Total de acessos

Teste

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Veja: Esperança do PIB, construção naufraga e se mantém no patamar pós-crise


A construção civil foi o setor que mais sofreu na recessão e agora é o que tem mais dificuldade de deixá-la para trás, destacam os economistas. Houve um excesso de investimentos antes da crise que, na área imobiliária, resultaram em imóveis encalhados

Considerado um dos setores que dariam impulso à economia neste ano, a construção civil decepcionou. O setor encolheu 20,5% nos últimos quatro anos, fechou 1,2 milhão de vagas em todo o País e se mantém no mesmo patamar de 2009, para onde retrocedeu após a crise. O desempenho só não é pior que o registrado no início da “década perdida”, quando a construção recuou 22,5% entre 1981 e 1984.

No fim do ano passado, o consumo de matéria-prima do setor começou a reagir, indicando que poderia haver uma retomada em 2018, o que impulsionaria a economia do País. “Foi alarme falso. O começo deste ano já veio mais fraco”, diz o economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges.

As projeções de crescimento para o setor estão entre as que mais mudaram nos últimos meses. Na LCA, por exemplo, enquanto a estimativa do PIB do País foi reduzida em 0,8 ponto porcentual, a da construção foi revista em 2,8 pontos. Antes, a consultoria previa um avanço de 2,6%; agora, queda de 0,23%. A aposta do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, é que o setor cresça 0,5% – a previsão inicial era uma alta de 2%.

“A gente continua com uma expectativa de crescimento, mas revimos o porcentual. O ritmo lento da economia e as incertezas políticas nos levaram a mudar a projeção”, afirma Ana Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do Ibre.

Dependente de investimentos de longo prazo, que, por sua vez, demandam confiança do empresariado e do consumidor, a construção também foi afetada pela paralisação dos caminhoneiros. “É um dos setores mais prejudicados, porque a greve afetou a confiança e as decisões de investimento”, acrescenta o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.

Recessão e imóveis encalhados
A construção civil foi o setor que mais sofreu na recessão e agora é o que tem mais dificuldade de deixá-la para trás, destacam os economistas. Houve um excesso de investimentos antes da crise que, na área imobiliária, resultaram em imóveis encalhados. “Leva tempo para digerir o excesso”, diz Ana Castelo, do Ibre, que lembra ainda que as obras públicas também estão paradas, travando a recuperação econômica.

A diferença da construção em relação aos demais setores é que ela é uma das atividades que mais demandam mão de obra. Uma recuperação na área impulsionaria o mercado de trabalho e, consequentemente, a economia.

Bráulio Borges, da LCA, afirma que, para o PIB do País apresentar um resultado melhor do que o atual – o mercado estima uma alta de 1,53% neste ano -, a construção tem de avançar em um ritmo semelhante. “O ideal é que seja até mais, já que a base de comparação é muito baixa”, avalia.

(Portal Revista Veja - Economia - 14/07/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

quinta-feira, 12 de julho de 2018

O Globo: Desistência da compra de imóveis novos aumenta 53% em quatro anos


Nos anos de crescimento econômico, várias pessoas compraram imóveis com forma de investir o dinheiro. No entanto, com uma legislação mais favorável aos consumidores do que às empresas, quando o negócio não dá lucro, os compradores devolvem o imóvel com baixo custo

Na empreitada para a aprovação de uma lei para disciplinar a desistência da compra de imóveis novos, a equipe econômica divulgou um estudo sobre o distrato no Brasil. O levantamento mostra que número de negócios desfeitos aumentaram 53% de 2012 a 2016 por causa da crise econômica dos últimos anos. Foram mais de 24 mil desistências nesses anos. Isso aumenta a imprevisibilidade, encarece os custos e prejudica, principalmente, a população de baixa renda a conquistar a casa própria.

A possibilidade de a construtora ter de ir à Justiça para conseguir o imóvel de volta eleva o custo do financiamento dos incorporadores junto aos bancos e, consequentemente, encarece o financiamento para os clientes. Sem dar números do impacto no preço, a Secretaria de Promoção da Concorrência do Ministério da Fazenda diz que essas incertezas impedem ainda a precificação adequada e fazem com que os financiadores sejam conservadores e cobrem juros mais altos. Além disso, reduz a oferta dos imóveis.

"Esse quadro de incertezas para consumidores e empreendedores tem gerado, como esperado, consequências negativas para o investimento e o emprego no setor imobiliário", conclui a Fazenda. "Em alguns casos, os distratos chegaram a representar, em 2016, quase 50% dos recebíveis dos incorporadores de capital aberto, o que evidencia seu impacto brutal sobre não só as receitas das empresas, mas também sobre o financiamento das obras".

Segundo os técnicos, a crise econômica e a alta do desemprego reduziram a capacidade de pagamento de muitos compradores e aumentaram o número de devoluções. Nos anos de crescimento econômico, várias pessoas compraram imóveis com forma de investir o dinheiro. No entanto, com uma legislação mais favorável aos consumidores do que às empresas, quando o negócio não dá lucro, os compradores devolvem o imóvel com baixo custo. Isso interfere nas finanças do empreendimento e atrasa obras. Atualmente, a lei não estipula parâmetros de multa, de retenção de valores pagos, ou de prazos para restituição.

Para a Fazenda, está claro que o distrato tem relação com os investimentos em imóveis feitos por pessoas de renda mais alta. O nível de desistência no programa Minha Casa Minha Vida, por exemplo, é bem mais baixo.

Entre 2012 e 2016, o número de empregos na Construção Civil caiu 30%. Foi o segmento da economia mais afetado pela crise econômica. O setor de Serviços, por exemplo, cresceu cerca de 3,5% no período. Segundo a Fazenda, o baque na construção não tem relação com um "suposto aquecimento extravagante" antes de 2014, mas com outros múltiplos fatores, entre eles o distrato.

(O Globo - Economia - 04/07/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Exame: Calote aumenta e bancos sofrem para se livrar de imóveis retomados


“O que está acontecendo é que, como há dificuldade para encontrar compradores, os bancos acabam fazendo mais leilões com os mesmos imóveis, na tentativa de se livrar dos estoques. Isso explica o aumento acelerado no número de operações em 2018”

O prolongamento da crise obrigou muita gente a deixar de pagar o financiamento imobiliário e a inadimplência aumentou em 2018. Com estoques altos, nunca houve tantos leilões de imóveis retomados como agora. Mas os bancos enfrentam dificuldade para se livrar das propriedades, que pesam bastante em seu bolso, mesmo elas sendo oferecidas a preços bem abaixo de seu valor de mercado.

A Caixa Econômica Federal, que historicamente é líder em financiamentos imobiliários no país, com uma fatia em torno dos 65% do mercado, colocou à venda 28.291 imóveis retomados em 2017. É um crescimento de 57,8% sobre a quantidade ofertada no ano anterior (17.934) e de 115,4% sobre 2015 (13.134 unidades). Apenas nos cinco primeiros meses de 2018, já foram colocados à venda 17.559 imóveis retomados pela CEF — se continuar nesse ritmo, vai ultrapassar a quantidade de 2017 bem antes do fim do ano.

“Toda vez que há aumento da inadimplência, há também aumento no número de imóveis retomados pelos bancos. É natural. Na bolha do subprime, nos Estados Unidos, em 2008, aconteceu a mesma coisa. A diferença é que lá os bancos estavam emprestando a quem já não tinha condições de pagar. Aqui, eles emprestaram a quem tinha condições de pagar, mas acabou perdendo essa garantia por causa da crise”, explica Marcelo Prata, fundador do app Resale, plataforma de compra e venda de imóveis retomados.

Segundo a CEF, a taxa de inadimplência no crédito imobiliário do banco passou de 2,2% em 2015 para 1,63% em 2016, e 1,37% no ano passado. Em 2018, apenas no primeiro trimestre, subiu para 1,93%. A Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) deve divulgar em breve o nível de calote no mercado como um todo, no primeiro semestre deste ano. O mercado espera por um aumento em relação ao último dado fornecido, de 1,5%, referente a 2017.

O site EXAME apurou que também houve aumento da inadimplência no crédito imobiliário dos bancos privados em 2018, mas, procurados, Itaú, Bradesco e Santander disseram que não divulgam esse número por ser “estratégico” ao negócio. O Banco do Brasil também não divulgou a taxa, mas disse que “das operações que entram em inadimplência, 97% são regularizadas pelos próprios mutuários em até 180 dias”.

Vendas paradas
Embora o número de imóveis retomados pela Caixa tenha aumentado significativamente nos últimos anos, a taxa de venda dessas propriedades — seja em leilões, licitações ou venda direta — ficou estagnada. Geralmente, atinge um terço das propriedades oferecidas. Em 2017, dos 28.291 imóveis retomados colocados à venda pela CEF, apenas 10.526 foram efetivamente vendidos. No ano anterior, do total de 17.934 imóveis, somente 4.782 mudaram de dono.

Este ano, dos 17.559 imóveis retomados colocados à venda pela Caixa, somente 4.985 foram efetivamente vendidos. Do total de propriedades oferecidas em 2018 pela CEF, mais de 97% são residenciais e 87% estão ocupadas, sendo que a maioria (13,21%) está no estado de São Paulo. As informações foram levantadas pelo app Resale — veja detalhes no infográfico abaixo.

“Não há interesse algum por parte do banco permanecer com um estoque alto de imóveis retomados. Isso representa um custo alto para ele, já que ele fica responsável pelas despesas da propriedade, como condomínio e IPTU. Logo que ele retoma o imóvel, já tem que pagar o ITBI [Imposto de Transmissão de Bens Imóveis] na hora. Em São Paulo, por exemplo, esse imposto é de 3%”, diz Prata, do Resale.

“Se por um lado os bancos não têm o menor interesse em retomar um imóvel, por outro as pessoas também fazem de tudo para não deixar de pagar o financiamento. Essa costuma ser a última coisa que acontece com as famílias endividadas. Normalmente, elas cortam outras despesas para priorizar o pagamento do financiamento. O fato de a inadimplência estar aumentando significa que a crise está realmente forte. Os bancos têm intensificado o trabalho de renegociação das dívidas, o que é bom, porque dá um fôlego para as famílias, mas não resolve o problema delas. É como se estivessem empurrando com a barriga. Por isso, lá na frente, o número de imóveis retomados deve aumentar ainda mais”, afirma Prata.

Na casa de leilões online Sold, que trabalha com mais de 10 bancos do país, entre eles os líderes do mercado de crédito imobiliário, o número de operações saltou de 50 em 2015 para 350 em 2017. Apenas em 2018, até agora, já foram realizados mais de 650 leilões de imóveis retomados por bancos através da plataforma. A taxa média de vendas é de 60% nos últimos três anos.

Segundo Henri Zylberstajn, leiloeiro oficial da Sold, apesar de os bancos estarem de fato retomando mais imóveis por falta de pagamento neste ano, o crescimento dos leilões está associado principalmente à dificuldade de venda dessas propriedades. “Por lei, os imóveis retomados devem ser oferecidos em um primeiro leilão e, em caso de não concretização da venda, devem ir a um segundo leilão. Os bancos podem colocar o mesmo imóvel à venda em leilões quantas vezes quiser até vendê-lo, ou a partir do segundo leilão sem sucesso optar pela licitação ou venda direta do bem”, explica.

“O que está acontecendo é que, como há dificuldade para encontrar compradores, os bancos acabam fazendo mais leilões com os mesmos imóveis, na tentativa de se livrar dos estoques. Isso explica o aumento acelerado no número de operações em 2018”, diz Zylberstajn. “Historicamente, os compradores de imóveis retomados em leilões eram investidores especializados. Havia uma demanda pequena por isso, mas uma oferta também baixa. Hoje, com a oferta bem alta, esses compradores especializados não dão conta de tudo.”

Na visão de Zylberstajn, o perfil dos compradores de imóveis retomados em leilões têm mudado aos poucos nos últimos anos. “A internet tem ajudado a pessoa física a se informar mais sobre a operação e entender seus prós e contras. Ainda assim, é um tanto complicado encontrar tudo resumido e de forma clara online. Alguns bancos têm sites próprios para as pessoas buscarem pelos imóveis retomados, mas o ideal é que as pessoas encontrem leiloeiros de confiança e se cadastrem em suas plataformas para receber as novidades ou usem apps que façam isso.”

(Portal Exame.com - Seu Dinheiro - 03/07/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Investing.com: BB Investimentos destaca cenário negativo no setor imobiliário


Além disso, os analistas destacam dois dados operacionais relacionados ao setor de incorporação recém-divulgados. O primeiro diz respeito à manutenção da inadimplência das empresas no nível mais alto desde que a informação começou a ser divulgada, indicando que as empresas do setor ainda enfrentam dificuldades para cumprir seus pagamentos

O setor de construção civil teve um mês negativo em junho, a exemplo da grande maioria do mercado acionário brasileiro, em um cenário de pessimismo que afetam os mercados emergentes desde o começo do trimestre. O resultado acontece mesmo para papéis como da Tenda (SA:TEND3) e MRV (SA:MRVE3), que tiveram bons resultados operacionais e financeiros.

Em junho, o índice do mercado imobiliário teve queda de 4,9%, contra perdas de 5,2% do Ibovespa. No entanto, no acumulado do ano, as perdas são respectivamente de 19,5% e 4,8%.

Para o Banco do Brasil (SA:BBAS3) Investimentos, além do cenário externo adverso o mercado acionário também é afetado pelas incertezas advindas do calendário eleitoral e pelas revisões para baixo do PIB de 2018 do Brasil por analistas de mercado, com sinais de retrocesso tanto na retomada do investimento privado quanto no aumento do consumo das famílias.

Os analistas destacam que essa redução das expectativas pode ser observada na pesquisa da CNI de maio, que mostrou queda não apenas no nível de atividade (de 46,9 para 44,4) e expectativas para os próximos 6 meses (de 54,7 para 50,4), mas também nas intenções de investimento (-2,7pontos m/m), o que nos leva a concluir que os agentes econômicos estão adotando uma posição mais conservadora para o 2S18.

Nova Lei dos Distratos e inadimplência das empresas do setor
Nem mesmo a aprovação na Câmara dos Deputados de um projeto de lei que regulamenta a questão dos distratos foi capaz de reverter a tendência. O assunto agora está em discussão no Senado. A projeto de lei prevê que se o comprador decidir cancelar a compra do imóvel, o vendedor poderá reter 50% do valor já pago como multa. Para o BB-BI, a proposta é positiva, uma vez que reduz a incerteza jurídica que prevalece atualmente devido à falta de regras claras nesta matéria. No entanto, seu alcance é minimizado devido à diminuição das entregas para os próximos meses, o que reduz o impacto dos distratos no resultado das empresas.

Além disso, os analistas destacam dois dados operacionais relacionados ao setor de incorporação recém-divulgados. O primeiro diz respeito à manutenção da inadimplência das empresas no nível mais alto desde que a informação começou a ser divulgada, indicando que as empresas do setor ainda enfrentam dificuldades para cumprir seus pagamentos. O segundo refere-se ao volume de contratações na área habitacional com funding do FGTS, que vem apresentando uma redução significativa considerando os dados dos últimos 12 meses. Isso, na visão do banco, pode afetar os lançamentos e vendas de empresas focadas no segmento de baixa renda, se a tendência de baixa persistir nos próximos meses.

No entanto, a votação da proposta do distrato foi adiada após pedido de vista coletivo realizado por integrantes da CAE. O pedido de vista contou com apoio da líder do MDB, Simone Tebet, e integrantes da oposição, que defenderam também alterações no relatório.

A previsão é que a votação na CAE ocorra apenas no dia 18, na última sessão antes do recesso parlamentar. Embora teoricamente possível, a aprovação da medida no CAE e no plenário do Senado no mesmo dia é pouco provável, dado que o adiamento de ontem mostrou a falta de acordo em torno da proposta.

Caso a proposta não seja aprovada até o dia 18 no plenário do Senado, a expectativa é que a discussão seja adiada até meados de novembro, já que, após o recesso, a agenda parlamentar gravitará em torno das eleições.

(Portal Investing.com - News - Mercado de Ações e Financeiro)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Veja: Crise e inadimplência fazem Caixa vender imóveis retomados no atacado


Com o aumento da inadimplência ocasionada pela crise financeira, a tendência é que mais imóveis sejam levados a leilão. Para quem sonha em ter uma casa própria, ficar de olho nos pregões pode garantir boas oportunidades

A Caixa vai fazer um leilão de venda de 6.013 imóveis no atacado em todo o país. O leilão será dividido em dois lotes, com aproximadamente 3.000 unidades em cada um, sendo que cerca de 95% deles são classificados como residenciais. É a primeira vez que a instituição financeira realiza um leilão dessa forma. Nas outras edições, os imóveis ofertados eram comercializados individualmente. Poderão participar da licitação pessoas físicas ou jurídicas, domiciliadas ou não no Brasil, mas a expectativa é de que oferta atraia o interesse de grupos de investidores.

O lance mínimo é de 1,17 bilhão de reais, já aplicado o desconto médio de 30% em relação ao valor de avaliação. Esses imóveis foram retomados de clientes que não pagaram o financiamento e por isso perderam o bem.

“Com essa ação, reduz-se o tempo e o volume de estoque dos imóveis, assim como a despesa com administração e pagamentos de contas, IPTU e condomínio, além de reduzir também a necessidade de acompanhamento, controle e gestão desses bens”, diz em nota o vice-presidente de logística e operações do banco, Marcelo Prata.

Os dois lotes são similares, com imóveis situados em todos os estados do país. O interessado terá um prazo até 25 de julho para obter as informações do edital e a lista dos imóveis, por meio do site da Caixa. Posteriormente, em envelope lacrado, fará a proposta de compra, mediante depósito prévio de 1 milhão de reais, que será efetuado e bloqueado na conta do cliente, após assinatura de termo de autorização de bloqueio.

O vencedor terá, a partir da divulgação do resultado final, mais 10 dias úteis para efetuar a transferência bancária para a Caixa. A partir daí, as escrituras serão assinadas e as propriedades transferidas.

Crise e aumento da inadimplência
Com o aumento da inadimplência ocasionada pela crise financeira, a tendência é que mais imóveis sejam levados a leilão. Para quem sonha em ter uma casa própria, ficar de olho nos pregões pode garantir boas oportunidades.

De acordo com Eduardo Jordão Boyadjian, presidente do Sindicato dos Leiloeiros do Estado de SP e leiloeiro da LeilãoVip, o mercado tem apresentado crescimento anual de 70% nos últimos três anos. “Além de retomada dos imóveis, muitas empresas com unidades em carteira decidem usar esses ativos para melhorar o seu fluxo de caixa. A crise também coloca isso em evidência”, afirma. A estimativa dele é que neste ano o mercado de leilão imobiliário movimente cerca de 8 bilhões de reais.

“A aquisição de imóveis em leilão tende a ser um bom negócio porque pode ter redução de até 50% do valor do bem, mas como toda oportunidade, esta também está ligada ao risco do negócio”, diz o advogado Rodrigo Karpat, especialista em direito imobiliário e sócio do Karpat Advogados. Por isso, alerta o especialista, a verificação da documentação do imóvel, bem como os custos que estejam relacionados ao bem precisam ser bem analisados para evitar a ameaça de adquirir uma unidade com valor acima do mercado.

O primeiro cuidado é ler com atenção o edital do leilão. O comprador não pode se enganar pelo preço da arrematação, devem ser consideradas questões como o IPTU e condomínio, se houver, e verificar se o acerto de contas é responsabilidade do comprador.

“É importante ter atenção ao contrato do leilão e a questões como desistência e comissão do leiloeiro. Tudo deve ser analisado de maneira criteriosa, desde a forma de pagamento, preço e comissão, por exemplo”, explica o advogado Guilherme Dorta, especializado em direito imobiliário do Dorta & Horta Advogados.

(Portal Revista Veja - Economia - 13/06/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

quinta-feira, 28 de junho de 2018

O Tempo: Mercado de locação e venda de imóveis comerciais em crise

“Há uns cinco anos, ver uma loja com placa de aluga-se no centro era uma raridade. A gente colocava a placa, e em 15 dias já tinha alugado. Agora, tem loja vazia há uns três anos. [...] Segundo Corrêa, os reflexos são diretamente sentidos pelo mercado de locação e venda de imóveis comerciais

Já é praticamente impossível andar pelas ruas do hipercentro de Belo Horizonte e encontrar um quarteirão sem sequer uma loja fechada. Na rua dos Tamoios, entre avenida Afonso Pena e rua da Bahia, das 20 lojas, nove estão com as portas baixadas. Isso, só de um único lado da via. Do outro, nesse mesmo quarteirão, são 11 lojas, sendo duas fechadas. O comerciante Rogério Araújo trabalha no armarinho Xodreck, que está no ponto há 35 anos. De lá, ele perdeu as contas de quantos negócios viu acabar. “Teve lanchonete que virou loja de roupa, mas também não deu certo. Teve Feira Shop e até autoescola, mas tudo foi acabando, principalmente nos últimos dois ou três anos. Nunca vi uma crise desse jeito”, conta.

Do alto de uma experiência de 38 anos como corretor de imóveis comerciais no hipercentro, José Corrêa, 68, também nunca viu nada igual. “Há uns cinco anos, ver uma loja com placa de aluga-se no centro era uma raridade. A gente colocava a placa, e em 15 dias já tinha alugado. Agora, tem loja vazia há uns três anos. Com a crise, os proprietários foram quebrando e entregando os pontos”, explica.

Segundo Corrêa, os reflexos são diretamente sentidos pelo mercado de locação e venda de imóveis comerciais. “Em alguns casos, tem proprietário baixando o valor do aluguel em até 50%. Mas tem muita gente que quer cobrar muito caro e não consegue alugar”, comenta. Um empresário, que pediu para não ser identificado, contou que tanto é locador como locatário. “Para o dono, o mercado está tão ruim que tem que dar desconto. Para quem quer alugar, é uma boa oportunidade. Eu mesmo consegui baixar de R$ 4.800 para R$ 2.400 o valor de uma lanchonete que aluguei. Já no caso de um bar, estou há três anos sem mexer no preço, para manter o inquilino”, conta.

Na avaliação do presidente da Associação Comercial do Hipercentro, Flávio Fróes, a insistência daqueles que mantêm o aluguel alto é um dos maiores problemas. “Muitos proprietários ainda mantêm patamares de valores quando o comércio estava no auge, o que não se configura nesse momento. Sem contar o valor especulativo, que é mais forte aqui no hipercentro. Isso é apenas um dos fatores que fazem com que as lojas estejam fechando suas portas”, diz. Outro, segundo comerciantes, seria a concorrência com produtos chineses.

Outro fator, na visão dos lojistas, são as ruas visivelmente mais vazias. “As pessoas não estão tendo dinheiro. E tem muito menos gente andando na rua do que antigamente”, observa Araújo. De dez lojas localizadas em um único lado da rua Santos Dumont, entre as ruas Espírito Santo e Bahia, quatro estão fechadas. Nesse caso, em especial, além da falta de consumidor e de dinheiro para girar a economia, os comerciantes lamentam os impactos sofridos pelas obras do Move.

Até o McDonald’s decidiu fechar
Após quase três décadas no cruzamento das ruas Rio de Janeiro e dos Goitacazes, o McDonald’s fechou no ano passado. Segundo a assessoria de imprensa, os motivos foram o alto custo do aluguel da loja e o fato de a rede ter outros dois restaurantes muito próximos, um no Shopping Cidade, a um quarteirão da loja que fechou, e outro na praça Sete. A mudança de perfil da região nos últimos anos também contribuiu.

(Portal O Tempo - Capa - Economia - 17/06/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Estadão: Evolução da construção civil é muito lenta e inexpressiva


Segundo a CNI, a situação presente é pior do que as expectativas, pois tanto o nível de atividade como o número de empregos mostraram recuo entre março e abril, situando-se abaixo da linha divisória de 50 pontos, que separa os campos positivo e negativo

As informações recentes sobre a indústria da construção civil revelam que o crescimento do setor é inexpressivo, o que contribui para retardar a expansão da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), de que o segmento é indutor. É o que revelam as sondagens da construção da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O Índice de Confiança da Construção da FGV avançou 0,4 ponto entre abril e maio de 2018, atingindo 82,4 pontos e superando em 8,3 pontos o resultado de maio de 2017. Mas “a percepção empresarial em relação à situação atual dos negócios teve piora”, segundo a economista Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos de Construção da FGV/Ibre. O retorno ao patamar anterior à crise “não ocorrerá no curto/médio prazo”, acrescentou.

Demanda insuficiente
O maior problema de longo prazo é a demanda insuficiente, que se verifica desde julho de 2014. O cenário macroeconômico é “difícil” e as incertezas políticas atingem diretamente as decisões de investir, segundo as informações colhidas de 675 empresas ouvidas na pesquisa da FGV entre os dias 2 e 22 de maio.

Segundo a CNI, a situação presente é pior do que as expectativas, pois tanto o nível de atividade como o número de empregos mostraram recuo entre março e abril, situando-se abaixo da linha divisória de 50 pontos, que separa os campos positivo e negativo.

A indústria operou em abril em ritmo inferior ao usual, com emprego de 60% da capacidade instalada, dois pontos abaixo da média histórica para o mês. Já os indicadores de expectativa apresentaram leve alta em maio, tanto no tocante ao nível de atividade como em novos empreendimentos e serviços. Ficou estável o indicador de insumos e matérias-primas e houve uma ligeira queda do item número de empregados, o que é preocupante. Já a confiança dos empresários, embora tenha diminuído entre abril e maio, ainda está no campo positivo (53,8 pontos).

A construção civil está entre os segmentos que mais retardam a recuperação econômica. Nas contas nacionais divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a construção caiu 2,2% entre os primeiros trimestres de 2017 e de 2018. Em maio, segundo a CNI, a intenção de investir voltou a cair.

(Estadão - Notícia - Geral - 06/06/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Portal G1: Áudio revela ameaça a clientes que denunciaram golpe de construtora


Um áudio repassado à polícia revela que clientes de uma construtora foram ameaçados por um dos proprietários da empresa de São José do Rio Preto (SP), que foi denunciada por estelionato por mais de 30 pessoas.

O trecho de um dos áudios repassados à polícia e cedidos à emissora diz: “Pode avisar ele que se não me pagar, o 'bagulho' vai ficar louco. Vou derrubar a casa dele e vou atrás dele com o revólver carregado". 


VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Valor: Setor de materiais de construção sinaliza queda no desempenho


Lançamentos imobiliários abaixo do esperado no primeiro semestre em São Paulo, maior mercado imobiliário do país, a piora do cenário macroeconômico, as reduções de estimativas do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e vendas abaixo dos volumes esperadas em maio tendem a resultar em piora das estimativas das fabricantes de materiais

O desempenho da indústria de materiais de construção poderá ser inferior, neste ano, do que o inicialmente previsto. O setor ainda não revisou as projeções, mas lançamentos imobiliários abaixo do esperado no primeiro semestre em São Paulo, maior mercado imobiliário do país, a piora do cenário macroeconômico, as reduções de estimativas do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e vendas abaixo dos volumes esperadas em maio tendem a resultar em piora das estimativas das fabricantes de materiais.

Nos próximos dias, as indústrias do cimento vão reavaliar suas projeções para o ano, segundo fonte ouvida pelo Valor. Inicialmente, o setor trabalhava com projeção de alta de 1% a 2% ante 2017. Dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC) apontam que as vendas domésticas do insumo caíram 0,3%, de janeiro a abril, para 16,97 milhões de toneladas. No fim de maio, como consequência da greve dos caminhoneiros, menos de 3% do volume médio de cimento estava sendo expedido.

Após a consolidação dos números dos fabricantes de revestimentos cerâmicos, a Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos, Louças Sanitárias e Congêneres (Anfacer) avaliará se mantém estimativa de crescimento de 4,8% a 5% das vendas neste ano.

(Valor Online - Empresas - 06/06/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Hoje em Dia: Construção perde 55,3 bi, fecha 4 mil empresas e demite 428 mil


Os dados são da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), referente a 2016, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). [...] "Em um contexto de instabilidade econômica começado em 2015, com aumento no desemprego e redução da renda, crédito mais escasso e caro, os agentes econômicos tendem a postergar ou cancelar os investimentos."

Em 2016, ano em que a economia brasileira atingiu o fundo do poço, o setor de construção deixou de movimentar R$ 55,3 bilhões, fechou quatro mil empresas e eliminou 428.603 postos de trabalho em todo o País. Os dados são da Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC), referente a 2016, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Naquele ano, a atividade de construção totalizou R$ 318,7 bilhões em incorporações, obras e serviços, um tombo de 14,8% em relação a 2015, quando já tinha encolhido 15,9%. O desempenho negativo se refletiu no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que encolheu 3,5%, sob impacto, entre outros fatores, da queda de 10,3% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB).

"Em um contexto de instabilidade econômica começado em 2015, com aumento no desemprego e redução da renda, crédito mais escasso e caro, os agentes econômicos tendem a postergar ou cancelar os investimentos. Dessa forma, o setor da construção foi afetado em 2016 refletindo em uma queda real de 14,8% no valor das incorporações, obras e/ou serviços da construção na PAIC", ressaltou o IBGE.

O instituto lembrou que, em 2016, o crédito imobiliário com recursos da poupança e do Fundo de Garantia do tempo de Serviço (FGTS) teve queda nominal de 16,2%, além de recuo de 10,2% no número de unidades financiadas em relação a 2015.

O resultado geral do setor, porém, foi puxado pela queda de 22,1% no segmento de Obras de Infraestrutura. O componente também foi o que mais influenciou as perdas nos postos de trabalho na construção naquele ano (-17,5%), na massa salarial real (-21,9%) e no salário médio mensal pago aos trabalhadores (-5,2%).

Financiador de infraestrutura, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reduziu os desembolsos de R$ 135,9 bilhões em 2015 para R$ 88,3 bilhões em 2016.

O valor das obras e serviços da construção no País atingiu 299,1 bilhões naquele ano, sendo 31,5% desse montante contratados por entidades públicas, o equivalente a R$ 94,1 bilhões. O restante foi proveniente de obras contratadas por pessoas físicas ou entidades privadas.

O País tinha 127 mil empresas ativas na construção, ocupando cerca de 2 milhões de pessoas em 2016. O total de salários e remunerações alcançou R$ 58,5 bilhões, com um salário médio real mensal de R$ 2.235,2.

(Portal Hoje em Dia - Primeiro Plano - Economia - 07/06/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

segunda-feira, 11 de junho de 2018

O Globo: Distrato de imóvel na planta renderá multa de 50% do valor pago


As construtoras consideram a alta taxa de distratos no país desde o início da recessão como uma das causas para a crise que atingiu as empresas do setor. [...] Todas as incorporadoras do país tiveram destruição de valor, algumas pediram recuperação judicial, outras fecharam — diz Luiz França, presidente da Abrainc

Após um acordo para correr com a pauta econômica, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que dita as normas para o comprador de imóvel na planta desistir do negócio. Para fazer o distrato com a construtora, a melhor opção é o próprio cliente achar outro interessado na unidade para fugir de pagar multa que pode chegar a 50% de tudo o que pagou. O projeto de distrato, que ainda tem de passar pelo Senado, é tido pela equipe econômica como o que faltava para destravar o setor da construção e diminuir os juros para quem quer a casa própria.

O texto é um substitutivo proposto pelo deputado José Stédile (PSB/RS) ao projeto de lei 1.220/2015, de autoria do deputado Celso Russomanno (PRB/SP), que defendia que a fatia do valor já pago pelo comprador do imóvel pela incorporadora em caso de rompimento de contrato ainda durante a obra seria de apenas 10%.

A votação foi simbólica. Segundo o texto acordado, a pessoa que desistir do imóvel pode se livrar das multas se encontrar um interessado em fechar negócio, mas o novo comprador tem de ter o cadastro aprovado pela construtora. Se não achar um comprador para passar seu imóvel adiante, terá de arcar com uma taxa de corretagem, que normalmente é de 5% do valor total do imóvel, que pode ser abatida do que foi pago. Há ainda multa. Ela varia de acordo com o tipo de imóvel comprado.

Se for uma unidade adquirida de um empreendimento que está sob regime de patrimônio de afetação, ou seja, quanto a obra em questão tem uma contabilidade completamente separada das contas da construtora, o cliente que desistir terá de arcar com uma multa que pode ser de até 50% do valor já pago pelo comprador, já descontada a taxa de corretagem. Contabilidade separada foi uma medida criada depois da falência da Encol nos anos 90. A regra evita que a quebra de uma construtora contamine vários empreendimentos e várias famílias fiquem sem casa. O problema é que a pessoa só receberá o dinheiro depois do Habite-se do prédio.

Já no caso de a contabilidade da obra não estar separada, a multa é menor: no máximo 25% do valor que o cliente já desembolsou, já descontada a taxa de corretagem.

As construtoras consideram a alta taxa de distratos no país desde o início da recessão como uma das causas para a crise que atingiu as empresas do setor. No terceiro trimestre de 2016, o percentual de imóveis distratados chegou a 46,3% do total vendido. Em março último, a taxa recuou a 20%, segundo dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).

— Quando o consumidor compra um imóvel na planta por R$ 4 mil o metro quadrado e recebe, três anos depois, valendo R$ 7 mil o metro quadrado, ele ganha essa valorização. Se acontece o contrário, ele decide devolver o imóvel? Isso cria um desequilíbrio no mercado. É preciso haver uma regra para isso. Todas as incorporadoras do país tiveram destruição de valor, algumas pediram recuperação judicial, outras fecharam — diz Luiz França, presidente da Abrainc.

'Consumidor pode ter mais medo de comprar imóveis’
Patrícia Cardoso, coordenadora Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública do Rio, sustenta que é preciso diferenciar investidores de mutuários. Ela pondera que a crise financeira das incorporadoras vem do freio na demanda por imóveis e na oferta de crédito para as companhias.

— É um absurdo (o que passou na Câmara) e completamente dissonante com a jurisprudência construída no STJ (Superior Tribunal de Justiça) nos últimos anos, que estabelecia percentuais entre 25% e 30% a serem retidos pela incorporadora — diz Patrícia.

Para ela, a atual proposta pode acabar, mais adiante, tendo impacto negativo na demanda por imóveis:

— Toda legislação que é formulada para resolver uma crise pontual do país se mostra, posteriormente, nociva para a sociedade e para o próprio mercado. Na prática, as pessoas vão ter mais medo de comprar um imóvel, temendo perder metade do valor pago caso deixem de ter condição de pagar. Na recessão, muita gente perdeu renda, ficou desempregada.

França da Abrainc, de outro lado, defende que a definição de regras claras para o distrato irá trazer segurança jurídica para as incorporadoras, estimulando novos investimentos. Sem isso, diz ele, poderia haver uma explosão de preços de imóveis em caso de aumento da demanda à frente da oferta de novos projetos nos próximos anos.

— Se a demanda estiver forte e não tiver estoque novo para venda, o preço sobe — sustenta França.

Pelo projeto que recebeu aval no plenário da Câmara, fica estabelecido em contrato que construtoras que atrasarem as obras em até 180 dias além da data de conclusão prevista em contrato não terão de pagar multas. A partir disso, devem arcar com um valor a título de aluguel para o cliente. Quem comprar imóvel em stand de vendas poderá desistir do negócio em até sete dias sem custos.

Se após esse prazo de tolerância de 180 dias o imóvel não for entregue, o comprador pode pedir o distrato, recebendo integralmente o valor já pago à incorporadora, além de equivalente à multa estabelecida em contrato, num prazo de até 60 dias após decidida a resolução da compra. Se o consumidor não quiser distratar, ele deve receber uma indenização de 1% do total dos pagamentos já feitos à construtora a cada mês de atraso, com correção por índice também estabelecido em contrato.

Para os técnicos da equipe econômica que acompanham as votações dos temas na Câmara, o texto é bom para o ambiente de negócios e deve favorecer a queda dos juros. A justificativa é que a facilidade de desfazer o negócio é importante para dar garantias que a obra não será interrompida por falta de recursos, principalmente, quando a contabilidade for separada e a construção depender exclusivamente dos recursos pagos apenas pelos futuros moradores.

— Não tenho a menor dúvida de que esse projeto era o que faltava para destravar o setor. A obra não pode ficar sem dinheiro para ser tocada — diz um técnico que justifica que o projeto brasileiro ainda foi muito favorável ao consumidor. — Em outros países, além de não receber nada de volta, quem desistir tem de pagar uma multa.

França destaca que o mercado de incorporação imobiliária depende do alinhamento de três pilares para avançar:

— É preciso ter um marco regulatório adequado, confiança do consumidor aliada a baixo desemprego, além de taxa de juros para financiamento abaixo de dois dígitos. Falta um pilar para termos este alinhamento — diz ele, se referindo à falta de confiança do consumidor e à alta taxa de desemprego no país.

(O Globo - Economia - 06/06/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Estadão: Com mercado em crise, vendas de imóveis com desconto crescem



Com a recuperação da economia brasileira caminhando a passos lentos, cresceu a proporção de donos de imóveis que admitiram conceder descontos para efetivar as vendas. O porcentual de transações com descontos subiu de 63% em julho de 2017 para 66% em março de 2018, segundo pesquisa feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o site Zap Imóveis. O patamar de março ainda permanece acima da média histórica, que também é de 63%. Entre os compradores, 61% buscaram o imóvel como moradia e 39%, para investimento.

(Estadão - Blogs - Coluna - 31/05/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Folha: Atividade e emprego continuam em queda na construção


O indicador de expectativas para os próximos seis meses ficou em 57,3 pontos em maio. Mas a percepção sobre a situação presente dos negócios piorou. O indicador de condições atuais caiu para 46,7 pontos

O nível de atividade e o emprego continuam em queda na indústria da construção. O indicador de nível de atividade caiu para 46,9 pontos e o de número de empregados recuou para 44,6 pontos em abril.

As informações são da Sondagem Indústria da Construção, divulgada na sexta (25) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os indicadores da pesquisa variam de zero a cem pontos. Quando estão abaixo de 50 apontam recuo da atividade e do emprego.

A pesquisa mostra ainda que o nível de utilização da capacidade de operação ficou em 60% no último mês. Isso significa que o setor operou com 40% das máquinas, dos equipamentos e dos trabalhadores parados.

No entanto, os empresários estão otimistas com o desempenho do setor nos próximos meses. Todos os índices de expectativas estão acima dos 50 pontos, indicando que os industriais apostam no aumento da atividade, dos novos empreendimentos e serviços, da compra de matérias-primas e no número de empregados nos próximos seis meses.

De acordo com o levantamento da CNI, o índice de confiança do empresário da construção (ICEI-Construção) diminuiu um pouco e ficou em 53,8 pontos em maio, acima da média histórica de 52,9 pontos e da linha divisória dos 50 pontos, que separa a confiança da falta de confiança.

"Isso é resultado do otimismo dos empresários em relação ao desempenho das empresas e da economia nos próximos seis meses", diz a confederação em nota.

O indicador de expectativas para os próximos seis meses ficou em 57,3 pontos em maio. Mas a percepção sobre a situação presente dos negócios piorou. O indicador de condições atuais caiu para 46,7 pontos.

A pesquisa mostra ainda que a disposição dos empresários para investir também diminuiu. O índice de intenção de investimentos recuou 1,9 ponto em relação a abril e ficou em 33,3 pontos em maio.

A edição da pesquisa Sondagem Indústria da Construção ouviu 541 empresas do setor entre os dias 1º e 14 de maio. A pesquisa completa está disponível na página da CNI.

(Folha de São Paulo - Mercado - 25/05/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Valor: PDG tem 12 obras paradas seis meses após aprovar plano de recuperação


Quase seis meses depois da aprovação de seu plano de recuperação judicial, a PDG Realty segue com obras paradas em 12 dos 14 empreendimentos não entregues e ainda não conseguiu fechar com bancos suplementação de recursos para concluir os projetos. Por outro lado, o aumento de capital previsto foi realizado, está em curso a execução do plano - com a venda de imóveis para arcar com passivos - e R$ 100 milhões serão pagos, neste ano, a credores das classes I, III e IV. A PDG já passou pelo pior momento e volta a olhar para o futuro, na avaliação do presidente da companhia, Vladimir Ranevsky.

(Valor Online - Empresas - 22/05/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK

segunda-feira, 21 de maio de 2018

O Tempo: Construtora paralisa obras em 20 empreendimentos e mutuários entram na justiça


Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), Vinicius Costa, a situação não é incomum. “As construtoras acabam utilizando o dinheiro de um empreendimento para finalizar o outro e criam uma bola de neve. Isso, infelizmente, acontece com frequência”, conclui

Sonhos de sair da casa dos pais, de se casar ou parar de pagar aluguel se transformaram em pesadelo para compradores de apartamentos da construtora Casa Mais, com sede em Belo Horizonte, que paralisou as obras de pelo menos 20 empreendimentos em Belo Horizonte e região, além de Uberlândia e Juiz de Fora.

A ascensorista Heloísa de Jesus Costa, 51, comprou na planta um apartamento no residencial Village, da Casa Mais, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte, em junho de 2015, com previsão de entrega em setembro de 2016. Mas a obra não foi terminada e está parada. “Não tem ninguém trabalhando, nem um segurança. Estive no local no mês passado. Tenho muito medo de perder o dinheiro que paguei e de invadirem o local”, afirma Heloísa.

Ela comprou o apartamento para o filho se casar e paga mais de R$ 400 por mês para a Caixa Econômica Federal por “evolução de obra”. “Meu filho adia o casamento há dois anos”, diz. Eles entraram na Justiça contra a construtora e fizeram um boletim de ocorrência na Polícia Civil.

Um grupo de cerca de 35 compradores acionou a Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH) em função da paralisação das obras da Casa Mais. “Vamos entrar com uma ação civil pública contra a construtora no Tribunal de Justiça e pedir o acompanhamento do Ministério Público para apurar se houve desvio de dinheiro”, afirma o presidente da ABMH, Vinicius Costa. Ele explica que, nos contratos avaliados, há uma cláusula que garante que os valores destinados para um empreendimento não podem ser usados em outro. “Baseado nessa cláusula, será apurado se teremos ação criminal”, declara.

Sumiço
As obras do residencial Quinta da Boa Vista, da Casa Mais, em Sabará, estão paralisadas desde março, segundo a assistente de departamento pessoal Sheila Di Angelis Lima, 29. Ela comprou uma unidade em outubro de 2016 e já investiu cerca de R$ 20 mil no apartamento. “Estive lá em fevereiro e tinha gente trabalhando. Em março, as obras pararam, e soubemos que os funcionários tinham sido demitidos”, conta Sheila.

Ao entrar em contato com a empresa, descobriu que a sede tinha sido desativada. “Estive na loja da Casa Mais, que ficava na rua Espírito Santo (região Central de Belo Horizonte), e não tinha nada lá. No site, vi que a construtora tinha mudado para o bairro Floresta e, quando cheguei no endereço, não encontrei nada”, afirma Sheila. Além disso, ela também foi informada sobre várias demissões na empresa.

Segundo o advogado da Casa Mais, Albert Wagner Rocha, a empresa não faliu e nem está em recuperação judicial. “A empresa passa por uma reestruturação, em razão da crise financeira que existe. Por causa dessa reestruturação, houve a mudança de sede. Alguns funcionários foram demitidos e a obra do Quinta da Boa Vista foi paralisada”, conta. Segundo ele, como a empresa ainda não está totalmente adaptada no novo local, alguns clientes podem ter tido dificuldade de atendimento. Sobre o atraso em outras obras, o advogado afirmou que não tinha informações.

Demissões
“A Casa Mais, além de paralisar obras, demitiu funcionários sem pagar acertos e salários atrasados. Fui demitida em fevereiro de 2018 e até hoje não me pagaram o acerto e nem os dois salários que estavam atrasados”, diz Marina Miranda, 26, que trabalhava no serviço de atendimento ao cliente da empresa.

O corretor Christhiann Marcell Andrade, 27, saiu da empresa em março deste ano. “Não recebi acerto e o salário estava atrasado desde janeiro. Também ficaram me devendo a comissão de um imóvel”, conta. Albert Rocha, porém, diz não ter conhecimento de demissões na área administrativa. “Envolvem terceirizados de empreiteiras, que receberam e não pagaram seus funcionários. Quando eles entram na Justiça, citam a Casa Mais”, afirma o advogado.

Caixa já notificou a empresa
A Caixa Econômica Federal tem contratos com a construtora Casa Mais em sete empreendimentos, já fez uma notificação extrajudicial e acionou a seguradora da empresa, que são, segundo o banco, “as providências administrativas previstas em contrato”, diz a nota.

Uma das maiores preocupações dos clientes da construtora são possíveis invasões. “Tivemos uma reunião na Caixa e falamos sobre a preocupação com as invasões. Porque alguns apartamentos estão mais adiantados do que outros. E não tem segurança alguma nas obras (abandonadas)”, alerta a cliente da Casa Mais, Sheila Di Angelis Lima. Tanto a Caixa como o advogado da construtora, Albert Wagner Rocha, afirmam que a seguradora, quando acionada, fica responsável pela segurança das obras. “Os empreendimentos são todos seguradas, o que dá tranquilidade aos clientes”, afirma Rocha.

Segundo a nota da Caixa Econômica Federal, a seguradora também ficará responsável por avaliar se a finalização da obra será feita por outra construtora, já que o banco, pelo contrato, pode definir uma nova empresa para terminar os empreendimentos. “A Caixa já acionou a seguradora e, caracterizando o sinistro, a mesma assumirá a obra com a contratação de outra empresa para concluí-la”, informa o banco.

Segundo Rocha, a empresa tem condições de reassumir as obras. “Temos plenas condições. Mas, agora, é necessário negociar com a Caixa, já que o banco tem o poder de indicar outra construtora. Nosso interesse, porém, é finalizar os empreendimentos”, afirma.

Pagamentos continuam
Os pagamentos para a Caixa Econômica Federal da evolução da obra continuam sendo feitos pelos clientes da Casa Mais, mesmo com as obras paradas. “É importante continuar fazendo os pagamentos para não ficar ‘negativado’. Por isso, não parei de pagar”, afirma o técnicos em telecomunicações Douglas Teixeira Lopes, 28, que comprou na planta um apartamento no residencial Quinta da Boa Vista, da Casa Mais, em Sabará.

Sheila Di Angelis, que também tem uma unidade no empreendimento, conta que paga o banco e a entrada para a construtora. “Quando temos problema com o boleto da entrada, a construtora atende” reclama.

Problema generalizado
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), Vinicius Costa, a situação não é incomum. “As construtoras acabam utilizando o dinheiro de um empreendimento para finalizar o outro e criam uma bola de neve. Isso, infelizmente, acontece com frequência”, conclui.

(Portal O Tempo - Capa - Economia - 12/05/2018)

VEJA VÍDEOS SOBRE O ASSUNTO AQUI NO BLOG OU PELO LINK