquícios da crise econômica pela qual o país está passando. Estudos recentes elaborados pela Gerência de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), revelam queda da confiança dos empresários e aumento do custo de construção no setor no mês de junho.

O Custo Unitário Básico de Construção (CUB/m² – projeto-padrão R8-N) aumentou 0,49% em junho, a segunda maior alta do ano, ficando atrás somente da elevação observada em abril/18 (1,45%). “O CUB/m² é um importante indicador de custos do setor e acompanha a evolução do preço de material de construção, mão de obra, despesa administrativa e aluguel de equipamento. O resultado de junho é justificado pela alta de 1,22% no custo com materiais de construção. A alta observada no custo com materiais de construção foi a maior desde outubro/2008”, explica o economista.

Na composição do CUB/m² (projeto-padrão R8-N) a mão de obra representou, em junho, 55,92% do custo, os materiais de construção responderam por 39,82% e as despesas administrativas/aluguel de equipamentos foram responsáveis por 4,26%. O custo do metro quadrado de construção em Belo Horizonte, para o projeto-padrão R8-N (residência multifamiliar, padrão normal, com garagem, pilotis, oito pavimentos-tipo e três quartos), que em maio/18 era R$1.360,82, passou para R$1.367,48 em junho/18.

Para o coordenador sindical do Sinduscon-MG, o aumento expressivo que está sendo observado no custo com materiais de construção pode refletir no preço dos imóveis. “Com o baixo patamar de estoque de novas unidades disponíveis para comercialização, a pressão exercida nos custos tende a influenciar diretamente o preço dos imóveis. Conforme a pesquisa realizada pela Brain Consultoria para o Sinduscon-MG, em Belo Horizonte e Nova Lima, o estoque disponível para venda em abril/18 era de 3.912 unidades residenciais novas, um dos menores patamares da série histórica da pesquisa, iniciada em 2015”, destaca o coordenador.

O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais (Iceicon-MG) caiu pelo quarto mês consecutivo, saindo de 46 pontos em maio para 43,1 em junho, marcando o pior nível dos últimos 11 meses. Pela terceira vez seguida, o Iceicon-MG manteve-se abaixo da linha de 50 pontos, indicando falta de confiança dos empresários da construção mineira. “Se, no início do ano, as expectativas eram de um cenário tímido, houve uma mudança significativa do cenário e isso refletiu no índice de confiança”, pontua o economista.

Retração
O indicador de nível de atividade em relação ao usual registrou, mais uma vez, retração, e marcou o menor valor desde março de 2017. Todos os índices de expectativa pioraram em relação ao mês anterior e ficaram abaixo de 50 pontos, o que sinaliza perspectiva de retração da atividade, da compra de insumos e matérias-primas, dos novos empreendimentos e serviços e do número de empregados.

O indicador foi 3,2 pontos inferior ao apurado em junho de 2017 e acumulou queda de 8,2 pontos no primeiro semestre de 2018. O Iceicon nacional também recuou em junho (48,2 pontos), frente a maio (53,8), e voltou a apontar falta de confiança dos empresários do setor no Brasil. “O indicador de expectativas sinaliza as perspectivas dos empresários para os próximos seis meses. O mercado imobiliário está em um ano, literalmente, decisivo com as eleições e os investidores esperam as novas diretrizes para saber o futuro de seus negócios. O setor está em um clima de desconfiança e incertezas do rumo que o novo governo seguirá, por isso o baixo ritmo”, configura Daniel Furletti

O índice de condições atuais, que mede a percepção dos empresários com relação à situação atual dos negócios, recuou 4,9 pontos na passagem de maio (41,9) para junho (37). “Vale ressaltar que essa foi a maior queda mensal do indicador em quase quatro anos. O resultado foi 3,1 pontos inferior ao registrado em junho do ano passado, e o pior desde janeiro de 2017 (35,3 pontos). O índice encontra-se abaixo de 50 pontos desde novembro de 2012”, conta Furletti.

Motivações
De acordo com o economista e coordenador sindical do Sinduscon-MG Daniel Furletti, as pesquisas são um reflexo das apreensões com o futuro da economia nacional. “A incerteza eleitoral, a mudança do cenário externo, o baixo ritmo de recuperação da atividade econômica, a greve dos caminhoneiros e as suas consequências e a queda da confiança, além de gerar incertezas nas projeções de novos investimentos, provoca dúvida sobre o fortalecimento do desenvolvimento do país, reduzindo cada vez mais as chances de crescimento do setor. Após quatro anos consecutivos de queda, o crescimento projetado para o setor, em 2018, é de apenas 0,5%”, ressalta.

De um modo geral todas essas situações refletem em todas as expectativas do mercado. Houve uma leve recuperação e uma animação entre os empresários, mas não se consolidou. “Hoje em dia, os empreendedores falam que há um desconforto com o presente e desconfiança com o futuro”, finaliza.

(Portal Estado de Minas - Notícia - Economia - 15/07/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Veja: Esperança do PIB, construção naufraga e se mantém no patamar pós-crise


A construção civil foi o setor que mais sofreu na recessão e agora é o que tem mais dificuldade de deixá-la para trás, destacam os economistas. Houve um excesso de investimentos antes da crise que, na área imobiliária, resultaram em imóveis encalhados

Considerado um dos setores que dariam impulso à economia neste ano, a construção civil decepcionou. O setor encolheu 20,5% nos últimos quatro anos, fechou 1,2 milhão de vagas em todo o País e se mantém no mesmo patamar de 2009, para onde retrocedeu após a crise. O desempenho só não é pior que o registrado no início da “década perdida”, quando a construção recuou 22,5% entre 1981 e 1984.

No fim do ano passado, o consumo de matéria-prima do setor começou a reagir, indicando que poderia haver uma retomada em 2018, o que impulsionaria a economia do País. “Foi alarme falso. O começo deste ano já veio mais fraco”, diz o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.

As projeções de crescimento para o setor estão entre as que mais mudaram nos últimos meses. Na LCA, por exemplo, enquanto a estimativa do PIB do País foi reduzida em 0,8 ponto porcentual, a da construção foi revista em 2,8 pontos. Antes, a consultoria previa um avanço de 2,6%; agora, queda de 0,23%. A aposta do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, é que o setor cresça 0,5% – a previsão inicial era uma alta de 2%.

“A gente continua com uma expectativa de crescimento, mas revimos o porcentual. O ritmo lento da economia e as incertezas políticas nos levaram a mudar a projeção”, afirma Ana Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do Ibre.

Dependente de investimentos de longo prazo, que, por sua vez, demandam confiança do empresariado e do consumidor, a construção também foi afetada pela paralisação dos caminhoneiros. “É um dos setores mais prejudicados, porque a greve afetou a confiança e as decisões de investimento”, acrescenta o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.

Recessão e imóveis encalhados
A construção civil foi o setor que mais sofreu na recessão e agora é o que tem mais dificuldade de deixá-la para trás, destacam os economistas. Houve um excesso de investimentos antes da crise que, na área imobiliária, resultaram em imóveis encalhados. “Leva tempo para digerir o excesso”, diz Ana Castelo, do Ibre, que lembra ainda que as obras públicas também estão paradas, travando a recuperação econômica.

A diferença da construção em relação aos demais setores é que ela é uma das atividades que mais demandam mão de obra. Uma recuperação na área impulsionaria o mercado de trabalho e, consequentemente, a economia.

Bráulio Borges, da LCA, afirma que, para o PIB do País apresentar um resultado melhor do que o atual – o mercado estima uma alta de 1,53% neste ano -, a construção tem de avançar em um ritmo semelhante. “O ideal é que seja até mais, já que a base de comparação é muito baixa”, avalia.

(Portal Revista Veja - Economia - 14/07/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK